{"id":45617,"date":"2019-04-29T15:45:23","date_gmt":"2019-04-29T18:45:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paulus.com.br\/portal\/?p=45617"},"modified":"2019-04-29T15:46:29","modified_gmt":"2019-04-29T18:46:29","slug":"fe-verdade-e-cultura-em-bento-xvi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paulus.com.br\/portal\/fe-verdade-e-cultura-em-bento-xvi\/","title":{"rendered":"F\u00e9, verdade e cultura em Bento XVI"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Para Bento XVI, o que \u00e9 cultura? O conceito de J. Ratzinger \u2013 para come\u00e7ar com a sua teologia \u2013 est\u00e1 bem expresso e sistematizado na obra <em>F\u00e9, verdade e toler\u00e2ncia<\/em><a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>. Na referida obra, Ratzinger parte de uma clara defesa do universalismo crist\u00e3o e, \u00e9 claro, da miss\u00e3o crist\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>O universalismo crist\u00e3o<\/em><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mensagem crist\u00e3 \u00e9 destinada a todos os povos e isso faz parte do mandato do pr\u00f3prio Jesus; n\u00e3o faz\u00ea-lo implicaria falsear ou n\u00e3o corresponder \u00e0 vontade expressa de Cristo. Ele dizia: \u201cO ponto de partida do universalismo crist\u00e3o n\u00e3o foi a vontade de poder, mas a certeza de ter recebido o conhecimento salvador e o amor redentor, aos quais todas as pessoas t\u00eam direito e pelo qual esperavam no mais \u00edntimo do ser. A miss\u00e3o n\u00e3o foi considerada como uma aquisi\u00e7\u00e3o de pessoas para seu \u00e2mbito de poder, mas como transmiss\u00e3o obrigat\u00f3ria do que estava destinado a todos e de que todos careciam\u201d<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">O car\u00e1ter mission\u00e1rio e universal da mensagem crist\u00e3 obriga a pensar na correla\u00e7\u00e3o entre religi\u00e3o e cultura. Como a mensagem crist\u00e3 pode se encarnar em culturas distintas? Isso s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel com certo processo de <em>encultura\u00e7\u00e3o <\/em>ou <em>interculturalidade.<\/em> Ratzinger diz: \u201cA encultura\u00e7\u00e3o pressup\u00f5e, ent\u00e3o, a universalidade potencial de cada cultura\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>. O te\u00f3logo b\u00e1varo mostra que o valor de uma cultura est\u00e1 precisamente em sua abertura a outras. O encontro entre a f\u00e9 crist\u00e3 e outra religi\u00e3o, com a cultura da qual ele vive, depende que elas \u2013 nas palavras de Ratzinger \u2013 \u201cn\u00e3o se achem em uma rela\u00e7\u00e3o de absoluta alteridade, mas que nelas exista uma abertura interna m\u00fatua\u201d<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>. Assim, n\u00e3o \u00e9 suficiente a universalidade do cristianismo, mas \u00e9 requerida uma abertura da cultura a que ele se dirige.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Cultura: conhecimento e valores; rela\u00e7\u00e3o com o divino; historicidade<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, afinal, qual o conceito de cultura de Ratzinger? Segundo ele, a \u201ccultura \u00e9 a forma de express\u00e3o comunit\u00e1ria, desenvolvida historicamente, que marca com seu cunho os conhecimentos e valores de uma vida em comunidade\u201d<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>. Ele desenvolve alguns elementos desta defini\u00e7\u00e3o. S\u00e3o tr\u00eas especificamente:<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li>\n<blockquote><p>a) <em>a cultura est\u00e1 relacionada com o conhecimento e com os valores, pois \u00e9 uma tentativa de entender o homem e o mundo. <\/em>Ou seja, o modo como o homem se insere no mundo e como conhece tamb\u00e9m a forma correta da comunidade onde vive. O indiv\u00edduo depende da comunidade para ser feliz. E mais, a cultura \u00e9 um conhecimento aberto \u00e0 pr\u00e1xis ou seja, refere-se \u00e0 dimens\u00e3o \u00e9tico-moral. Ratzinger aqui recorda que a reflex\u00e3o sobre o homem e o mundo est\u00e1 contemplada a quest\u00e3o da divindade. N\u00e3o h\u00e1 como entender o mundo sem dar uma resposta a ela. Assim, o n\u00facleo das grandes culturas est\u00e1 determinado por sua rela\u00e7\u00e3o com o divino<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>.<\/p><\/blockquote>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, o segundo elemento explorado por Ratzinger \u00e9 aquele pelo qual <em>b) a cultura pressup\u00f5e ultrapassar o invis\u00edvel; em seu n\u00facleo est\u00e1 a abertura ao divino. <\/em>Isso faz com que o indiv\u00edduo se sinta suportado por um \u201csujeito comunit\u00e1rio maior\u201d, que o ampara com os seus conhecimentos. Ele deve aproveitar de conhecimentos que ultrapassam a pr\u00f3pria capacidade; assim \u00e9 que historicamente muitas culturas sempre se valeram da \u201csabedoria dos \u2018antigos\u2019\u201d, expressas muitas vezes por revela\u00e7\u00f5es (ou seja, n\u00e3o s\u00e3o fruto da reflex\u00e3o humana).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O terceiro elemento aprofundado por Ratzinger \u00e9 do que <em>c) a cultura est\u00e1 relacionada com a hist\u00f3ria pois a comunidade progride no tempo. <\/em>Ela deve ter capacidade de progredir, de transformar-se por meio do encontro. Ele ressalva que h\u00e1 culturas <em>c\u00f3smico-est\u00e1ticas<\/em> e <em>hist\u00f3ricas. <\/em>Mas a cultura judaica e crist\u00e3 se insere no segundo grupo, enquanto as culturas pr\u00e9-escrita na primeira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De qualquer modo, todas as religi\u00f5es possuem uma \u201cdin\u00e2mica de advento\u201d<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a> que aponta para Jesus Cristo, a Verdade encarnada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Interculturalidade e verdade<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em>A defesa de Ratzinger \u00e9 de que as culturas t\u00eam a sua individualidade, vinculada a determinado sujeito cultural e est\u00e1 a\u00ed a raiz da pluralidade cultural. Sua defesa reside na <em>interculturalidade<\/em>, n\u00e3o na a incultura\u00e7\u00e3o. Diz ele: \u201cA incultura\u00e7\u00e3o pressup\u00f5e a substitui\u00e7\u00e3o de uma f\u00e9 por assim dizer culturalmente nua, por uma cultura indiferente religiosamente, onde dois sujeitos at\u00e9 agora estranhos se encontram e se fundem numa s\u00edntese\u201d. No entanto, nem uma nem outra existem deste modo. Por isso asseverava: \u201cn\u00e3o existe f\u00e9 livre de cultura e tamb\u00e9m porque n\u00e3o h\u00e1 cultura livre de f\u00e9, fora a civiliza\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica\u201d<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a>. A quest\u00e3o da t\u00e9cnica aparecer\u00e1 mais adiante, de qualquer modo, Ratzinger defende que a pr\u00f3pria f\u00e9 crist\u00e3 tem elementos culturais espec\u00edficos. Posso citar o encontro cultural providencial entre a heran\u00e7a judaica e a heran\u00e7a grega, t\u00e3o determinante para a configura\u00e7\u00e3o do cristianismo nascente em meio ao pante\u00e3o religioso da antiguidade. Mas tamb\u00e9m as culturas, formadas na maior parte das vezes a partir de concep\u00e7\u00f5es religiosas, t\u00eam em si elementos que as tornam abertas a outras. Ou seja, para Ratzinger, \u201ca refer\u00eancia ao metaf\u00edsico n\u00e3o pode ser evitada. O encontro das culturas \u00e9 poss\u00edvel porque, em todas as suas diferen\u00e7as hist\u00f3ricas e nas suas forma\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias, o homem \u00e9 um s\u00f3, uma \u00fanica e mesma ess\u00eancia\u201d<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso \u00e9 fundamental a busca comum pela <em>verdade<\/em>. A\u00ed reside a sua complementaridade m\u00fatua. Por isso ele fala \u201cda unidade da ess\u00eancia humana e da sua capacidade de ser ocultamente tocada pela verdade, por Deus\u201d<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a>. A interculturalidade s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel se a f\u00e9 crist\u00e3, portadora da mensagem da Verdade em pessoa, encontra-se com uma cultura aberta \u00e0 verdade, que a busca, ainda que tateando. Nesse sentido Ratzinger mostra o grande desafio que \u00e9 o di\u00e1logo do cristianismo com a cultura t\u00e9cnica vigente que renunciou \u00e0 verdade, que a considera um objetivo demasiado alto e demasiado pretensioso para os esfor\u00e7os da raz\u00e3o humana, que se contenta na maior parte das vezes com o pragmatismo do fact\u00edvel e com a utilidade.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ratzinger insiste: \u201cO encontro das culturas \u00e9 poss\u00edvel porque, em todas as suas diferen\u00e7as hist\u00f3ricas e nas suas forma\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias, o homem \u00e9 um s\u00f3, uma \u00fanica e mesma ess\u00eancia. Essa ess\u00eancia \u00fanica \u2018homem\u2019 \u00e9 tocada no fundo da sua exist\u00eancia pela verdade mesma\u201d<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a>.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>A rela\u00e7\u00e3o entre f\u00e9 e cultura<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em>S\u00f3 assim se entende corretamente a rela\u00e7\u00e3o entre f\u00e9 e cultura. A eleva\u00e7\u00e3o de uma cultura est\u00e1 na sua abertura \u00e0 verdade. Obscurec\u00ea-la leva \u00e0 mis\u00e9ria do homem. Ratzinger dizia que \u201ca f\u00e9 mesma \u00e9 cultura. N\u00e3o existe uma f\u00e9 nua, como mera religi\u00e3o\u201d; \u201ca f\u00e9 cria cultura, \u00e9 cultura\u201d<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a>. A Igreja \u00e9 um \u201csujeito cultural\u201d que engloba indiv\u00edduos de etnias e localidades distintos. E aquele que se une \u00e0 ela manter\u00e1 sua dupla perten\u00e7a, viver\u00e1 em dois sujeitos culturais: \u201cno sujeito hist\u00f3rico e no novo sujeito da f\u00e9, que nele se encontram e se compenetram\u201d<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a>. Por isso a f\u00e9 n\u00e3o est\u00e1 em busca de uma cultura de empr\u00e9stimo. A f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 o esp\u00edrito e a cultura o corpo. Isso n\u00e3o corresponde \u00e0 universalidade da f\u00e9 crist\u00e3. \u201cSe a cultura \u00e9 mais do que mera forma ou mera est\u00e9tica, se ela \u00e9, antes, uma <strong>coordena\u00e7\u00e3o dos valores numa forma hist\u00f3rica de vida<\/strong>, e se n\u00e3o se pode prescindir da quest\u00e3o do divino, ent\u00e3o n\u00e3o se pode passar por cima o fato de a Igreja ser para os crentes um sujeito cultural pr\u00f3prio\u201d<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a>. E acrescentava: \u201cQuem ingressa na Igreja h\u00e1 de estar consciente de que ingressou num sujeito cultural pr\u00f3prio, nascido historicamente, com uma interculturalidade pr\u00f3pria e com m\u00faltiplos n\u00edveis. Sem certo \u2018\u00eaxodo\u2019, sem uma mudan\u00e7a radical de vida em todas as suas rela\u00e7\u00f5es, ningu\u00e9m pode tornar-se crist\u00e3o. Porquanto a f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 um caminho particular para Deus; a f\u00e9 conduz para dentro do povo de Deus e de sua hist\u00f3ria\u201d<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a>.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">A interpreta\u00e7\u00e3o ratzingeriana \u00e9 cristol\u00f3gica: o pr\u00f3prio Cristo vinculou-se \u00e0 hist\u00f3ria; seu corpo glorioso na eternidade, por meio de sua \u201ccarne\u201d, conserva as marcas de sua hist\u00f3ria e cultura. \u201cCristo permanece ele mesmo, tamb\u00e9m na carne\u201d<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\">[16]<\/a>. A Igreja n\u00e3o \u00e9 uma \u201cestrutura cultural pr\u00f3pria, mas comp\u00f5e-se de todos os povos\u201d<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\">[17]<\/a>. E isso Cristo inclui no seu pr\u00f3prio corpo. Sendo a Igreja corpo de Cristo, nele est\u00e1 a pluralidade dos povos abarcada pela unidade dela. \u00c9 assim que \u201ca encarna\u00e7\u00e3o de Cristo, o <em>Logos<\/em>, chegue a sua plenitude total\u201d<a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\">[18]<\/a>.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>A rela\u00e7\u00e3o entre f\u00e9 e cultura t\u00e9cnica<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em>Um dos pontos mais importantes da reflex\u00e3o de Ratzinger \u00e9 que, agora, a f\u00e9 deve dialogar com a <em>cultura t\u00e9cnica<\/em>. E uma das notas dominantes desta nova cultura \u00e9 o relativismo, que vai em duas dire\u00e7\u00f5es: o questionamento da <em>verdade<\/em>, repropondo insistentemente a pergunta de Pilatos \u2013 \u201cO que \u00e9 a verdade?\u201d (Hans Kelsen). A pluralidade das culturas seria prova da relatividade de cada uma delas. \u201cA cultura \u00e9 contraposta \u00e0 verdade\u201d<a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\">[19]<\/a>. Todo o resto \u00e9 entendido como eclesiocentrismo, cristocentrismo, teocentrismo. A segundo dire\u00e7\u00e3o \u00e9 aquela que ataca a <em>miss\u00e3o. <\/em>Esta \u00faltima passa a ser entendida como \u201cuma crua arrog\u00e2ncia de uma cultura que se julga superior&#8230;\u201d<a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\">[20]<\/a>.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste caso Ratzinger defende que algumas pessoas n\u00e3o podem ser declaradas como \u201cuma esp\u00e9cie de parque natural protegido em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 hist\u00f3ria de sua cultura e de sua religi\u00e3o, para evitar que os tempos modernos penetrem em tais \u00e2mbitos\u201d<a href=\"#_ftn21\" name=\"_ftnref21\">[21]<\/a>. Ratzinger defende o encontro das culturas. \u00c9 essencial. E uma das principais cr\u00edticas ratzingerianas \u00e9 precisamente que n\u00e3o se pode querer impor a moderna civiliza\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica a uns e confinar outros num sonho rom\u00e2ntico pr\u00e9-tecnol\u00f3gico<a href=\"#_ftn22\" name=\"_ftnref22\">[22]<\/a>.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo ele, a pr\u00f3pria t\u00e9cnica n\u00e3o \u00e9 religiosamente neutra. Tamb\u00e9m ela \u00e9, caracteristicamente, ocidental<a href=\"#_ftn23\" name=\"_ftnref23\">[23]<\/a>. \u00a0N\u00e3o \u00e9 concili\u00e1vel o ressurgir de antigas religi\u00f5es pr\u00e9-t\u00e9cnicas e a afirma\u00e7\u00e3o de uma civiliza\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica. Por isso Ratzinger tem alertado h\u00e1 tempos para uma crescente paganiza\u00e7\u00e3o ocidental.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse sentido, o cristianismo est\u00e1 mais vinculado \u00e0s antigas culturas do que com o mundo relativista e racionalista, pois este cortou seus la\u00e7os dos conhecimentos das evid\u00eancias morais origin\u00e1rias.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">De qualquer modo s\u00f3 o cristianismo possibilita a verdadeira s\u00edntese entre racionalidade t\u00e9cnica e religi\u00e3o, pois ele conjuga uma vis\u00e3o racional sobre o mundo com a convic\u00e7\u00e3o de que a verdade existe. O cristianismo n\u00e3o renuncia \u00e0 raz\u00e3o e, por isso, n\u00e3o renuncia \u00e0 verdade que lhe une a todas as culturas realmente abertas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> RATZINGER, J. <em>F\u00e9, verdade, toler\u00e2ncia. <\/em>O cristianismo e as grandes religi\u00f5es do mundo. S\u00e3o Paulo: Instituto Brasileiro de Filosofia e Ci\u00eancia \u201cRaimundo L\u00falio\u201d (Ramon Llull), 2007.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> <em>Ibid.<\/em>, p. 55.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> <em>Ibid.<\/em>, p. 59.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> <em>Ibid.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> <em>Ibid.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Cf. <em>Ibid.<\/em>, p. 60.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> <em>Ibid.<\/em>, p. 61.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> <em>Ibid.<\/em>, p. 62.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> <em>Ibid.<\/em>, p. 63.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> <em>Ibid.<\/em>, p. 64.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> <em>Ibid.<\/em>, p. 63.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> <em>Ibid.<\/em>, p. 65.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a> <em>Ibid.<\/em>, p. 66.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a> <em>Ibid.<\/em>, p. 67.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a> <em>Ibid.<\/em>, p. 68-69.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a> <em>Ibid.<\/em>, p. 69.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a> <em>Ibid.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">[18]<\/a> <em>Ibid.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\">[19]<\/a> <em>Ibid.<\/em>, p. 70.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\">[20]<\/a> <em>Ibid.<\/em>, p. 71.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref21\" name=\"_ftn21\">[21]<\/a> <em>Ibid.<\/em>, p. 73.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref22\" name=\"_ftn22\">[22]<\/a> Cf. <em>Ibid.<\/em>, p. 73.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref23\" name=\"_ftn23\">[23]<\/a> Cf. <em>Ibid.<\/em>, p. p. 74.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para Bento XVI, o que \u00e9 cultura? O conceito de J. Ratzinger \u2013 para come\u00e7ar com a sua teologia \u2013 est\u00e1 bem expresso e sistematizado na obra F\u00e9, verdade e toler\u00e2ncia[1]. Na referida obra, Ratzinger parte de uma clara defesa do universalismo crist\u00e3o e, \u00e9 claro, da miss\u00e3o crist\u00e3. 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