{"id":47693,"date":"2019-09-01T00:01:34","date_gmt":"2019-09-01T03:01:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paulus.com.br\/portal\/?p=47693"},"modified":"2019-08-19T14:21:43","modified_gmt":"2019-08-19T17:21:43","slug":"guardia-da-beleza-do-verdadeiro-amor-um-dos-servicos-da-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paulus.com.br\/portal\/guardia-da-beleza-do-verdadeiro-amor-um-dos-servicos-da-igreja\/","title":{"rendered":"Guardi\u00e3 da beleza do verdadeiro amor \u2013 um dos servi\u00e7os da Igreja."},"content":{"rendered":"<p>Na nossa \u00faltima medita\u00e7\u00e3o vimos que na beleza da cria\u00e7\u00e3o se manifesta a onipot\u00eancia de um Deus Criador que ama. Guardar e cultivar essa beleza \u00e9 DOM e TAREFA confiados ao homem desde o princ\u00edpio e esse eco do g\u00eanesis se estende tamb\u00e9m \u00e0 Igreja. Dando mais um passo, veremos hoje que no seu chamado de ser \u201cservidora da Beleza Divina\u201d, uma outra Diaconia da Igreja \u00e9 tamb\u00e9m ser guardi\u00e3 da \u201cbeleza do verdadeiro amor\u201d.<\/p>\n<blockquote><p>As narrativas dos primeiros cap\u00edtulos do livro do g\u00eanesis, mostra-nos que tudo o que Deus cria \u00e9 belo e bom e que o homem e a mulher, o ser humano, por ser o \u00e1pice da cria\u00e7\u00e3o inteira \u00e9 o \u00fanico <em>\u201ccapaz de conhecer e amar o seu Criador\u201d<\/em> (Gaudium et Spes, 12). De fato, na hist\u00f3ria da cria\u00e7\u00e3o original tudo \u00e9 bom, exceto uma coisa: <em>\u201cN\u00e3o \u00e9 bom que o homem esteja s\u00f3\u201d<\/em> (Gn 2,18a). O homem em sua solid\u00e3o n\u00e3o \u00e9 capaz de contemplar a beleza do amor, por isso, ele precisa de \u201c<em>uma ajuda que lhe corresponda<\/em>\u201d (18b). Assim nos ensina o Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica: \u201c<em>Deus,<\/em> <em>que criou o homem por amor, tamb\u00e9m o chamou para o amor, voca\u00e7\u00e3o fundamental e inata de todo o ser humano. Pois o homem foi criado \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de Deus<\/em> (Gn 1,27), que \u00e9 Amor (I Jo 4,8.16)\u201d (CIC 1604). Depois de eleito, o Papa Jo\u00e3o Paulo, em sua primeira Enc\u00edclica Redemptor Hominis, (1979), escreveu-nos assim: \u201co homem n\u00e3o pode viver sem amor. Ele permanece para si pr\u00f3prio um ser incompreens\u00edvel e a sua vida \u00e9 destitu\u00edda de sentido, se n\u00e3o lhe for revelado o amor, se ele n\u00e3o se encontra com o amor, se o n\u00e3o experimenta e se o n\u00e3o torna algo seu pr\u00f3prio, se nele n\u00e3o participa vivamente\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<ol>\n<li><strong> A BELEZA DO AMOR REVELADA NO SIGNFICADO ESPONSAL DO CORPO<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II em uma das suas Catequeses da Teologia do Corpo, compreende que \u201co corpo humano encerra desde o princ\u00edpio o atributo esponsal, isto \u00e9, a capacidade de exprimir o amor: exatamente aquele amor em que o homem se torna dom e realiza o pr\u00f3prio sentido do seu ser e existir\u201d (TdC 15, 1). Quando dizemos que a beleza do amor est\u00e1 revelada no \u201csignificado esponsal do corpo humano\u201d \u00e9 porque assim como o pr\u00f3prio amor, \u201ceste significado s\u00f3 se pode compreender no contexto da pessoa.\u00a0 Como diz o Conc\u00edlio (GS 24), o homem \u00e9 \u00fanica criatura que Deus quis por si mesma, a qual, ao mesmo tempo, n\u00e3o pode encontrar-se plenamente sen\u00e3o mediante no sincero dom de si mesma\u201d (TdC 15, 5). Eis a voca\u00e7\u00e3o do homem, uma exist\u00eancia chamada a servir a verdade, a bondade e a beleza do amor.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m em sua Carta \u00e0s Fam\u00edlias (1994 ), o Papa Jo\u00e3o Paulo, acrescenta: \u201c<em>O amor faz com que o homem se realize atrav\u00e9s do dom sincero de si: amar significa dar e receber aquilo que n\u00e3o se pode comprar nem vender, mas apenas livre e reciprocamente oferecer\u201d. \u00a0<\/em>De fato, a beleza do amor verdadeiro, podemos v\u00ea-la impressa no corpo humano, no qual est\u00e1 escrito a linguagem do dom, a gram\u00e1tica da doa\u00e7\u00e3o de si ao outro, pois \u201c<em>o corpo humano orientado interiormente pelo dom sincero da pessoa, revela n\u00e3o s\u00f3 a sua masculinidade e feminilidade no plano f\u00edsico, mas revela tamb\u00e9m tal valor e tal beleza que ultrapassam a dimens\u00e3o simplesmente f\u00edsica da sexualidade\u201d (TdC 15, 1). <\/em>Em um outro trecho, continua o Papa a dizer que <em>\u201co homem foi criado como especial valor diante de Deus, que \u201cvendo toda a sua obra, considerou-a muito boa\u201d (Gn 1,31), mas tamb\u00e9m como especial valor para o homem mesmo: primeiro, porque \u00e9 \u2018homem\u2019; segundo, porque a mulher \u00e9 para o homem e vice-versa. Um \u00e9 DOM para o outro\u201d (TdC 9, 1). <\/em><\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li><strong> CRISTO VEM REDIMIR A BELEZA DO AMOR<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Basta um olhar silencioso e demorado para logo observarmos que de fato desde o princ\u00edpio a humanidade caminha \u00e0 procura do que poder\u00edamos chamar de \u201cbelo amor\u201d. Muitos filmes, livros e m\u00fasicas revelam esse anseio natural que h\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o de todo homem e toda mulher pela beleza do amor. Em uma palavra: no cora\u00e7\u00e3o do \u201chomem hist\u00f3rico\u201d h\u00e1 um eco do \u201chomem do princ\u00edpio\u201d. Por isso, que a hist\u00f3ria do \u201cbelo amor\u201d, segundo S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, \u201cpodemos dizer em certo sentido se iniciou, com o primeiro casal humano, com Ad\u00e3o e Eva\u201d. E o interessante \u00e9 que na Antiga Alian\u00e7a, a tenta\u00e7\u00e3o, a que cederam, e o consequente pecado original n\u00e3o os privou completamente dessa capacidade do \u201cbelo amor\u201d. Ao contr\u00e1rio, por natureza, o \u201cbelo amor \u00e9 atraente\u201d. O perigo, todavia, consiste em endurecer o cora\u00e7\u00e3o, deixar-se ser atra\u00eddo pelo o \u201cbelo amor aparente\u201d e chamar de amor o que se op\u00f5e \u00e0 l\u00f3gica do dom: o ego\u00edsmo.<\/p>\n<p>O Papa Francisco a esse respeito nos diz na Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica Amoris Laetitia: \u201cA beleza \u2013 o valor sublime do outro, que n\u00e3o coincide com os seus atrativos f\u00edsicos ou psicol\u00f3gicos \u2013 permite-nos saborear o car\u00e1ter sagrado da pessoa, sem a imperiosa necessidade de possui-la. Na sociedade de consumo, o sentido est\u00e9tico empobrece-se e, assim, se apaga a alegria. Tudo se destina a ser comprado, possu\u00eddo ou consumido, incluindo as pessoas. Ao contr\u00e1rio, a ternura \u00e9 uma manifesta\u00e7\u00e3o deste amor que se liberta do desejo da posse ego\u00edsta. Leva-nos a vibrar \u00e0 vista duma pessoa, com imenso respeito e um certo receio de lhe causar dano ou tirar a sua liberdade. O amor pelo outro implica este gosto de contemplar e apreciar o que \u00e9 belo e sagrado do seu ser pessoal, que existe para al\u00e9m das minhas necessidades. Isto permite-me procurar o seu bem, mesmo quando sei que n\u00e3o pode ser meu ou quando se tornou fisicamente desagrad\u00e1vel, agressivo ou chato. Por isso, do amor pelo qual uma pessoa me \u00e9 agrad\u00e1vel, depende que lhe d\u00ea algo de gra\u00e7a\u201d (AL 127).<\/p>\n<p>Portanto, um amor n\u00e3o \u201cbelo\u201d, \u00e9 aquele reduzido \u00e0 mera satisfa\u00e7\u00e3o das paix\u00f5es ego\u00edsticas, do consumismo, do utilitarismo e do hedonismo. Por estas vias que ofuscam a beleza do amor, o homem tende a apropriar&#8211;se de um outro ser humano, que n\u00e3o \u00e9 seu, mas pertence a Deus. Esse n\u00e3o \u00e9 o nosso destino, fomos criados para contemplar e expressar a beleza do amor. Por isso, que na Nova Alian\u00e7a, S\u00e3o Paulo ao falar de Cristo como novo Ad\u00e3o (1 Cor 15,45), mostra-nos que Ele vem para redimir o homem, renovar aquilo que nele \u00e9 originalmente dom de Deus, eternamente bom e belo e que constitui o substrato do belo amor. Neste sentido, podemos dizer que \u201ca hist\u00f3ria do belo amor \u00e9, em determinado sentido, a hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o do homem\u201d (S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II). Tudo isto encontra confirma\u00e7\u00e3o no mist\u00e9rio da Encarna\u00e7\u00e3o, que se tornou, na hist\u00f3ria dos homens,\u00a0fonte de uma beleza nova. Cristo com sua doa\u00e7\u00e3o de si redime ao mesmo tempo o nosso corpo (Rm 8,23). Redimindo-nos, potencializa em n\u00f3s a capacidade para o \u201cbelo amor\u201d. E aqui, quando falamos do \u201cbelo amor\u201d, estamos naturalmente nos referindo \u00e0 \u201cbeleza: beleza do amor e beleza do ser humano\u201d que, em virtude do Esp\u00edrito Santo, \u00e9 capaz de tal amor.<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li><strong> A IGREJA ENQUANTO GUARDI\u00c3 DA BELEZA DO VERDADEIRO AMOR<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Quando falamos da beleza do amor impressa no significado esponsal do corpo, estamos nos referindo tamb\u00e9m ao que o Papa Bento XVI num discurso ao\u00a0 Pontif\u00edcio Instituto para os estudos sobre Matrim\u00f4nio e Fam\u00edlia (2011), a esse respeito tamb\u00e9m contribuiu assim: \u201cA verdadeira fascina\u00e7\u00e3o da sexualidade nasce da grandeza deste horizonte que se abre: a beleza integral, o universo da outra pessoa e do n\u00f3s que nasce na uni\u00e3o, a promessa de comunh\u00e3o que nela se oculta, a nova fecundidade, o caminho que o amor abre a Deus, fonte do amor\u201d. \u00c9 dessa beleza integral do amor que a Igreja se tornou guardi\u00e3. \u00a0Porque \u00e9 \u201cperita em humanidade\u201d, como disse o Papa S\u00e3o Paulo VI na Enc\u00edclica <em>Populorum Progressio<\/em> (PP), a Igreja est\u00e1 sempre interessada por tudo o que diz respeito ao homem e \u00e0 mulher, buscando profeticamente anunciar e denunciar toda cultura do descarte, do utilitarismo, do relativismo, enfim, toda l\u00f3gica argumentativa, pr\u00e1tica ou ideol\u00f3gica, contr\u00e1ria \u00e0 beleza integral do verdadeiro amor, cujo o primeiro celeiro onde \u00e9 cultivado \u00e9 a fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Guardar o amor, significa, portanto, tamb\u00e9m preservar o projeto original de Deus para fam\u00edlia \u201cnatural, monog\u00e2mica e est\u00e1vel\u201d (PP 36), que por sua natureza \u00e9 o lugar onde se ensina a perceber as raz\u00f5es e a beleza do verdadeiro amor. Como disse o Papa Jo\u00e3o Paulo II em 2002 aos Bispos da Confer\u00eancia Episcopal do Peru por ocasi\u00e3o da visita &#8220;ad limina\u201d, \u201c\u00e9 importante que o projeto crist\u00e3o de santidade penetre tamb\u00e9m o amor humano e a conviv\u00eancia familiar. (&#8230;) Por isso, \u00e9 imprescind\u00edvel que os jovens conhe\u00e7am <strong>a verdadeira beleza do amor<\/strong>, &#8220;dado que o amor vem de Deus&#8221; (1 Jo 4,7), que amadure\u00e7am nele com uma atitude de abnega\u00e7\u00e3o e n\u00e3o de ego\u00edsmo\u201d. (&#8230;) \u201cO futuro de cada n\u00facleo familiar depende deste belo amor: amor rec\u00edproco dos c\u00f4njuges, dos pais e dos filhos, amor de todas as gera\u00e7\u00f5es. O amor \u00e9 a verdadeira fonte da unidade e da for\u00e7a da fam\u00edlia\u201d (Cartas \u00e0s Fam\u00edlias de SJPII).<\/p>\n<p>Por fim, o Papa Francisco, na mesma esteira nos acrescenta que a Fam\u00edlia \u00e9 por sua natureza o lugar da beleza do amor se manifestar. \u201cNa fam\u00edlia amadurece a primeira experi\u00eancia eclesial da comunh\u00e3o entre as pessoas, na qual, por gra\u00e7a, se reflete o mist\u00e9rio da Trindade. (&#8230;) <strong>A beleza do dom rec\u00edproco e gratuito<\/strong>, a alegria pela vida que nasce e a amorosa solicitude de todos os seus membros, desde os pequeninos aos idosos, s\u00e3o apenas alguns dos frutos que tornam \u00fanica e insubstitu\u00edvel a resposta \u00e0 voca\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia\u201d (AL 88).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na nossa \u00faltima medita\u00e7\u00e3o vimos que na beleza da cria\u00e7\u00e3o se manifesta a onipot\u00eancia de um Deus Criador que ama. 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