NA PRÁTICA, DE QUE LADO ESTAMOS?
Na passagem do Evangelho, fariseus e herodianos, embora inimigos, unem-se na tentativa de pôr Jesus em apuros. Enviam representantes, munidos de palavras falsamente obsequiosas, para perguntarem a Jesus se era lícito ou não pagar tributo a César (v. 17). A questão é propositadamente capciosa: se Jesus respondesse que sim, iria contra a Lei, que defendia ser Deus o único senhor do povo; se dissesse que não, seria tido como rebelde e subversivo.
Jesus reage aos inquisidores maldosos, pedindo que lhe mostrassem a moeda do imposto. Embora, pelas leis do Deuteronômio (Dt 5,8; 27,15), fosse proibido portar moedas romanas dentro do templo, “levaram-lhe a moeda” (v. 19). Esse detalhe do Evangelho mostra que os fariseus e herodianos, tão melindrosos e obsessivos em defesa da prática escrupulosa da letra da Lei, quando tratavam de dinheiro, deixavam tudo o mais em segundo plano.
Na sequência, Jesus pergunta: “De quem é a figura e a inscrição dessa moeda?” (v. 20). À resposta “de César”, Jesus é determinante: “Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (v. 21). Em outras palavras, Jesus os desmascara, fazendo-os ver que, se não fossem coniventes com a dominação dos romanos, não usariam o que, em consequência dela, os beneficiava, à custa do povo, pertencente a Deus. Há aí uma referência direta à passagem dos vinhateiros homicidas (Mt 21,45). Sem conseguirem alcançar o maldoso objetivo, por enquanto, “deixaram Jesus e foram embora” (v. 23).
Seguir Jesus implica atuar do jeito dele. Também hoje, a missão de testemunhar o Evangelho nos traz situações que pedem decisão: estar do lado dos fariseus e herodianos – que se relacionam à base do interesse – ou estar do lado de Jesus, que se relaciona segundo os imperativos do amor? Jesus é claro: só Deus, por ser amor, pode exigir do ser humano adoração.
Neste 100o Dia Mundial das Missões, que traz como tema “Um em Cristo, unidos na missão”, acolhamos as palavras do papa Leão XIV: “O aspecto fundamental da vida e da missão de cada cristão é tornar-se voz dos pequeninos. Isso requer, antes de tudo, uma grande e humilde capacidade de ouvir, de estar perto de quem sofre, para reconhecer, no seu clamor silencioso, o do Crucificado”.
Pe. Darci Luiz Marin, ssp

O objetivo deste periódico é celebrar a presença de Deus na caminhada do povo e servir às comunidades eclesiais na preparação e realização da Liturgia da Palavra. Ele contém as leituras litúrgicas de cada domingo, proposta de reflexão, cantos do Hinário litúrgico da CNBB e um artigo que trata da liturgia do dia ou de algum acontecimento eclesial.
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