O Domingo – Palavra
8 de julho: 14º Domingo do Tempo Comum

Indicar a um amigo:





A DERROTA DO PRECONCEITO

O preconceito cega e endurece o coração. Os conterrâneos de Jesus em Nazaré (cf. Mc 6,1-6) não conseguiram enxergar nele a plenitude do amor de Deus em pessoa, presente, vivo no meio deles. Viram tão somente com os olhos banhados de preconceito: “Este não é o carpinteiro, filho de Maria?”, questionavam.

De um modo global, com alguma frequência se ouve dizer que o brasileiro gosta muito do que é de fora. Os que se consideram ricos e costumam esbanjar o que nem têm em viagens – por exemplo, em turismo por Miami, nos Estados Unidos – voltam com as sacolas cheias de compras, quase sempre no intuito de ostentar, de mostrar que é bonito usar grifes famosas. Por vezes, tudo que se refere ao Brasil consideram como feio, atrasado e de mau gosto. Isso se pode notar nos burburinhos das chama-
das redes sociais na internet e nos discursos comuns nas mesas de bares, shoppings e outros espaços de convivência.

Há até quem desvalorize determinadas regiões, lugares e pessoas do país, bem ao modo daquela atendente em uma ótica na cidade de São Paulo, quando notou que o cliente era do Maranhão: “Mas você nem parece ser do Nordeste, é tão instruído!” Percebe como o preconceito deixa as pessoas sem noção?

Diz o evangelho que Jesus não conseguiu realizar nenhum milagre em Nazaré, sua terra natal. Isso por causa do endurecimento do coração de seus conterrâneos. A falta de fé daquelas pessoas, na verdade, era por causa do preconceito arraigado nelas, que as impedia de ver em Jesus o Messias prometido.

Ocorre que eles esperavam não um “filho de Maria” ou aquele que a vida toda estava ali, no trabalho de carpinteiro com seu pai, José. Almejavam um Messias grandioso, nascido de família influente, alguém de posses. Mas a maior riqueza de Jesus era ele mesmo presente, totalmente integrado na missão, impelido pelo Espírito, fazendo a vontade de Deus. Nisso se fundamentavam as curas e os milagres por ele realizados.

O risco da recusa pode ocorrer também em nossas comunidades e famílias. Não que tenhamos de ser bairristas ou ufanistas. Não se trata disso. Nem é bom entrar nessa onda. Mas é sempre saudável reconhecer os dons e talentos dos nossos pares. Às vezes, pode acontecer que elogiemos o padre famoso da TV e não percebamos o empenho do pároco e dos agentes de pastoral em nossa paróquia.

Peçamos a Deus que nos ajude a reconhecer Jesus nos irmãos e irmãs de comunidade.

Pe. Antonio Iraildo Alves de Brito, ssp


O Domingo – Palavra

O objetivo deste periódico é celebrar a presença de Deus na caminhada do povo e servir às comunidades eclesiais na preparação e realização da Liturgia da Palavra. Ele contém as leituras litúrgicas de cada domingo, proposta de reflexão, cantos do Hinário litúrgico da CNBB e um artigo que trata da liturgia do dia ou de algum acontecimento eclesial.

Assinar