MARIA, SINAL DO NOVO CÉU E DA NOVA TERRA
A solenidade da Assunção é a manifestação de Deus, sempre presente na história de homens e mulheres que atendem ao seu chamado e, com generosidade, dizem “sim”. Para nós, esta solenidade é a continuação da Páscoa de Jesus e da sua ressurreição, que nos impulsiona a acreditar que a morte não tem a última palavra e a dor não é para sempre. Nosso lugar é o céu, fomos feitos para ele.
Na primeira leitura, vemos que a mulher permanece firme diante das ameaças e perseguições do dragão que, a todo custo, tenta devorar seu Filho. A resposta de Deus é sempre cumprir o que prometeu: ele não abandona seu povo. A vitória sobre o dragão – o qual se manifesta no coração humano e em toda forma de injustiça social – não é resultado da força humana, mas da ação salvadora do Senhor, que protege seu povo e cuida dos seus.
Nessa história, Maria não está separada de nós, mas confronta nossa realidade e torna-se sinal do nosso futuro. O que Deus fez em Maria é o que deseja fazer em nós. Em um mundo marcado por tantas perdas, incertezas e violência – especialmente, hoje, contra a mulher, desembocando, não raro, no feminicídio –, esta verdade traz esperança: fomos criados para a vida plena, para a comunhão com Deus.
Se o pecado traz a morte, a esperança traz ressurreição. A carta de Paulo insiste no fato de que todo cristão tem, como norte de salvação, a ressurreição de Jesus. Nossa fé se baseia nessa verdade. Por isso, a assunção de Maria também está inteiramente ligada a esse evento. Como Mãe, ela conheceu o peso da fidelidade por meio do martírio da alma e do coração, solidária que foi ao seu Filho na cruz.
O Evangelho ressalta algo que parece ter perdido sentido neste mundo: a esperança. É ela que, em nossas batalhas diárias, nos ajuda a acreditar na vitória do amor. Com atenção, meditemos o Magnificat, canto de todos aqueles que compreendem a ação de Deus na sua vida. Nossa Senhora proclama que Deus não é apático, mas vê, escuta, age e interfere na história. Viver esse Evangelho hoje significa, antes de tudo, abrir os olhos para os que estão à margem – os pobres, os esquecidos, os que não têm voz. Maria nos ensina que a verdadeira fé não é neutra: ela se inclina para os pequenos.
O cântico de Maria também nos ajuda a sonhar com a terra que Deus deseja para nós. Recorda que fomos criados para uma vida de amor já no presente. Também para nós, a vida elevada aos céus por Deus não é um prêmio a ser recebido no futuro, mas um dom de amor do Pai. Quem vive como Maria, encontra, nesta terra, um gosto do céu. A Mãe de Jesus, portanto, hoje nos convida a cantar aquilo que Deus já começou a realizar e que um dia será pleno: um mundo reconciliado, onde não haverá mais dor, nem exclusão, nem desigualdade – o advento daquilo que a Escritura chama de “novo céu e nova terra”.
Aldreson de Almeida
Cooperador paulino

O objetivo deste periódico é celebrar a presença de Deus na caminhada do povo e servir às comunidades eclesiais na preparação e realização da Liturgia da Palavra. Ele contém as leituras litúrgicas de cada domingo, proposta de reflexão, cantos do Hinário litúrgico da CNBB e um artigo que trata da liturgia do dia ou de algum acontecimento eclesial.
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