O Domingo – Palavra
20 de outubro: 29º domingo do Tempo Comum

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DIÁLOGO COM DEUS

Quando pequenino, certa vez meu olhar de criança fixou-se numa imagem do Cristo crucificado, na sala de nossa casa. As expressões do olhar de Jesus e suas costelas expostas deixaram-me preocupado e na obrigação de fazer alguma coisa por aquele sofredor bem à vista de meus olhos.

– Pai, por que ele está assim tão triste? Ele está com fome?

– Sim, meu filho, ele está com fome.

– Pai, e o que ele come?

– Ele come reza, filho. Ele é santo.

Então, pensei comigo: “Vou rezar por ele”. Eu sabia algumas orações decoradas. Aquelas que aprendera em casa, para rezar antes de dormir e ao acordar. E também as orações do catecismo, ensinadas pela catequista Verônica. Todas aquelas orações aprendíamos a rezar de ouvido. O sinal da cruz, o pai-nosso, a ave-maria, o credo, a salve-rainha e outras orações que madrinha Verônica nos repetia até sabermos de cor. Eu já tinha algumas dessas rezas gravadas em meu coração, e agora elas podiam ser alimento para Jesus, aquele da imagem em nossa casa.

A minha pergunta a papai sobre se Jesus estava com fome tinha que ver com nossa realidade, marcada também pela fome. Eu tinha medo da fome. Ouvi, mais de uma vez, mamãe dizer baixinho ao meu pai: “Hoje só temos água no pote, e é pouca”. Era um tempo que, nos dizeres de dona Francisca, “muitos pobres tinham os olhos cinza de tanto passar fome”. Dona Francisca era uma vizinha cheia de sabedoria, que nos alegrava com seus contos e palavras de otimismo.

O evangelho de hoje (Lc 18,1-8) nos ensina sobre a necessidade de rezar sempre. Aquele sentimento de criança, aprendido com meu pai, de que os santos se alimentam de oração é verdadeiro. Nós precisamos da oração, assim como nosso corpo precisa do alimento. Se nosso corpo pede ao menos três refeições por dia, também necessita de pelo menos três momentos cotidianos de oração. E não estamos falando de quantidade de tempo. Bastam pequenos momentos nos quais voltemos toda a nossa atenção ao Deus que nos ama e é tudo em nós.

Há momentos na vida em que o único caminho por onde podemos ir é a oração. Deus sabe de tudo aquilo de que precisamos. Mas como ele não é evasivo, espera de nós um diálogo entre amigos. Esse diálogo vale a pena. Todos temos fome de oração.

Pe. Antonio Iraildo Alves de Brito, ssp


O Domingo – Palavra

O objetivo deste periódico é celebrar a presença de Deus na caminhada do povo e servir às comunidades eclesiais na preparação e realização da Liturgia da Palavra. Ele contém as leituras litúrgicas de cada domingo, proposta de reflexão, cantos do Hinário litúrgico da CNBB e um artigo que trata da liturgia do dia ou de algum acontecimento eclesial.

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