ANTES DA PALAVRA
Todo profeta é escolhido, consagrado e constituído por Deus. Ele tem a missão de dizer o que o Senhor mandar falar. Não fala por si mesmo. Se falar por si mesmo, é falso. O profeta entrega todo o seu ser a serviço do alto.
A serviço do alto, mas com os pés no chão da vida. Os olhos voltados para Deus. Os olhos também voltados para o mundo. O mundo com tudo que há de mais contraditório. E o mundo com tudo que há de mais belo. Tudo o que Deus fez é bom.
O profeta não foge do mundo. Ele enfrenta as situações com determinação. No entanto, não se lança de forma irresponsável. Profeta sabe falar. Sabe também calar. Mas nunca se omite. Profeta não é adivinho nem mágico. Profeta é obediente a Deus.
Mesmo diante de situações que pareceriam não ter saída, o profeta vê sinal de esperança. Seus olhos têm a luminosidade do alto. É um olhar de ternura, de acolhida. Toda ação profética é banhada de contemplação.
Contemplação quer dizer um agir com discernimento. Uma ação iluminada pela oração. O profeta tem consciência de sua condição física: em seu corpo há dois ouvidos e uma boca. Por isso, antes da palavra, ele considera o silêncio. Seu ouvido afinado ouve o que Deus fala.
Deus fala na história, nos sinais dos tempos. Fala nas situações mais simples. Desde o sorriso de uma criança a um lamento de dor de alguém deixado à beira do caminho, até diante da morte. Deus fala na cantoria dos pássaros, no caminho das formigas, na cantiga da cigarra, no barulho da chuva, no balançar das árvores, nas ondas do mar beijando a areia…
O profeta ouve. E a todo momento está a serviço de Deus. Sua língua diz palavras boas. Seus lábios pronunciam a doçura divina. Seu olhar irradia a paz, a concórdia, o amor sem medida. Suas mãos estão sempre prontas para abençoar, tocar, curar. Seus braços, abertos para abraçar, proteger.
Seus pés, sempre prontos para partir. Mesmo cansados, têm pressa em semear a Palavra consoladora.
O profeta até ouve que a bolsa de valores caiu, que o dólar subiu, que isso e aquilo. Mas ele sabe que por trás de muito economês há muita enganação. Ao profeta importa que a vida seja mais. E sua palavra é uma alerta para que ninguém se perca; ao contrário, encontre-se e viva feliz. O profeta denuncia o que não é de Deus. E anuncia o que é de Deus.
Pe. Antonio Iraildo Alves de Brito, ssp

O objetivo deste periódico é celebrar a presença de Deus na caminhada do povo e servir às comunidades eclesiais na preparação e realização da Liturgia da Palavra. Ele contém as leituras litúrgicas de cada domingo, proposta de reflexão, cantos do Hinário litúrgico da CNBB e um artigo que trata da liturgia do dia ou de algum acontecimento eclesial.
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