O GESTO DE JESUS NO TEMPLO | Paulus Editora

O Domingo
O GESTO DE JESUS NO TEMPLO

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A expressão “o corpo fala”, mais do que ser um jargão, diz muito do que o corpo é em toda a sua complexidade. O corpo não somente fala: é fonte e origem de toda a comunicação. O corpo é a mídia mais poderosa.

Imaginemos o corpo de Jesus no recinto do templo. Aquele lugar que deveria estar puro, por ser espaço sagrado, encontra-se, na verdade, profanado. A casa de Deus transformada em mercado. A religião que já não religa nada. O corpo do Filho de Deus transita ali, em meio aos vendedores de bois, ovelhas e pombas. Observemos as mãos de Jesus, como os dedos se movem, como ele franze a testa e seus olhos miram tamanha degradação.

A firmeza do gesto subsequente é determinante para o que acontecerá com Jesus mais tarde: a morte de cruz. Os vendilhões do templo não sossegarão enquanto não tirarem de cena aquele que “fez um açoite de cordas, virou as mesas e espalhou as moedas dos cambistas” (Jo 2,15). Pôs abaixo os esquemas corruptos. Naquele dia, quando seu corpo sagrado for levantado no madeiro, exposto, humilhado pela morte mais infame, os malvados pensarão tê-lo eliminado. Só que, quando tudo parecer terminado, na verdade estará começando: “Derrubai este templo, e em três dias o reconstruirei” (Jo 2,19). Poder nenhum destrói o amor!

O corpo de Jesus é o verdadeiro templo. E nós, pelo batismo, tornamo-nos membros desse corpo. Se no mundo há corpos feridos, cicatrizados pela dor, humilhados pela fome e pela miséria, profanados pela violência e pela intolerância, a comunidade cristã é chamada a testemunhar o amor incondicional, aquele mesmo amor vivido por Jesus até a cruz. Na dor do corpo jogado na rua ou na cadeia está a mesma dor que aflige o corpo de Cristo. O templo é o lugar onde Deus mora. Portanto, o divino mora em nós, habita nosso corpo. De modo que o corpo é sagrado. E, como tal, deve ser cuidado, respeitado, honrado.

Pe. Antonio Iraildo A. de Brito, ssp


O Domingo

É um periódico que tem a missão de colaborar na animação das comunidades cristãs em seus momentos de celebração eucarística. Ele é composto pelas leituras litúrgicas de cada domingo, uma proposta de oração eucarística, cantos próprios e adequados para cada parte da missa e duas colunas, uma reflete sobre o evangelho do dia e a outra sobre temas relacionados à vida da Igreja.

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