Por Comunicação PAULUS Social
Nas manhãs dos dias 6, 7, 8 e 9 de outubro, realizou-se a formação online com o tema “Articulação Territorial e Intersetorialidade na Prática”, voltada para trabalhadores de Salvador (BA). O evento ocorreu em parceria com a Secretaria de Promoção Social, Combate à Pobreza, Esportes e Lazer (SEMPRE). A facilitadora Aline Figueiredo — assistente social e pedagoga — apresentou os conceitos de território e os tipos de rede, além de diversas estratégias de mobilização e de articulação com os atores que compõem a rede socioassistencial.
Durante o encontro, destacou-se que o território é vivo e dinâmico; por isso, conhecer os serviços nele instalados não significa, necessariamente, conhecer o território em si, o qual se constitui pelo conjunto de histórias e relações entre as redes locais. Para ilustrar essa dinâmica, Aline apresentou o material “Cartografia das Memórias”, que compila o olhar da população de bairros de São Paulo sobre os lugares onde vivem — incluindo do que gostam ou não —, servindo como proposta para atividades coletivas nos serviços.
A facilitadora ressaltou, ainda, que a rede não deve englobar apenas os serviços públicos, mas também os pontos de apoio comunitários, tais como instituições religiosas, lideranças locais, associações de bairros, movimentos populares e projetos sociais. Dessa forma, ampliou-se o olhar para as redes informais e comunitárias, integrando-as às redes formais de serviços e às intersetoriais.
Ao longo do processo formativo, os participantes dividiram-se em pequenos grupos para refletir sobre as proteções, as desproteções e as potências dos territórios atendidos, bem como sobre o mapeamento da rede, os fluxos e protocolos já definidos e as responsabilidades compartilhadas no atendimento eficaz às demandas das famílias. Debateu-se também a necessidade de institucionalizar as redes para evitar a personificação das ações em profissionais específicos. Afinal, acionar e articular serviços apenas em momentos de emergência não configura trabalho em rede, mas sim um mero socorro. Na prática, a rede se constitui pela soma de responsabilidades compartilhadas e pactuadas, e não pela simples contagem de serviços disponíveis no território.
Discutiu-se coletivamente a realidade de Salvador quanto ao nível de atuação das redes existentes, à periodicidade das reuniões e ao monitoramento das situações compartilhadas. Abordou-se, de igual modo, a padronização de fluxos e a identificação de atores municipais, regionais ou estaduais que ainda precisam ser alcançados para que se garanta uma atenção integral às famílias — superando a fragmentação, a sobreposição de ações e as intervenções descoordenadas.
Em seguida, propôs-se uma atividade individual na qual os participantes escolheram uma situação complexa de atendimento, posicionando a família no centro do diagrama para mapear a rede envolvida e a intensidade das conexões (escala de forte a ausente). Essa dinâmica viabilizou a análise de quais conexões precisavam ser fortalecidas prioritariamente. Por fim, foram apresentadas ferramentas digitais para identificação de serviços no território, como o My Maps e o Google Earth, que permitem incluir dados e visualizar ruas e locais detalhadamente, evidenciando inclusive barreiras de acesso. Os participantes pontuaram que Salvador já dispõe de uma ferramenta própria de mapeamento territorial que facilita o compartilhamento dessas informações.
E assim, as atividades, as reflexões coletivas e os modelos apresentados de monitoramento e mapeamento serviram de suporte para que os profissionais relacionassem a teoria à sua prática, aplicando esses conhecimentos no aprimoramento das redes locais e, consequentemente, no fortalecimento da proteção social das famílias atendidas.
O Programa InovaSUAS qualifica trabalhadores do SUAS, conselheiros de assistência social e de direitos, gestores, usuários e lideranças representativas da rede socioassistencial com até 360 horas de formação para aprimorar as formas de gestão, procedimentos e acessos a direitos sociais, utilizando práticas inovadoras e conteúdos adequados às realidades dos territórios. O programa mantém também, em seu escopo de atuação metodológica, a produção de estudos e a disseminação de conteúdos de interesse do público da assistência social.