{"id":56215,"date":"2021-06-09T13:51:13","date_gmt":"2021-06-09T16:51:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paulus.com.br\/portal\/?p=56215"},"modified":"2021-06-09T13:51:13","modified_gmt":"2021-06-09T16:51:13","slug":"28-livro-do-eclesiastes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paulus.com.br\/portal\/28-livro-do-eclesiastes\/","title":{"rendered":"28. Livro do Eclesiastes"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O livro do Eclesiastes em hebraico recebe o nome de Qohelet, aportuguesado Co\u00e9let, que significa assembleia ou reuni\u00e3o. Eclesiastes, por sua vez, deriva do grego ekklesia, passando para o latim ecclesia, que significa igreja ou assembleia.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">O autor, provavelmente um judeu palestinense, se apresenta com o nome de \u201cCo\u00e9let, filho de Davi, rei em Jerusal\u00e9m\u201d (1,1). O filho de Davi, rei em Jerusal\u00e9m, foi Salom\u00e3o. Portanto, ele se considera Salom\u00e3o o mais s\u00e1bio de todos os reis de Israel e o patrono da sabedoria. Por isso, Salom\u00e3o foi visto como o autor do livro. Sabemos, por\u00e9m, que a reda\u00e7\u00e3o final do livro foi feita muitos anos depois de Salom\u00e3o. O livro surgiu, por volta de 250 a.C.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com frequ\u00eancia, o autor do livro foi visto como pessimista por causa de suas reflex\u00f5es cr\u00edticas e realistas. O livro surgiu no tempo da domina\u00e7\u00e3o grega, que cobrava altos tributos. O povo tinha de trabalhar muito para pagar impostos. O autor encara essa situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil em que o povo vivia, trabalhava bastante e n\u00e3o aproveitava o resultado do esfor\u00e7o. Ele n\u00e3o se conforma quando constata a presen\u00e7a da injusti\u00e7a onde deveria haver a justi\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Era tempo dif\u00edcil, principalmente para o povo do campo, que n\u00e3o mais produzia apenas para sobreviver, mas tinha de produzir para vender e exportar para poder pagar os tributos, que eram cobrados em moedas. Com isso, aumenta a dist\u00e2ncia entre os pequenos propriet\u00e1rios e a elite. Muitos endividados vendiam-se como escravos.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Co\u00e9let \u00e9 um s\u00e1bio preocupado em levar o povo a refletir sobre a vida e questiona a situa\u00e7\u00e3o de pobreza. Ele \u00e9 um rebelde que n\u00e3o se utiliza da viol\u00eancia e contesta sem arrog\u00e2ncia. Os reinos v\u00e3o se sucedendo (persa, babil\u00f4nio, grego), mas cad\u00ea a melhoria de vida do povo? Diante da incerteza do amanh\u00e3, o autor prop\u00f5e viver os momentos felizes do presente: comer e beber com alegria.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro procura questionar o modo de vida dos gregos, que valorizavam o corpo, o prazer, a riqueza e o poder. Segundo Co\u00e9let, o verdadeiro sentido da vida e da felicidade n\u00e3o est\u00e1 nisso. Tudo isso \u00e9 passageiro, vaidade e ilus\u00e3o, palavra repetida muitas vezes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O autor prop\u00f5e resistir contra a cultura grega e procura desmascarar a opress\u00e3o dos gregos.\u00a0 Onde encontrar a felicidade se n\u00e3o est\u00e1 no prazer, na riqueza e no poder? A felicidade consiste em viver com simplicidade do fruto do pr\u00f3prio trabalho. A\u00ed est\u00e1 a chave da felicidade. O livro pode ser dividido em duas partes.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Primeira parte (1-6): As ilus\u00f5es da vida: Essa parte est\u00e1 organizada em torno da quest\u00e3o: \u201cque lucro tem o ser humano em todo o duro trabalho com que se cansa debaixo do sol?\u201d (1,3). Essa pergunta \u00e9 como que o fio condutor do livro todo. Repete frequentemente como um refr\u00e3o a express\u00e3o: \u201cilus\u00e3o e corrida atr\u00e1s do vento\u201d. A partir da\u00ed pode surgir a seguinte quest\u00e3o: que lucro tem o trabalhador com seus cansa\u00e7os? Para ele o sentido e a felicidade consistem em usufruir do pr\u00f3prio trabalho. Em poucas palavras, o livro \u00e9 uma cr\u00edtica ao helenismo que via a felicidade nos prazeres da vida. Tudo pode se tornar \u201cvaidade\u201d quando n\u00e3o se encontra um sentido para a vida ou quando \u00e9 roubado o direito de ter uma vida digna e com sentido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segunda parte: A relatividade dos bens (7-12): A segunda parte continua as reflex\u00f5es sobre o que \u00e9 melhor para a vida da pessoa. Mesmo n\u00e3o compreendendo o futuro, o autor apresenta alguns aspectos que podem caracterizar a vida s\u00e1bia: ser pessoa honrada, ter consci\u00eancia do sofrimento, do fim que iguala a todos: a morte. Ela nivela a todos, tudo relativiza. Nesta parte, trata da sabedoria e suas rela\u00e7\u00f5es com a justi\u00e7a, a mulher, o poder, o destino humano. Continua afirmando que a sa\u00edda para encontrar a felicidade \u00e9 usufruir do pr\u00f3prio trabalho. Por outro lado, \u00e9 necess\u00e1rio o pr\u00f3prio empenho enquanto jovem.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">O autor encara a vida humana em seus diversos aspectos e v\u00ea que muita ambi\u00e7\u00e3o e cobi\u00e7a s\u00e3o ilus\u00f5es. O ser humano precisa aceitar os pr\u00f3prios limites, sem querer se igualar a Deus.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O livro do Eclesiastes em hebraico recebe o nome de Qohelet, aportuguesado Co\u00e9let, que significa assembleia ou reuni\u00e3o. Eclesiastes, por sua vez, deriva do grego ekklesia, passando para o latim ecclesia, que significa igreja ou assembleia. 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