O SENTIDO DA VIDA
Há um tipo de correria na vida que esvazia a existência. Todos os dias um corre-corre de homens e mulheres em busca de sabe-se lá o quê, fatigados e oprimidos pelo sistema que dita o consumo. Com isso os dias passam e o pouco tempo restante não favorece o descanso restaurador, o lazer necessário e a convivência familiar. Daí a vida se transforma num vendaval, sacudida pelas crises financeiras, profissionais e familiares. O evangelho de hoje nos chama a atenção para o risco de uma vida sem sentido.
O sentido da vida é Jesus. “É, esta frase está batida”,alguém poderia dizer. Sim, a frase poderia estar “batida” se estivéssemos falando de um Jesus fabricado, feito mercadoria nas vitrinas dos shoppings, pronto para hipnotizar nossos olhos sedentos de sentido. Jesus não hipnotiza, ele seduz. Seu amor é profundo, necessário e duradouro. É desse amor que o coração humano tanto necessita. A alma humana tem sede do eterno. Quando o poeta declamou “que o amor seja eterno enquanto dure”, ensinava que o amor de verdade é eterno. O fugaz, o passageiro, os superficiais podem receber outro nome, não o amor.
É o amor de Jesus que preenche nosso ser, dá sentido, inspira, impulsiona; faz-nos ser felizes. Felizes apesar do sofrimento. Sim, o amor não nos imuniza contra o sofrimento. Quem ama padece. Não um padecimento de desespero, mas um que abre horizontes de possibilidades, horizontes de sentido. O amor abre caminhos.
Jesus é o amor. Por isso não é um amor de ideias, nas nuvens, distante da vida. Jesus é o amor-pessoa. Nosso encontro íntimo com ele nos possibilita experimentar na vida a alegria verdadeira. Fiel ao projeto do Pai, Jesus passou pelo mundo fazendo o bem. A todos. Também nós somos chamados a fazer o mesmo. E quando a cruz pesar sobre nós, aquela mesma confiança deve brotar do fundo de nossa alma: “Em tuas mãos, Senhor, entrego meu espírito”.
Portanto, a narrativa sobre Marta e Maria ensina que o sentido da vida está muito além de um cotidiano marcado pela correria sem reflexão. Embalados pelos slogans da “era da rapidez”, “da velocidade”, “da instantaneidade”, somos condicionados a correr sem noção nenhuma de aonde chegaremos. Há a necessidade de sentarmos com Jesus, ouvirmos sua palavra e caminharmos com ele nas estradas da vida. Todos somos um pouco de Marta e um pouco de Maria. O desafio é integrar as duas partes. Nas agitações da vida, Jesus é a calmaria que enche nossa vida de sentido. O Espírito Santo nos ajude a escolher a melhor parte. Tudo passa, a palavra do Mestre permanece em nosso coração.
Pe. Antonio Iraildo Alves de Brito, ssp

O objetivo deste periódico é celebrar a presença de Deus na caminhada do povo e servir às comunidades eclesiais na preparação e realização da Liturgia da Palavra. Ele contém as leituras litúrgicas de cada domingo, proposta de reflexão, cantos do Hinário litúrgico da CNBB e um artigo que trata da liturgia do dia ou de algum acontecimento eclesial.
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