O Domingo – Palavra
8 de dezembro: Imaculada Conceição de Maria

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O FILHO NO COLO

Certa vez visitei uma jovem que, poucos dias antes, havia dado à luz o primeiro filho. Ela chorava ao amamentar o bebê. Como eram os primeiros dias de amamentação, seus seios estavam feridos e até sangravam. Enquanto o neném mamava, a dor só piorava. Situação difícil. Mesmo assim, a mãe precisava saciar a fome do pequeno, que ficava aos prantos se não fosse atendido. Não vi o pai presente. Sabemos que muitos deles fogem da responsabilidade.

Hoje, no Brasil, mais de 80% das crianças têm como primeira responsável a mulher. É igualmente grande o número daquelas que não têm o nome do pai no registro de nascimento. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), são quase 6 milhões de crianças nessa situação. Isso mostra a realidade de muitas mães que carregam sozinhas as inúmeras dificuldades na luta pela sobrevivência.

Tal realidade tem implicações pastorais. Por exemplo, com referência ao batismo. Outro dia, ao batizar um pequeno, estavam presentes a mãe, com o filhinho no colo, a madrinha, o padrinho, os avós, as tias. Mas o pai não estava presente.

O papa Francisco tem insistido sobre a sensibilidade pastoral. Em uma de suas homilias, logo quando se tornou pontífice, comentou o exemplo de uma mãe que procura a igreja para batizar o filho: “Pensem em uma mãe solteira que vai à igreja, à paróquia e ao secretário: ‘Quero batizar meu filho’. E depois esse cristão, essa cristã, lhe diz: ‘Não, você não pode porque você não é casada!’ Mas, veja, essa jovem teve a coragem de levar adiante a sua gravidez e não devolver o seu filho ao remetente, e o que ela encontra? Uma porta fechada! Esse não é um bom zelo! Afasta do Senhor! Não abre as portas! E assim, quando estamos nesse caminho, nessa atitude, nós não fazemos bem às pessoas, ao povo, ao povo de Deus. Jesus instituiu sete sacramentos, e nós, com essa atitude, instituímos o oitavo: o sacramento da alfândega pastoral!” Em outro momento, o papa afirmou: “Não existe mãe solteira. Mãe não é estado civil”.

Na festa da Imaculada Conceição, venerando a Mãe do céu, comprometemo-nos a apoiar e respeitar as mães da terra nas suas lutas, angústias e esperanças, evitando todo e qualquer preconceito.

Pe. Antonio Iraildo Alves de Brito, ssp


O Domingo – Palavra

O objetivo deste periódico é celebrar a presença de Deus na caminhada do povo e servir às comunidades eclesiais na preparação e realização da Liturgia da Palavra. Ele contém as leituras litúrgicas de cada domingo, proposta de reflexão, cantos do Hinário litúrgico da CNBB e um artigo que trata da liturgia do dia ou de algum acontecimento eclesial.

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