{"id":54826,"date":"2021-03-16T13:47:05","date_gmt":"2021-03-16T16:47:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paulus.com.br\/portal\/?p=54826"},"modified":"2021-03-16T13:47:05","modified_gmt":"2021-03-16T16:47:05","slug":"25-livro-de-jo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paulus.com.br\/portal\/25-livro-de-jo\/","title":{"rendered":"25. Livro de J\u00f3"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O livro de J\u00f3 \u00e9 considerado a obra-prima da literatura sapiencial. \u00c9 dif\u00edcil determinar a data e a autoria desse livro. Provavelmente \u00e9 fruto de diversos autores e escrito ao longo de v\u00e1rios s\u00e9culos. A reda\u00e7\u00e3o final se deu por volta do s\u00e9culo 4\u00ba AC. O autor final se inspirou na narrativa de um conto antigo de um homem paciente e submisso, mas que se rebela contra os amigos, que o acusam de infidelidade.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Podemos distinguir tr\u00eas partes do livro de J\u00f3: 1) O pr\u00f3logo (1-2): Parte em prosa, apresenta J\u00f3 homem feliz, piedoso e rico, repentinamente \u00e9 atingido por calamidades e perde a sa\u00fade, os bens e a fam\u00edlia, mas permanece fiel a Deus. Essa introdu\u00e7\u00e3o revela um \u201cJ\u00f3 paciente\u201d. 2) O corpo do livro (3,1-42,6): Obra-prima da literatura sapiencial, apresenta um \u201cJ\u00f3 rebelde\u201d, que n\u00e3o se conforma com suas desgra\u00e7as. A maior parte descreve diversos discursos em forma de di\u00e1logo entre J\u00f3 e os \u201camigos\u201d, que querem convenc\u00ea-lo de que suas desgra\u00e7as \u00e9 castigo de Deus por causa de seus pecados. 3) Ep\u00edlogo (42,7-17): Deus aparece dialogando com J\u00f3, defendendo-o e censurando os tr\u00eas amigos. J\u00f3 recobre novamente a sa\u00fade, os bens e os novos filhos. O pr\u00f3logo e o ep\u00edlogo formam como que a moldura do livro e as duas partes s\u00e3o escritas em prosa.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">O miolo do livro (3,1-42,6) re\u00fane diversos mon\u00f3logos e discursos de J\u00f3 e dos tr\u00eas amigos, Elifaz, Baldad e Sofar. Nesses mon\u00f3logos, J\u00f3 aparece revoltado contra sua situa\u00e7\u00e3o de desgra\u00e7a (3) e descreve uma medita\u00e7\u00e3o sobre seu passado feliz e o sofrimento presente (29-31). Os cap\u00edtulos (4-27) trazem os tr\u00eas amigos, tomando a palavra e acusando J\u00f3. S\u00e3o tr\u00eas ciclos de discursos: os amigos condenando e J\u00f3 se defendendo. Por fim, interv\u00e9m um quarto amigo, Eli\u00fa (32-37), que confirma as declara\u00e7\u00f5es e as acusa\u00e7\u00f5es dos outros tr\u00eas amigos. No final dessa parte (38,1-42,6), Deus toma a palavra e for\u00e7a J\u00f3 ao sil\u00eancio. Por sua vez, J\u00f3 conclui com a bonita frase referindo-se a Deus: \u201cEu te conhecia s\u00f3 de ouvido. Mas agora meus olhos te veem\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro de J\u00f3 \u00e9 um questionamento sobre o sofrimento humano e uma contesta\u00e7\u00e3o da teologia oficial do templo que compreendia Deus como um justiceiro. A trag\u00e9dia na vida das pessoas e de muitas fam\u00edlias n\u00e3o pode ser vista como castigo de Deus, pois ele n\u00e3o deseja a desgra\u00e7a para ningu\u00e9m. Por outro lado, o sofrimento permitiu a J\u00f3 passar da religiosidade tradicional, isto \u00e9, da teologia da prosperidade, defendida pelos \u201camigos\u201d, para uma profunda experi\u00eancia de f\u00e9. Os tr\u00eas amigos, que pretendem defender a Deus, acabam falando mal de Deus; J\u00f3, que criticou Deus o tempo todo, por causa do seu sofrimento, falou corretamente de Deus. Isso significa que a rebeldia de J\u00f3, por causa de sua situa\u00e7\u00e3o de dor, foi aprovada por Deus, pois este n\u00e3o se alegra com o sofrimento das pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 comum ver J\u00f3 como um homem resignado, paciente. Foi visto como justo, que permaneceu fiel a Deus mesmo diante de prova\u00e7\u00f5es e perdas. Seus \u201camigos\u201d queriam convenc\u00ea-lo de que seu sofrimento \u00e9 fruto dos seus pecados, isso se chama \u201cteologia da retribui\u00e7\u00e3o\u201d, Deus retribui a cada um de acordo com sua conduta. J\u00f3 paciente \u00e9 o assunto do pr\u00f3logo (1-2), apresentado como homem ideal, moralmente perfeito. Ele perde suas posses; depois, os filhos; por fim, \u00e9 ferido com chagas. Tudo isso n\u00e3o \u00e9 consequ\u00eancia de suas infidelidades.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Baseados na mentalidade da \u00e9poca, os \u201camigos\u201d de J\u00f3 procuram provar que sa\u00fade, vida longa, honra e descend\u00eancia s\u00e3o sinais da b\u00ean\u00e7\u00e3o de Deus; e doen\u00e7a e pobreza s\u00e3o maldi\u00e7\u00f5es divinas. Diante disso, o movimento dos pobres e doentes reage, mostrando que a situa\u00e7\u00e3o deles n\u00e3o \u00e9 desejo de Deus como pregava a religi\u00e3o oficial da \u00e9poca. O livro de J\u00f3 contesta essa religi\u00e3o e elabora nova teologia, a partir do pobre e da mis\u00e9ria. A \u201creligi\u00e3o de Jav\u00e9\u201d nasceu em meio a lutas dos hebreus por liberdade contra a tirania do fara\u00f3 e dos reis cananeus. Os \u201camigos\u201d de J\u00f3 pensam conhecer a Deus, mas \u00e9 J\u00f3 quem faz a experi\u00eancia do Deus vivo.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">O grito de J\u00f3 \u00e9 o grito de todo ser humano diante da dor, da mis\u00e9ria e da injusti\u00e7a. No grito de J\u00f3 est\u00e1 o grito do pobre que clama por justi\u00e7a, do justo que procura ser fiel a Deus, do perseguido que procura pautar sua vida pela \u00e9tica e pela f\u00e9.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O livro de J\u00f3 \u00e9 considerado a obra-prima da literatura sapiencial. \u00c9 dif\u00edcil determinar a data e a autoria desse livro. Provavelmente \u00e9 fruto de diversos autores e escrito ao longo de v\u00e1rios s\u00e9culos. A reda\u00e7\u00e3o final se deu por volta do s\u00e9culo 4\u00ba AC. O autor final se inspirou na narrativa de um conto [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":16,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[356],"tags":[],"class_list":["post-54826","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-colunista"],"acf":[],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.paulus.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54826","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.paulus.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.paulus.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paulus.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/16"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paulus.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=54826"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.paulus.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54826\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":54827,"href":"https:\/\/www.paulus.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54826\/revisions\/54827"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.paulus.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=54826"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paulus.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=54826"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paulus.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=54826"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}