O Domingo
29 de setembro: 26º do Tempo Comum

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O ABISMO QUE NOS SEPARA

A parábola deste dia inicia-se mostrando o contraste entre duas realidades, representadas pelos personagens centrais: o homem Lázaro e o homem rico. Ela não pretende descrever a realidade do céu e do inferno, a situação do pós-morte. Descreve, isso sim, a situação presenciada pela comunidade de Lucas no tempo em que foi escrito o evangelho: ricos vivendo luxuosamente e pobres vivendo na miséria. O objetivo é provocar um questionamento e uma tomada de posição diante desse quadro concreto.

O pobre tem nome, chama-se Lázaro, que significa “Deus ajuda”; está coberto de feridas e, quando morre, é levado pelos anjos para junto de Abraão. O rico não tem nome; está coberto de roupas luxuosas e, quando morre, simplesmente é enterrado. Para este, tudo terminou no túmulo. Após a morte, a realidade se inverte: Lázaro vive ao lado de Abraão, o pai na fé; o rico vive em meio a tormentos.

De fato, não basta ser “filho de Abraão” para merecer o reino de Deus. É necessário ouvir a Escritura, as palavras de Jesus, que clamam por justiça e solidariedade. Impõe-se extinguir os abismos da indiferença, da discriminação e da intolerância; cumpre derrubar os muros que separam pessoas e povos, criar pontes que unam diferenças e desarmar espíritos beligerantes.

A parábola de Lázaro e do rico é muito atual. A conjuntura em que vivemos é fruto do não acolhimento da palavra de Moisés e dos Profetas. Dizendo de outra forma, se há ricos acima da linha da riqueza e pobres abaixo da linha de pobreza, isso ocorre porque a sociedade ainda não concordou em se deixar iluminar pela Palavra de Deus, a qual propõe um mundo de justiça e solidariedade.

Não há necessidade de os mortos virem nos ensinar como viver, basta acolher os ensinamentos de Jesus e de muitos profetas de ontem e de hoje. O Brasil é um dos piores países do mundo no tocante à disparidade entre riqueza e pobreza. Não é difícil ver, principalmente nas grandes cidades, lázaros catando comida no lixo e abandonados nas praças e ruas. Não podemos ficar indiferentes a esse abismo, que tende a se tornar intransponível.

Pe. Nilo Luza, ssp 


O Domingo

É um periódico que tem a missão de colaborar na animação das comunidades cristãs em seus momentos de celebração eucarística. Ele é composto pelas leituras litúrgicas de cada domingo, uma proposta de oração eucarística, cantos próprios e adequados para cada parte da missa e duas colunas, uma reflete sobre o evangelho do dia e a outra sobre temas relacionados à vida da Igreja.

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