O Domingo – Palavra
14 de outubro: 28º Domingo do Tempo Comum

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O DOM DA SABEDORIA

Certa vez, dois jovens foram abordados por policiais no interior do Brasil. Assustado com a forma autoritária dos policiais, um dos jovens disse com voz trêmula, para se defender: “Senhor, nós moramos aqui próximo, no sítio Angico”. O policial gritou: “Não me chame de senhor, me chame doutor”.

O exemplo acima não é ficção. É real. Infelizmente, há pessoas que, por ocupar cargos de alguma influência, se acham melhores do que todo o mundo. O pior é quando se aproveitam da função que ocupam para humilhar os outros. Isso é triste, porque todo serviço, como a própria palavra expressa, é para servir, desempenhar uma atividade para o bem.

De fato, não é preciso muito esforço para perceber certo espírito de superioridade ou certa mentalidade opressora que permeiam nossa realidade. Desde pessoas da política e do judiciário, até proprietários de terra e empresários, ou simplesmente por serem gente abastada, todos se intitulam doutores. Como diria o escritor sagrado: “Vaidade das vaidades” (Ecl 1,2).

A liturgia de hoje é um ensinamento para evitarmos a vaidade e escolhermos a sabedoria. A verdadeira sabedoria é pautada pela humildade. Aliás, o mais alto grau da sabedoria consiste em um coração humilde. Isso não significa ingenuidade ou falta de ação diante dos desafios da vida. É o contrário. A sabedoria não se conforma com a injustiça.

O nosso modelo de sabedoria é Jesus, que “se esvaziou de si mesmo e tomou a forma de servo” (Fl 2,7). Ele jamais se deixou enganar pelos doutores de sua época, que se consideravam melhores do que os demais. Jesus é a sabedoria perfeita, “capaz de discernir os pensamentos e intenções do coração” (Hb 4,12).

Olhemos para Jesus e, a exemplo do homem que se ajoelha diante dele (cf. Mc 10,17), também nos ajoelhemos. Porém com os joelhos do coração. Para Jesus não basta somente boa intenção. É preciso coragem para o desapego. E coragem tem que ver com o coração. Na Bíblia, o coração é o lugar das decisões, é onde a coragem encontra espaço.

A arrogância e o autoritarismo devem ser evitados e combatidos. Toda forma de autoridade é para o serviço do bem. O que deve nos inspirar na comunidade é o respeito uns pelos outros, o sentimento de que somos todos irmãos.

Pe. Antonio Iraildo Alves de Brito, ssp


O Domingo – Palavra

O objetivo deste periódico é celebrar a presença de Deus na caminhada do povo e servir às comunidades eclesiais na preparação e realização da Liturgia da Palavra. Ele contém as leituras litúrgicas de cada domingo, proposta de reflexão, cantos do Hinário litúrgico da CNBB e um artigo que trata da liturgia do dia ou de algum acontecimento eclesial.

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