{"id":51191,"date":"2020-05-07T13:53:25","date_gmt":"2020-05-07T16:53:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paulus.com.br\/portal\/?p=51191"},"modified":"2020-05-07T14:07:42","modified_gmt":"2020-05-07T17:07:42","slug":"o-que-a-liturgia-nao-e","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paulus.com.br\/portal\/o-que-a-liturgia-nao-e\/","title":{"rendered":"O que a liturgia n\u00e3o \u00e9"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Sempre que buscamos conhecer algo nos esfor\u00e7amos para compreen\u00adder em qu\u00ea aquilo consiste, sua origem, seu objetivo etc. Mas se quisermos conhecer bem, devemos entender o que esse algo, definitivamente, n\u00e3o \u00e9. Assim, temos bem estabelecidos os limites dentro dos quais nos moveremos em nossa busca por conhecimento.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao falar de liturgia, n\u00e3o poderia ser diferente. Temos v\u00e1rias defini\u00e7\u00f5es e certamente nos deteremos em algumas delas em outros textos. Mas nesse primeiro momento consideramos importante perceber aquilo que a liturgia n\u00e3o \u00e9. Pode parecer uma mera escolha da parte de quem escreve, mas s\u00f3 parece. A experi\u00eancia em diversas comunidades, seja tomando parte nas atividades, seja auxiliando na forma\u00e7\u00e3o, nos leva a afirmar que muitos dos fi\u00e9is que participam de nossas celebra\u00e7\u00f5es, como tamb\u00e9m muitos que d\u00e3o a sua contribui\u00e7\u00e3o, t\u00eam uma ideia equivocada de liturgia.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma ideia que \u00e9 preciso abandonar \u00e9 a que reduz a liturgia a mero ritualismo. Para muitas pessoas, falar de liturgia \u00e9 discutir aquilo que \u201cpode ou n\u00e3o pode\u201d; se algo deve ser feito \u201cassim ou de outro modo\u201d. N\u00e3o negamos a relev\u00e2ncia das rubricas e indica\u00e7\u00f5es que nos dizem como organizar as nossas celebra\u00e7\u00f5es. Elas s\u00e3o, sim, necess\u00e1rias. Mas n\u00e3o s\u00e3o fim em si mesmas. A liturgia \u00e9, sem d\u00favidas, muito mais rica e abrangente do que qualquer conjunto de regras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O papa Pio XII na sua famosa enc\u00edclica Mediator Dei (documento fundamental para se entender a liturgia em sua evolu\u00e7\u00e3o) afirma categoricamente:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o t\u00eam, pois, no\u00e7\u00e3o exata da sagrada liturgia aqueles que a consideram como parte somente externa e sens\u00edvel do culto divino ou como cerimonial decorativo; nem se enganam menos aqueles que a consideram como mero conjunto de leis e preceitos com que a hierarquia eclesi\u00e1stica ordena a realiza\u00e7\u00e3o dos ritos (n. 22).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o podemos reduzir as nossas celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas a mera apar\u00eancia. Participar, por exemplo, da Missa n\u00e3o significa apenas realizar tudo o que est\u00e1 escrito no Missal. Al\u00e9m disso, \u00e9 necess\u00e1ria a disposi\u00e7\u00e3o interior de quem toma parte na celebra\u00e7\u00e3o. Sem essa, ser\u00e1 simples ritualismo. Quantas vezes, ao prepararmos uma celebra\u00e7\u00e3o, nos perguntamos sobre o que podemos fazer para favorecer essa \u00edntima participa\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is? Para n\u00f3s, infelizmente, a liturgia continua sendo um \u201ccerimonial decorativo\u201d ou \u201cmero conjunto de leis e preceitos\u201d.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se trata de relativizar os gestos e ritos em nossas liturgias, pelo contr\u00e1rio. Para celebrar bem devemos ter conhecimento daquilo que estamos fazendo. \u00c9 importante a compreens\u00e3o &#8211; no seu sentido mais profundo &#8211; dos ritos que realizamos durante as celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas. Mas n\u00e3o pode ser do mesmo modo como utilizamos um manual de instru\u00e7\u00f5es de um aparelho eletr\u00f4nico. O mist\u00e9rio celebrado \u00e9, para n\u00f3s, sempre muito mais importante do que as media\u00e7\u00f5es que nos servem para a sua celebra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sempre que buscamos conhecer algo nos esfor\u00e7amos para compreen\u00adder em qu\u00ea aquilo consiste, sua origem, seu objetivo etc. Mas se quisermos conhecer bem, devemos entender o que esse algo, definitivamente, n\u00e3o \u00e9. Assim, temos bem estabelecidos os limites dentro dos quais nos moveremos em nossa busca por conhecimento. 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