O Domingo – Palavra
16 de junho – 11º DOMINGO COMUM

“UM CERTO FARISEU”

Jesus é convidado por um fariseu, Simão, para partilhar da mesa e da refeição em sua casa. Sem dúvida, o fariseu viu em Jesus algo que lhe despertava a curiosidade. Mas quem eram os fariseus? Eram homens que se dedicavam ao estudo da Lei do Senhor e cumpriam rigorosamente a Lei em todos os campos e situações da vida cotidiana.
É possível até imaginar aquele momento. Todos sentados em volta da mesa. De repente, aparece a figura de uma mulher, que se atreve a apresentar-se diante da pessoa de Jesus. Com semelhante atitude, essa mulher não só quebra todas as regras de etiqueta, intrometendo-se onde não é chamada nem desejada, como também tem a ousadia de invadir a paz da casa de um fariseu, tornando-a, segundo os preceitos legais, impura. Naquele momento, Jesus perde sua dignidade de profeta aos olhos do fariseu que o havia convidado: “Se esse homem fosse mesmo um profeta – enviado de Deus –, saberia que tipo de mulher está tocando nele, porque ela é uma pecadora” (Lc 7,39).
Mas, como bom sábio, Jesus faz uso de um método por nós muito conhecido, “o método socrático”, com o objetivo de chegar a uma conclusão acertada, fazendo uso de boa argumentação. Em vez de corrigir diretamente o fariseu, convida-o a sair de sua ignorância e reconhecer que, no fim, maior pecador é quem se julga perfeito, auto suficiente, tão puro que não consegue enxergar o próprio egoísmo. Quem não busca sair de si mesmo não consegue descobrir uma nova realidade.
Mas por que Jesus procede dessa forma com o fariseu? Porque este não se vê como pecador e assim assume uma atitude de julgador da mulher. Também porque o anfitrião, com essa postura, se revela incapaz de entender e experimentar o perdão e o amor misericordioso de Deus. Então cabe a Jesus mostrar que a justiça do Pai se manifesta por meio do amor que perdoa os pecados e transforma a realidade da pessoa. Desta forma, o amor torna-se sinal do perdão recebido.
Tendo como ponto de partida a pessoa do fariseu, podemos nos questionar: será que nos lembramos, em nosso cotidiano, de convidar Jesus para entrar em nossa vida e ficar conosco? Se isso não ocorre, qual será o motivo? Lembremo-nos: sempre é tempo para começar!

Jorge Alves Luiz, ssp


O Domingo – Palavra

O objetivo deste periódico é celebrar a presença de Deus na caminhada do povo e servir às comunidades eclesiais na preparação e realização da Liturgia da Palavra. Ele contém as leituras litúrgicas de cada domingo, proposta de reflexão, cantos do Hinário litúrgico da CNBB e um artigo que trata da liturgia do dia ou de algum acontecimento eclesial.

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