{"id":47705,"date":"2019-11-01T00:01:53","date_gmt":"2019-11-01T03:01:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paulus.com.br\/portal\/?p=47705"},"modified":"2019-11-05T15:04:03","modified_gmt":"2019-11-05T18:04:03","slug":"servir-a-beleza-do-misterio-da-liturgia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paulus.com.br\/portal\/servir-a-beleza-do-misterio-da-liturgia\/","title":{"rendered":"Servir \u00e0 beleza do mist\u00e9rio da liturgia"},"content":{"rendered":"<p>Nossa reflex\u00e3o de hoje partir\u00e1 de um ensinamento do Papa Pio XII que em sua Enc\u00edclica <em>Mediator Dei<\/em> &#8211; sobre a Sagrada Liturgia \u2013 nos escreveu assim: <em>\u201curge verdadeiramente que os fi\u00e9is participem das sagradas cerim\u00f4nias n\u00e3o como espectadores mudos e estranhos, mas penetrados, intimamente, da beleza da liturgia\u201d<\/em> (177). \u00c9, pois, sobre essa Beleza Divina que hoje queremos refletir, pois atrav\u00e9s dela, Deus vem ao nosso encontro todos os dias, especialmente na celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia, onde o Mist\u00e9rio se faz presente e ilumina com sentido e beleza toda a nossa exist\u00eancia, nosso servi\u00e7o, nossa miss\u00e3o. A liturgia \u00e9 de fato, o meio mais belo e extraordin\u00e1rio pelo qual Cristo Redentor dos homens, uma vez morto e ressuscitado, compartilha sua vida conosco, tornando-nos parte de Seu Corpo como membros vivos e nos fazendo participar de Sua beleza.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li><strong> A CELEBRA\u00c7\u00c3O DA DIVINA BELEZA ESCONDIDA E REVELADA NOS SACRAMENTOS.<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica nos ensina que \u201ccada Celebra\u00e7\u00e3o Sacramental &#8211; e isto \u00e9, a Liturgia &#8211; \u00e9 um lugar privilegiado de ORA\u00c7\u00c3O, do nosso ENCONTRO pessoal com o Mist\u00e9rio da Trindade\u201d (1153). Para compreendermos a profundidade dessa rela\u00e7\u00e3o entre mist\u00e9rio e celebra\u00e7\u00e3o sacramental, precisamos nos recordar que o \u201cSACRAMENTO\u201d &#8211; em seu sentido crist\u00e3o mais amplo e antigo \u2013 se refere \u00e0 revela\u00e7\u00e3o do \u201cMIST\u00c9RIO\u201d eterno e oculto em Deus. Em grego \u201c<em>mysterion<\/em>\u201d est\u00e1 ligado originariamente ao culto; indica o fechamento dos olhos ou da boca diante da experi\u00eancia que n\u00e3o se pode formular em palavras. MIST\u00c9RIO \u00e9, portanto, a \u00fanica palavra que podemos articular para falar da realidade divina e invis\u00edvel. Juntas, estas duas palavras, \u201cmist\u00e9rio e sacramento\u201d, se referem \u00e0 dupla dimens\u00e3o de uma Beleza \u201cescondida e revelada\u201d do plano de Deus para a humanidade. Como isso \u00e9 poss\u00edvel? \u201cOs sacramentos revelam os mist\u00e9rios espirituais por meio de sinais vis\u00edveis, com os quais os crist\u00e3os podem experimentar a presen\u00e7a de Deus\u201d (YOUCAT p\u00e1g 104). E \u00e9 isso que torna a Beleza da Liturgia fascinante, atraente, redentora.<\/p>\n<p>Mas o que, \u00e9 no fundo, a Liturgia? O que acontece nela? Que esp\u00e9cie de realidade encontramos ai? Pois bem, na tentativa de encontrarmos as respostas para essas e outras perguntas, vamos explorar, em primeiro lugar, o pr\u00f3prio conceito de Liturgia a partir da sua etimologia. Se abrirmos o Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica, poderemos ler que <em>\u201coriginariamente, a palavra \u00abliturgia\u00bb formada por leiton (povo) e ergon (obra, a\u00e7\u00e3o), significa \u00abobra p\u00fablica\u00bb, \u00abservi\u00e7o por parte dele em favor do povo\u00bb. Na tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3, quer dizer que o povo de Deus toma parte na \u00abobra de Deus\u00bb\u201d <\/em>(CIC 1069). De outro modo podemos dizer que a partir da etimologia e da Teologia crist\u00e3 que tomou este voc\u00e1bulo do mundo grego, <strong>a Liturgia \u00e9 obra de Deus, e consequentemente obra de Cristo<\/strong> (CIC 1072), da qual a Igreja participa celebrando o seu Mist\u00e9rio Pascal. Parece complicado? Veremos que n\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>Quando a Igreja nos ensina que a Liturgia \u00e9 obra de Deus, com isso ela est\u00e1 nos indicando que o primado de toda a\u00e7\u00e3o lit\u00fargica \u00e9 d\u2019Ele, que \u00e9 Ele quem toma a iniciativa, quem nos precede no amor (I Jo 4,10). Esta Bela Obra \u00e9 de Deus porque \u00e9 Ele quem age primeiro em favor da nossa reden\u00e7\u00e3o. \u00c9 na Liturgia que vemos claramente que \u201c<em>quando algu\u00e9m d\u00e1 um pequeno passo em dire\u00e7\u00e3o a Jesus, descobre que Ele j\u00e1 aguardava de bra\u00e7os abertos a sua chegada<\/em>\u201d (Evangelii Gaudium 3). Por isso, toda celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica \u00e9 na terra por excel\u00eancia o lugar do belo encontro entre Deus e o homem.<\/p>\n<p>Em uma de suas catequeses em outubro de 2012, o Papa Bento XVI de forma t\u00e3o profunda nos ensinou que a liturgia \u201c<em>\u00e9 o ato no qual cremos que Deus entra na nossa realidade e n\u00f3s podemos encontr\u00e1-Lo e toc\u00e1&#8211;Lo. \u00c9 o ato no qual entramos em contato com Deus: Ele vem a n\u00f3s, e n\u00f3s somos iluminados por Ele. Por isso, quando nas reflex\u00f5es sobre a liturgia focalizamos apenas o modo como a tornar atraente, interessante e bonita, corremos o risco de esquecer o essencial: a liturgia celebra-se para Deus, e n\u00e3o para n\u00f3s mesmos; \u00e9 obra sua; Ele \u00e9 o sujeito; e n\u00f3s devemos abrir-nos a Ele e deixar-nos guiar por Ele e pelo seu Corpo, que \u00e9 a Igreja<\/em>.\u201d Em outras palavras: somos chamados a participar ativamente dessa obra de Deus, deixando-nos iluminar pelos raios da sua beleza redentora, escondida e, ao mesmo tempo, revelada na Gra\u00e7a dos Sacramentos, especialmente da liturgia eucar\u00edstica, em que o c\u00e9u abra\u00e7a misticamente a terra!<\/p>\n<p>A respeito desse abra\u00e7o sacramental, \u00e9 oportuna a lembran\u00e7a de um discurso hist\u00f3rico feito pelo o ent\u00e3o Cardeal Ratzinger durante o 23\u00ba Congresso Eucar\u00edstico Nacional Italiano. Em sua introdu\u00e7\u00e3o ele citou a antiga lenda sobre as origens da f\u00e9 crist\u00e3 na R\u00fassia.\u00a0Segundo essa lenda, o pr\u00edncipe Vladimir de Kiev decidiu aderir \u00e0 Igreja Ortodoxa de Constantinopla depois de ouvir seus embaixadores enviados a Constantinopla, onde estiveram presentes numa solene liturgia na Bas\u00edlica de Santa Sofia.\u00a0Eles disseram ao pr\u00edncipe: <strong>&#8220;N\u00e3o sab\u00edamos se est\u00e1vamos no c\u00e9u ou na terra&#8230; Somos testemunhas: Deus fez Sua morada ali entre os homens&#8221;.<\/strong>\u00a0E o te\u00f3logo cardeal tirou desta lenda uma conclus\u00e3o: &#8220;<em>Com efeito, a for\u00e7a e a beleza interna da liturgia desempenharam um papel essencial na difus\u00e3o do cristianismo&#8230; O que convenceu os embaixadores do pr\u00edncipe russo, que a f\u00e9 celebrada na liturgia ortodoxa era verdade, n\u00e3o era um argumento de estilo mission\u00e1rio cujos elementos pareciam mais convincentes para aqueles dispostos a ouvir do que os de qualquer outra religi\u00e3o. N\u00e3o, o que os atingiu foi o mist\u00e9rio em si mesmo, um mist\u00e9rio que, precisamente porque \u00e9 mist\u00e9rio, vai al\u00e9m de toda discuss\u00e3o, imp\u00f5e ao motivo a for\u00e7a e beleza da verdade<\/em>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li><strong> A DIGNIDADE DA LITURGIA APONTA PARA A BELEZA DO MIST\u00c9RIO.<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>O Papa Francisco na Evangelii Gaudium nos diz que \u201c<em>no meio da exig\u00eancia di\u00e1ria de fazer avan\u00e7ar o bem, a evangeliza\u00e7\u00e3o jubilosa torna-se beleza na liturgia. A Igreja evangeliza e se evangeliza com a beleza da liturgia, que \u00e9 tamb\u00e9m celebra\u00e7\u00e3o da atividade evangelizadora e fonte dum renovado impulso para se dar<\/em>\u201d (EG &#8211; 24). Sim, a beleza da Liturgia \u00e9 evangelizadora, porque ora nos atrai para o mist\u00e9rio de Deus, ora nos convida a aprofundar o nosso encontro e rela\u00e7\u00e3o pessoal com esse mist\u00e9rio, presente entre os homens atrav\u00e9s da obra intermedi\u00e1ria do Filho, &#8220;o mais belo dos filhos dos homens, cujo os l\u00e1bios se espalha a Gra\u00e7a&#8221; (Sl 45,3).<\/p>\n<p>Todavia, como disse o Papa Bento XVI em 2008 na Catedral de Notre Dame de Paris, ao presidir Ora\u00e7\u00e3o das V\u00e9speras, \u201c<em>as liturgias da terra, ordenadas todas elas \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o de um Ato \u00fanico da hist\u00f3ria, n\u00e3o alcan\u00e7ar\u00e3o jamais a expressar totalmente sua infinita densidade, pois a beleza dos ritos nunca ser\u00e1 o suficientemente esmerada, o suficientemente cuidada, elaborada, porque nada \u00e9 muito belo para Deus, que \u00e9 a Formosura infinita. Nossas liturgias da terra n\u00e3o poder\u00e3o ser mais que um p\u00e1lido reflexo da liturgia, que se celebra na Jerusal\u00e9m de cima, meta da nossa peregrina\u00e7\u00e3o na terra. Que nossas celebra\u00e7\u00f5es, entretanto, se lhe pare\u00e7am o mais poss\u00edvel e a fa\u00e7am pressentir<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>Por outro lado, isso n\u00e3o significa que a superficialidade, banalidade e neglig\u00eancia tenham algum lugar na liturgia.\u00a0Ao contr\u00e1rio, essas atitudes n\u00e3o apenas n\u00e3o ajudam o fiel cat\u00f3lico a progredir em seu caminho de f\u00e9, mas acima de tudo prejudicam aqueles que apenas participam da Celebra\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstica dominical.\u00a0\u00a0A Liturgia se torna bela e jubilosa quando glorifica a Deus e nos introduz na alegria do culto e do sacrif\u00edcio divino. A esse respeito, \u00e9 oportuno nos recordarmos do quinto capi\u0301tulo sobre \u201cA dignidade da celebrac\u0327a\u0303o litu\u0301rgica\u201d, na u\u0301ltima enci\u0301clica de S\u00e3o Joa\u0303o Paulo II, <em>Ecclesia de Eucharistia<\/em>: \u201c<em>Tal como a mulher da un\u00e7\u00e3o de Bet\u00e2nia, a Igreja n\u00e3o temeu \u00ab desperdi\u00e7ar \u00bb, investindo o melhor dos seus recursos para exprimir o seu enlevo e adora\u00e7\u00e3o diante do dom incomensur\u00e1vel da Eucaristia. \u00c0 semelhan\u00e7a dos primeiros disc\u00edpulos encarregados de preparar a \u00abgrande sala\u00bb, ela sentiu-se impelida, ao longo dos s\u00e9culos e no alternar-se das culturas, a celebrar a Eucaristia num ambiente digno de t\u00e3o grande mist\u00e9rio. Foi sob o impulso das palavras e gestos de Jesus, desenvolvendo a heran\u00e7a ritual do juda\u00edsmo, que nasceu a liturgia crist\u00e3. Porventura haver\u00e1 algo que seja capaz de exprimir de forma devida o acolhimento do dom que o Esposo divino continuamente faz de Si mesmo \u00e0 Igreja-Esposa, colocando ao alcance das sucessivas gera\u00e7\u00f5es de crentes o sacrif\u00edcio que ofereceu uma vez por todas na cruz e tornando-Se alimento para todos os fi\u00e9is? Se a ideia do \u00abbanquete\u00bb inspira familiaridade, a Igreja nunca cedeu \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de banalizar esta \u00abintimidade\u00bb com o seu Esposo, recordando-se que Ele \u00e9 tamb\u00e9m o seu Senhor e que, embora \u00abbanquete\u00bb, permanece sempre um banquete sacrificial, assinalado com o sangue derramado no G\u00f3lgota. O Banquete eucar\u00edstico \u00e9 verdadeiramente banquete \u00absagrado\u00bb, onde, na simplicidade dos sinais, se esconde o abismo da santidade de Deus.\u201d<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nossa reflex\u00e3o de hoje partir\u00e1 de um ensinamento do Papa Pio XII que em sua Enc\u00edclica Mediator Dei &#8211; sobre a Sagrada Liturgia \u2013 nos escreveu assim: \u201curge verdadeiramente que os fi\u00e9is participem das sagradas cerim\u00f4nias n\u00e3o como espectadores mudos e estranhos, mas penetrados, intimamente, da beleza da liturgia\u201d (177). \u00c9, pois, sobre essa Beleza [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":37,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[356],"tags":[],"class_list":["post-47705","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-colunista"],"acf":[],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.paulus.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47705","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.paulus.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.paulus.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paulus.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/37"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paulus.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=47705"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.paulus.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47705\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":49389,"href":"https:\/\/www.paulus.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47705\/revisions\/49389"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.paulus.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=47705"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paulus.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=47705"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paulus.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=47705"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}