O ENCONTRO COM A TERNURA
Na vida há muitos motivos de tristeza. Mas há também inúmeros motivos de alegria. Se, por um lado, a tristeza é inerente à existência, por outro, há um remédio que pode amenizar seus impactos. O remédio chama-se ternura. Para ela não há contraindicação nem risco de superdosagem.
Ternura é palavra de origem árabe, “halaqa”. Tem que ver com alisar, polir, tratar com bondade. Em latim a mesma palavra é “tener”. Significa delicado, suave. Trata-se de palavra que revoluciona a vida. Revolução não no sentido de revolta, mas de dar a volta por cima, de girar, de virar a página.
Na história há muitos exemplos de pessoas que se deixaram guiar por esse sentimento poderoso. O apóstolo Paulo é ótima referência. Sua existência experimentou uma virada histórica. Embora cheio de conhecimento e de certezas, certo dia ele se deu conta de que a vida pedia muito mais do que isso. A vida pedia o que há de mais fino no mundo: sentimentos bons.
Paulo, em verdade, não era mau. Era, sim, um homem duro, guiado por um pensamento fixo. No entanto, há tempo para cada coisa e para cada acontecimento. Certo dia, enquanto seguia seu caminho, uma luz intensa o cegou. É significativo o fato de essa luz intensa ter lhe tirado a visão. Era preciso que ele visse o invisível. E viu. Ou melhor, sentiu. Paulo encontrou o sentido.
O sentido é Jesus. Paulo encontrou o caminho, a verdade e a vida. Daquele dia em diante, a ternura tornou-se um rio em sua vida. Já não havia espaço para ódio, raiva ou rancor. Em seu coração só havia espaço para o amor. Amor que se expande para o outro. Paulo se apaixonou. Apaixonou-se não por uma ideia fixa, um partido ou um projeto. Sua paixão era uma pessoa: Jesus. Tanto assim, que chegou a dizer: “Já não sou eu que vivo; é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20). E por essa paixão deixou-se conduzir, sem jamais desanimar.
A ternura era tanta em seu coração, que, mesmo diante dos problemas e das perseguições, Paulo não perdia a alegria. Por sua paixão, sofreu fadigas, foi preso, golpeado, açoitado, apedrejado. Experimentou frequentes perigos de morte em terra, em rios, no mar, na cidade, no deserto. Perigos de ladrões e dos falsos irmãos (cf. 2Cor 11,23ss). Nem por isso deixou de amar. Seu coração se movia pela ternura, aquela mesma ternura que moveu Jesus Cristo. Quem se deixa apaixonar por Jesus nunca perde a alegria de viver.
Pe. Antonio Iraildo Alves de Brito, ssp

O objetivo deste periódico é celebrar a presença de Deus na caminhada do povo e servir às comunidades eclesiais na preparação e realização da Liturgia da Palavra. Ele contém as leituras litúrgicas de cada domingo, proposta de reflexão, cantos do Hinário litúrgico da CNBB e um artigo que trata da liturgia do dia ou de algum acontecimento eclesial.
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