
Padre Tom Viana, ssp
O dia 2 de novembro é a data em que reverenciamos nossos entes queridos que já partiram para a casa do Pai. Essa é a nossa fé. A cada ano, milhares de pessoas se dirigem para o lugar onde estão sepultados seus falecidos. Mas, afinal, por que nós, católicos, rezamos pelos mortos? Inicialmente, podemos afirmar que é porque acreditamos na comunhão dos santos. São eles que nos mostram a presença redentora de nosso Pai do céu. Rezamos pedindo sua intercessão, certos de que eles nos mostram como a misericórdia de Deus age diretamente com os que mais sofrem.
Quando olhamos para a Igreja primitiva, percebemos o papel e a intercessão dos santos, que nos aproximam de Deus, que é encarnado e não abstrato. Sabemos que há um Deus que nos protege, mas confiamos naqueles que nos auxiliam. Em todas as culturas há um culto aos ancestrais, e isso corresponde a um profundo anseio da alma humana.
Quando cultuamos nossos santos, captamos nossos anseios mais profundos, e o que dizemos para eles é semelhante ao que conversamos com nossos mortos, que já estão gozando da Páscoa definitiva. É um diálogo amoroso com aqueles que já partiram, porque pedimos para que eles, do céu, olhem por nós, agora que estão junto do Pai, e nos protejam. Nós acreditamos que eles estão em Deus e, por isso, podem também nos ajudar a sermos cada vez mais reconciliados com Ele.
Segundo Fuchs, “no amor de Deus, os mortos ficam com um coração maior do que tinham antes. Eles experienciaram a reconciliação divina consigo mesmos e com todos aqueles que com eles não procederam bem”.
Nossos falecidos são aqueles que podem continuar nos encorajando na vida. Quando rezamos a eles, estamos vendo a imagem de proteção e amor que representa o próprio Pai do céu. Eles se tornam a força auxiliadora de Deus em nossas vidas e, quando pedimos sua intercessão, estamos pedindo para que o próprio Deus nos ajude.

Não há uma receita pronta quando vivenciamos a dor de perder alguém que amamos muito. Jesus, ao se encarnar, nos ensina a importância de estar e ser presença ao lado de quem está sofrendo (cf. Lc 4,16-21). Não somos capazes de medir a dor de uma pessoa que está em luto. Não existe um especialista do luto. Cada pessoa é especialista em sua própria dor. Entretanto, é possível amenizar o sofrimento das pessoas enlutadas oferecendo compaixão, amor e esperança.
Quando perdemos um ente querido, o tempo assume outro significado. Não é mais um tempo cronológico. É atemporal. E é também uma possibilidade de viver mais plenamente a história no horizonte de seu último destino. Saber esperar no Senhor e viver responsavelmente cada ato em sua presença, compreendendo que o valor supremo de cada escolha está em agradar a Deus e santificar seu santo nome, realizando sua vontade. Segundo Carlo Martini, “olhar o mistério pascal como estatuto da vigilância cristã é afirmar que a esperança da ressurreição é o amor definitivo de Deus por nós”.
Só quem acredita na promessa de Deus revelada na Páscoa se esforça para viver no horizonte da esperança que não desilude e experimenta a alegria de se saber amado, envolvido e guardado pela Trindade Santa.
Conheça o projeto Um tom no luto

Diante do sofrimento alheio, exercite o silêncio compartilhado com aquele que sofre. Muitas vezes, nos perdemos com palavras sem sentido que terminam por fazer sofrer ainda mais quem já está com o coração partido. Silenciar significa estar presente com tudo o que somos e ajudar a dar vida àquele que sofre. Para que Deus fale em meio às tempestades, precisamos permitir que Ele se manifeste à luz do Espírito Santo. É na dor mais profunda, quando nada mais parece fazer sentido, que Deus nos dá a última palavra. A última palavra será sempre a dor e o amor.
Que, neste Dia de Finados, sua prece, seu amor, seu canto, riso e dor possam ressoar do fundo do seu coração e chegar ao mais alto dos céus para todos os seus entes queridos que já partiram. E que eles, agora no céu, nossos intercessores junto do Pai, nos ajudem, protejam e nos abençoem.
Assista ao PAULUSCast com o Padre Tom Viana, ssp, sobre o tema do luto, disponível no Youtube da PAULUS.