{"id":41768,"date":"2018-07-31T01:29:55","date_gmt":"2018-07-31T04:29:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paulus.com.br\/portal\/?p=41768"},"modified":"2018-07-31T01:29:55","modified_gmt":"2018-07-31T04:29:55","slug":"a-igreja-catolica-e-a-defesa-dos-valores-inegociaveis-no-debate-publico-o-olhar-de-bento-xvi-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paulus.com.br\/portal\/a-igreja-catolica-e-a-defesa-dos-valores-inegociaveis-no-debate-publico-o-olhar-de-bento-xvi-ii\/","title":{"rendered":"A Igreja Cat\u00f3lica e a Defesa dos Valores Inegoci\u00e1veis no Debate P\u00fablico: O Olhar de Bento XVI (II)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Para a Igreja, h\u00e1 valores que n\u00e3o s\u00e3o negoci\u00e1veis e que n\u00e3o est\u00e3o submetidos ao crit\u00e9rio do gosto ou da vontade da maioria. E \u00e9 para defend\u00ea-los que ela entra no debate pol\u00edtico. O Papa Bento XVI de lembrar compromisso eclesial inescap\u00e1vel neste \u00e2mbito: \u201cNo que se refere \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica, o interesse principal das suas interven\u00e7\u00f5es no campo p\u00fablico \u00e9 a tutela e a promo\u00e7\u00e3o da dignidade da pessoa e, por conseguinte, ela chama conscientemente a uma particular aten\u00e7\u00e3o aos princ\u00edpios que n\u00e3o s\u00e3o negoci\u00e1veis. Entre eles, hoje emergem os seguintes:\u00a0 tutela da vida em todas as suas fases, desde o primeiro momento da concep\u00e7\u00e3o at\u00e9 \u00e0 morte natural;\u00a0 reconhecimento e promo\u00e7\u00e3o da estrutura natural da fam\u00edlia, como uni\u00e3o entre um homem e uma mulher baseada no matrim\u00f4nio, e a sua defesa das tentativas de a tornar juridicamente equivalente a formas de uni\u00f5es que, na realidade, a danificam e contribuem para a sua desestabiliza\u00e7\u00e3o, obscurecendo o seu car\u00e1ter particular e o seu papel social insubstitu\u00edvel;\u00a0tutela do direito dos pais de educar os pr\u00f3prios filhos. Estes princ\u00edpios n\u00e3o s\u00e3o verdades de f\u00e9 mesmo se recebem ulterior luz e confirma\u00e7\u00e3o da f\u00e9. Eles est\u00e3o inscritos na natureza humana e, portanto, s\u00e3o comuns a toda a humanidade\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>. Estes n\u00e3o s\u00e3o valores confessionais. S\u00e3o <em>naturais<\/em>, pois defens\u00e1veis por qualquer um que se atenha \u00e0 raz\u00e3o natural. S\u00e3o valores <em>da Igreja<\/em> somente na medida em que ela se sente guardi\u00e3 deles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>A vida est\u00e1 nas m\u00e3os de Deus<\/em><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bento XVI, aproveitando a ocasi\u00e3o da <em>Jornada pela Vida<\/em> celebrada na It\u00e1lia todos os anos, fazia eco aos bispos italianos ao reafirmar \u201co dever priorit\u00e1rio de \u2018respeitar a vida\u2019, porque se trata de um bem \u2018indispens\u00e1vel\u2019, o homem n\u00e3o \u00e9 dono da vida; mas simplesmente quem a preserva e administra. E sob a primazia de Deus nasce automaticamente esta prioridade de administrar, de preservar a vida do homem, criada por Deus. Esta verdade que o homem \u00e9 o guarda e o administrador da vida constitui um ponto qualificante da lei natural, plenamente iluminado pela revela\u00e7\u00e3o b\u00edblica. Ele apresenta-se hoje como \u2018sinal de contradi\u00e7\u00e3o\u2019 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 mentalidade dominante\u201d<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">De fato, quando exclu\u00edmos o Senhor da Vida, o homem quer se tornar ele mesmo senhor da vida, querendo dispor dela \u2013 para us\u00e1-la ou descart\u00e1-la \u2013 segundo crit\u00e9rios ideol\u00f3gicos, pragm\u00e1ticos, econ\u00f4micos. \u201cDe fato, verificamos que, apesar de haver em sentido geral uma ampla converg\u00eancia sobre o valor da vida, contudo quando se chega a este ponto, duas mentalidades op\u00f5em-se de maneira inconcili\u00e1vel. Para nos expressarmos em termos simplificantes, poder\u00edamos dizer: uma das duas mentalidades considera que a vida humana esteja nas m\u00e3os do homem, a outra reconhece que ela est\u00e1 nas m\u00e3os de Deus. A cultura moderna enfatizou legitimamente a autonomia do homem e das realidades terrenas, desenvolvendo assim uma perspectiva querida ao Cristianismo, a da Encarna\u00e7\u00e3o de Deus. Mas como afirmou claramente o Conc\u00edlio Vaticano II, se esta autonomia leva a pensar que \u2018as coisas criadas n\u00e3o dependem de Deus, e que o homem as pode usar sem as relacionar com o Criador\u2019, ent\u00e3o d\u00e1-se origem a um desequil\u00edbrio profundo, porque \u2018a criatura sem o seu Criador perde o sentido\u2019\u00a0(<a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_const_19651207_gaudium-et-spes_po.html\"><em>Gaudium et spes<\/em><\/a><em>,<\/em>\u00a036). \u00c9 significativo que o documento conciliar, no trecho citado, afirme que esta capacidade de reconhecer a voz e a manifesta\u00e7\u00e3o de Deus na beleza da cria\u00e7\u00e3o seja caracter\u00edstica de todos os crentes, seja qual for a religi\u00e3o a que pertencem.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Disto podemos concluir que o respeito pleno da vida est\u00e1 ligado ao\u00a0<em>sentido religioso,<\/em>\u00a0\u00e0 atitude interior com a qual o homem se coloca em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 realidade, se se considera dono ou preservador. De resto, a palavra\u00a0<em>\u2018respeito\u2019<\/em>, deriva do verbo latino\u00a0<em>respicere-<\/em>guardar, e indica o modo de ver as coisas e as pessoas que conduz a reconhecer nelas a consist\u00eancia, a n\u00e3o se apropriar delas, e a respeit\u00e1-las, ocupando-se delas. Em \u00faltima an\u00e1lise, se as criaturas forem privadas da sua refer\u00eancia a Deus, como fundamento transcendente, elas correm o risco de estar \u00e0 merc\u00ea do livre arb\u00edtrio do homem que pode dispor delas como vemos, fazendo delas um uso desatinado\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Papa alem\u00e3o nos ensina a olhar o mundo com os olhos de Deus. A olhar a vida com a venera\u00e7\u00e3o, com o amor e o cuidado daqueles que se sabem agraciados com um valor e uma grandeza que nos escapam, pois vem de um Outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> BENTO XVI, Discurso aos participantes no Congresso promovido pelo Partido Popular Europeu, 30 de mar\u00e7o de 2006.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> <em>Id.<\/em>, Homilia durante a visita \u00e0 Par\u00f3quia de Santa Ana no Vaticano, 5 de fevereiro de 2006.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> <em>Ibid.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para a Igreja, h\u00e1 valores que n\u00e3o s\u00e3o negoci\u00e1veis e que n\u00e3o est\u00e3o submetidos ao crit\u00e9rio do gosto ou da vontade da maioria. E \u00e9 para defend\u00ea-los que ela entra no debate pol\u00edtico. 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