COM PEDRO E PAULO
Na atualidade, a busca por personalidades que se mostram fortes, invencíveis e inatingíveis é percebida em todos os ambientes sociais. Com efeito, é relativamente comum na sociedade o anseio por figuras/ pessoas nas quais depositar os ideais de felicidade, amor e prosperidade, postura continuamente alimentada pelas mídias digitais. Contudo, em se tratando dos apóstolos celebrados neste domingo, temos ciência de que não são nem heróis nem influencers, mas homens que testemunharam a força do Ressuscitado com a vida e as obras, até o extremo: Pedro, derramando o sangue na cruz; Paulo, pela espada.
A pergunta de Jesus não visa saber o que pensam sobre ele, e isso precisa estar claro. Ela está relacionada à intimidade da comunidade com o mistério revelado. Diante de tal pergunta, é normal que nos confundamos e até desejemos que a realidade seja algo diferente daquilo que verdadeiramente é: “Uns dizem que é João Batista, outros Elias ou algum dos profetas”. No entanto, o Senhor toca o íntimo dos corações e os convida a ir o mais fundo que conseguirem para encontrarem o que é essencial.
“Feliz és tu, Simão, filho de Jonas”: o Senhor nos conhece, sabe quem somos e o que temos, e nos chama. A resposta de Pedro não é um elogio eloquente, mas sim uma confissão de fé, e por isso é tão distinta da primeira resposta. Só consegue acreditar aquele que ama, aquele cujas imperfeições não diminuem a intensidade da experiência da fé.
As duas leituras são para nós, neste dia, a mais bela motivação para a vida. Pedro e Paulo estavam serenos não por apatia, mas justamente pela consciência de estarem cumprindo a vontade de Deus. A crueldade humana supôs silenciá-los, mas aqui estamos, honrando esses nossos dois irmãos na fé. O testemunho deles é vivo e nos toca, ou não os estaríamos celebrando.
E o que estamos celebrando? O Ressuscitado, que eles anunciaram com tanta coragem: um aos judeus, o outro aos gentios. Eles não quiseram agradar, mas anunciar e ensinar. Pode parecer que a libertação de Pedro tenha sido em vão, afinal veio a ser crucificado por ordem do imperador. E o mesmo sucedeu com Paulo, que, no fim, foi decapitado, apesar de tantas vezes ter sido livrado da morte pelo Senhor.
Ser cristão será sempre desafiador, e nós não podemos esperar algo diferente. A fé da Igreja, que recebemos dos apóstolos, não pode ser uma vivência egoísta, em vista da prosperidade, e sim da fraternidade, do Reino de Deus aqui e agora, para “todos, todos, todos”.
Cada vez mais poderá parecer tolice celebrar a doação da vida por uma causa que tem como base duas situações concretas: a fé e a comunidade. Para alguns, isso é disparate, loucura e precisa ser extirpado – o que de fato aconteceu com os dois apóstolos que celebramos hoje. Entretanto, em ambos sobressaem a confiança em Deus e a serenidade nas adversidades e perseguições.
O Senhor nos sustente, e que nós sejamos fiéis ao amor incondicional dele por nós!
Bruno Rosa

O objetivo deste periódico é celebrar a presença de Deus na caminhada do povo e servir às comunidades eclesiais na preparação e realização da Liturgia da Palavra. Ele contém as leituras litúrgicas de cada domingo, proposta de reflexão, cantos do Hinário litúrgico da CNBB e um artigo que trata da liturgia do dia ou de algum acontecimento eclesial.
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