AONDE VOU, MEU JESUS?
Dona Judite queria abandonar de vez a Igreja. Ela era uma mulher de Igreja. Fazia de tudo: coordenava as celebrações, era do Apostolado da Oração, tinha sido ministra da eucaristia nos dois últimos anos. Um dia teve uma discussão com seu Antônio, o presidente da comunidade, por causa de uma coisa à toa. Foi porque seu Antônio não deixara a filha de dona Judite cantar o salmo na missa do padroeiro.
Ali só havia missa de vez em quando, uma vez por mês, e ainda havia mês em que o padre não aparecia, por ter de participar de alguma reunião. Assim, aquela missa do padroeiro seria especial. Além do padre, estaria lá o bispo, que vinha de longe. Judite achava que era um dia bonito para sua filha Bernadete cantar o salmo. Mas não, ela não fora escolhida. O presidente da comunidade tinha pedido que outra pessoa lesse! Por isso, dona Judite saiu da reunião pensando em deixar a Igreja de vez. Iria procurar outra religião, ou ficar sem religião. Ficou pensando que aquilo que seu Antônio fizera não era certo. Bernadete ficaria muito chateada quando soubesse, porque, na opinião da mãe, a filha era a melhor cantora das redondezas.
Dona Judite estava quase indo dormir quando olhou para a parede da sala e viu lá o quadro do Coração de Jesus. Era um quadro antigo. Tinha sido de sua avó. Quantos terços e ladainhas tinha rezado ali, em frente daquele quadro! Quantas vezes tinha chorado olhando para o Coração de Jesus, pedindo graças, implorando paciência com situações difíceis… Sentiu vontade de cantar aquela música, que aprendeu pequenininha: “Coração santo, tu reinarás, tu nosso encanto sempre serás…”. Cantou com vontade. Lembrou-se de tanta coisa bonita que tinha vivido na comunidade, da visita que fazia aos doentes, das novenas, da alegria de rezar o terço nas casas, do estudo bíblico, da pastoral da criança. Olhou para o quadro e pensou: “Não quero ficar longe de Jesus! Não vou abandonar a fé que recebi de minha família por causa de uma coisa tão pequena!” Então rezou: “Senhor, liberte meu coração de toda mágoa! Ajude-me a entender que a verdadeira palavra eu só encontro perto de você, que está tão vivo em minha comunidade, apesar de nossos pecados. Amém”.
Pe. Claudiano Avelino dos Santos, ssp

O objetivo deste periódico é celebrar a presença de Deus na caminhada do povo e servir às comunidades eclesiais na preparação e realização da Liturgia da Palavra. Ele contém as leituras litúrgicas de cada domingo, proposta de reflexão, cantos do Hinário litúrgico da CNBB e um artigo que trata da liturgia do dia ou de algum acontecimento eclesial.
Assinar