FAZER A OFERTA DO PRÓPRIO CORAÇÃO
O evangelho de hoje fala de uma viúva pobre que ofereceu no templo apenas duas pequeninas moedas, alguns centavos, mas mesmo assim foi elogiada por Jesus. Olhar para essa viúva é boa ocasião para pensarmos no modo como participamos de nossa comunidade. Como estamos ofertando?
Não se trata da quantidade de dinheiro, mas da disposição do nosso coração, do modo como nos dedicamos ao serviço do Senhor. Muitos pais não dão atenção aos filhos, mas arcam com todos os seus gastos e acham que com isso já cumprem seu dever principal. Pode acontecer que na comunidade nos comportemos do mesmo modo: damos o nosso dízimo, fazemos doação para as festas, colocamos notas de alto valor nas cestinhas de oferta, achando que com isso cumprimos a obrigação. Mas a Igreja não é um clube ou condomínio, onde aqueles que pagam as taxas cumprem sua função. Para participar bem, é preciso fazer tudo em sintonia com Deus, com espírito de piedade e humildade.
Assim, além da colaboração material, é preciso pensar se ajudamos também com nossa presença nas reuniões, nos trabalhos em grupo, tendo consciência de que somos chamados a dar a nossa contribuição, seja em dinheiro, seja executando uma tarefa, como um serviço ao Senhor e aos irmãos. E o serviço que o Senhor quer de nós é a entrega da vida, do coração. Assim, não é adequado fazer as coisas buscando o reconhecimento humano, elogios e recompensas. É claro que é importante também saber elogiar, reconhecer o bem que os outros fazem, ser agradecidos. Mas isso não significa que devemos fazer as coisas esperando o elogio alheio. Cabe-nos fazer o melhor e, no fim de tudo, dizer: somos simples servos, fizemos a nossa obrigação.
Deus espera que nos entreguemos sem reservas, como fez Maria, a mãe de Jesus. Por intercessão dela, peçamos a graça de viver a entrega. De entregar-nos nas mãos de Deus, a ponto de tornarmos verdade em nós as palavras do bem-aventurado Charles de Foucauld, na chamada oração do abandono: “Nas tuas mãos entrego a minha vida. Eu a dou a ti, meu Deus, com todo o amor do meu coração, porque te amo e é para mim uma necessidade de amor dar-me, entregar-me nas tuas mãos sem medida, com confiança infinita, pois tu és meu Pai”.
Pe. Claudiano Avelino dos Santos, ssp

O objetivo deste periódico é celebrar a presença de Deus na caminhada do povo e servir às comunidades eclesiais na preparação e realização da Liturgia da Palavra. Ele contém as leituras litúrgicas de cada domingo, proposta de reflexão, cantos do Hinário litúrgico da CNBB e um artigo que trata da liturgia do dia ou de algum acontecimento eclesial.
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