O RESSUSCITADO ENTRE NÓS
A presença do Ressuscitado transforma a vida, tanto na dimensão pessoal quanto comunitária. Ele não é um “presente ausente”, mas atua na história por nosso intermédio. Talvez hoje precisemos retornar às fontes, não simplesmente para descobrir uma maneira renovada de rezar, celebrar ou evangelizar, mas, sobretudo, para que redescubramos a virtude de confiar “quase cegamente” em Deus, em sua misericórdia. Fazendo esse caminho, abriremos nossa mente e mudaremos nossa forma de pensar, discernindo a vontade de Deus.
Temos no Evangelho deste domingo uma situação tão sensível e concreta quanto as que experimentamos no nosso dia a dia. O medo, o escondimento e a presença do Ressuscitado compõem a cena. Há, contudo, um aspecto que marca a narrativa: Tomé não estava presente e não acredita no relato dos que já se encontraram com Cristo vivo. O apóstolo queria ver, tocar e sentir, mas apenas dentro dos limites da inteligência humana, sem fé.
Felizmente, o Ressuscitado vem ao nosso encontro conforme nossa necessidade. Tomé precisava ver, sentir e tocar para crer, e Jesus lhe dá essa oportunidade. A ênfase, aqui, não é na questão de crer sem ver ou de precisar de sinais, mas sim no que nos impede de fazer a experiência do Cristo ressuscitado, tanto na vida em comunidade quanto em nossa vida pessoal. Quais portas estão fechadas? É certo que a desigualdade social, a violência e o preconceito nos dão medo, fazem que busquemos nos esconder.
Queremos, de fato, experimentar os efeitos da misericórdia? Estamos dispostos a abrir as portas e gritar ao mundo que Cristo vive? Que paz podemos oferecer, se entre nós ela é quase inexistente? Ser testemunhas da ressurreição é muito mais do que dizer que acreditamos: é tocar, com a vida, as chagas do Senhor nos mais abandonados e anunciar que a morte foi vencida, destruída, de uma vez por todas. A humanidade precisa ouvir a saudação de Jesus por meio de nossa vida: “A paz esteja convosco”.
Que a misericórdia divina nos alcance, transforme nossa mente, nossa vontade e nosso coração, a fim de que sejamos discípulos e discípulas exemplares. Maria, nossa Mãe, nos ajude nessa empreitada.
Cl. Bruno Rosa, ssp

O objetivo deste periódico é celebrar a presença de Deus na caminhada do povo e servir às comunidades eclesiais na preparação e realização da Liturgia da Palavra. Ele contém as leituras litúrgicas de cada domingo, proposta de reflexão, cantos do Hinário litúrgico da CNBB e um artigo que trata da liturgia do dia ou de algum acontecimento eclesial.
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