PERDOAR COMO DEUS PERDOA
Estamos acostumados a levar a vida à base de números e cálculos: Quanto custa? Quanto vou lucrar? O apóstolo Pedro manifesta a Jesus sua preocupação sobre quantas vezes deveria perdoar a quem o ofendesse. Se Pedro buscava junto ao Mestre uma resposta confortável e pouco comprometedora, caiu do cavalo! Para sua surpresa, e nossa, Jesus não apresenta um número fixo. Não há limites quando se trata de perdão. Jesus responde, jogando com os números: “setenta vezes sete”, o que significa sempre.
Para mostrar o altíssimo grau do perdão de Deus em relação a nós e à nossa mesquinhez em perdoar ao “irmão”, Jesus contou a parábola do “rei que resolveu acertar contas com seus empregados”. De um lado, o rei (Deus) perdoa uma quantia imensa, impagável, de um deles (cada um de nós). De outro lado, esse servo devedor, cuja dívida tinha sido cancelada, foi incapaz de perdoar uma dívida mínima de um colega. Além disso, mandou castigá-lo e lançá-lo na prisão. Informado sobre essa atitude perversa, o rei mandou chamá-lo, deu-lhe uma sonora bronca e o submeteu a torturas, “até que pagasse toda a sua dívida”. A conclusão do ensinamento nos surpreende, pois Jesus arremata: “É assim que o meu Pai que está nos céus fará convosco, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão”.
Como teremos coragem de implorar o perdão de Deus, se nós mesmos não estamos dispostos a perdoar ao próximo? Se, ao invés, perdoarmos a quem nos tiver ofendido, Deus, na sua infinita misericórdia, nos concederá a graça do perdão. Aliás, toda a história da salvação mostra como Deus perdoa constantemente a seus filhos e filhas e os convida a serem fiéis à sua aliança. Então, vale a pena todo esforço para manter-nos abertos ao perdão divino e dispostos a perdoar “de coração” aos irmãos e irmãs, porque o Senhor quer construir conosco uma comunidade de reconciliados.
A Bíblia e a liturgia, principalmente os sacramentos, estimulam-nos frequentemente a reconhecer nossas faltas diante de Deus e pedir-lhe que nos conceda seu perdão. Se quisermos cumprir a ordem de Jesus, cabe nos empenharmos na prática do perdão cristão. Se não, como poderemos rezar, com sinceridade, o pai-nosso e dizer: “Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”?
Pe. Luiz Miguel Duarte, ssp

O objetivo deste periódico é celebrar a presença de Deus na caminhada do povo e servir às comunidades eclesiais na preparação e realização da Liturgia da Palavra. Ele contém as leituras litúrgicas de cada domingo, proposta de reflexão, cantos do Hinário litúrgico da CNBB e um artigo que trata da liturgia do dia ou de algum acontecimento eclesial.
Assinar