O Domingo – Palavra
23 de junho: 12º Domingo do Tempo Comum

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O RISCO DE CONFUNDIR JESUS

Desde sua origem, a comunidade cristã corre o risco de falsificar Jesus. Em nossos dias, basta ligar a TV ou navegar na internet para verificar o falatório, até a exaustão, acerca do Filho de Deus. Seu nome está por toda parte: nas ruas, nas casas, nas mensagens de WhatsApp e nas igrejas. Ocorre que não basta só falar sobre ele, se o testemunho de vida não condiz com o evangelho, a boa notícia.

Dentre os muitos riscos atuais de confundir a pessoa de Jesus Cristo, o filho de Maria de Nazaré, podemos destacar pelo menos três: Jesus como “celebridade”, Jesus como “mercadoria”, Jesus “acima de todos”.

Há o risco de tornar Jesus uma celebridade. Daí nasce o perigo de querer ter fama e até acumular bens usando o nome dele. O Filho de Deus jamais quis ter fama. Quando queriam torná-lo celebridade, sempre encontrava uma forma de sair de cena. Em todos os milagres e curas que realizou, a atenção estava voltada para a pessoa necessitada. Em sua vida pública, nunca fez de seu ministério uma forma de autopromoção. Ele só queria restituir a dignidade a quem estava com a vida despedaçada.

O risco de tornar Jesus uma mercadoria também é possível. O discurso da chamada teologia da prosperidade usa Jesus como moeda de troca. O sucesso de muitas “igrejas”, que até se intitulam igrejas cristãs, ocorre porque fazem mercado da Palavra de Deus. A turma dessas “igrejas” está muito mais ávida por dinheiro e pela ostentação de riquezas do que pelo empenho de fazer da vida uma entrega de amor, como fez Jesus.

Outro risco que está na moda aqui no Brasil, nos últimos anos, relaciona-se com o slogan “Deus acima de todos”. Há quem ande esbravejando isso por aí como se fosse proprietário do divino. É claro que Deus é grande, é maior do que todos! Mas ele não quer ficar acima de ninguém. Em Jesus, ele é o “Deus conosco”, está no meio de nós; assumiu a fragilidade humana por amor.

A expressão “Deus acima de todos” carrega em si as marcas do poder da força, da dominação e da opressão. O poder de Deus, ao contrário, é o poder do amor. Esse é o poder da cruz. Jesus nos ensina a viver o verdadeiro amor. É nesse amor que consiste a verdadeira religião.

Pe. Antonio Iraildo Alves de Brito, ssp


O Domingo – Palavra

O objetivo deste periódico é celebrar a presença de Deus na caminhada do povo e servir às comunidades eclesiais na preparação e realização da Liturgia da Palavra. Ele contém as leituras litúrgicas de cada domingo, proposta de reflexão, cantos do Hinário litúrgico da CNBB e um artigo que trata da liturgia do dia ou de algum acontecimento eclesial.

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