{"id":37259,"date":"2017-08-22T13:52:03","date_gmt":"2017-08-22T16:52:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paulus.com.br\/portal\/?p=37259"},"modified":"2017-08-22T13:54:40","modified_gmt":"2017-08-22T16:54:40","slug":"o-querigma-o-primeiro-anuncio-da-boa-nova-de-cristo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paulus.com.br\/portal\/o-querigma-o-primeiro-anuncio-da-boa-nova-de-cristo\/","title":{"rendered":"O querigma: o primeiro an\u00fancio da Boa-Nova de Cristo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O Papa Bento XVI, em sua Enc\u00edclica <em>Deus Caritas Est<\/em>, nos recorda que <em>\u201ca natureza \u00edntima da Igreja exprime-se num tr\u00edplice dever: <\/em><em>an\u00fancio da Palavra de Deus<\/em><em> (kerygma-martyria-didach\u00e9), <\/em><em>celebra\u00e7\u00e3o dos Sacramentos<\/em><em> (leiturgia), <\/em><em>servi\u00e7o da caridade <\/em><em>(diakonia). Esses s\u00e3o deveres que se reclamam mutuamente, n\u00e3o podendo um ser separado dos outros<\/em>\u201d (DCE, 25). A partir deste primeiro artigo, queremos convidar voc\u00ea a explorar conosco o terreno dessa tr\u00edplice a\u00e7\u00e3o da Igreja atrav\u00e9s de uma s\u00e9rie de forma\u00e7\u00f5es. Os tesouros que vamos encontrar nessa aventura tornar\u00e3o nosso discipulado e nossa miss\u00e3o mais atraentes, mais cheios de vida, de dinamismo. Em uma palavra: mais fecundos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse primeiro momento, o nosso ponto de partida ser\u00e1 o \u201can\u00fancio da Boa-Nova de Cristo\u201d, o <em>querigma<\/em>. O conceito de <em>querigma<\/em> (mensagem, em grego) no horizonte do cristianismo se identifica com o de Evangelho, Boa Not\u00edcia, an\u00fancio, mensagem de salva\u00e7\u00e3o. Nesse sentido \u00e9 que sempre dizemos que Cristo n\u00e3o veio configurar um sistema de pensamento, uma norma \u00e9tica de vida ou uma grande ideia. Mas veio anunciar uma mensagem de salva\u00e7\u00e3o, proclamar o Reino de Deus. Isso fica claro quando lemos na Escritura que <em>\u201cJesus come\u00e7ou a pregar e a dizer: \u2018Convertei-vos e crede no Evangelho, porque est\u00e1 pr\u00f3ximo o Reino dos C\u00e9us\u2019\u201d<\/em> (Mt 4,17), ou quando Ele dizia:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00c9 necess\u00e1rio que se proclame a Boa-Nova a todas as na\u00e7\u00f5es\u201d<\/em> (Mc 13,10). O querigma tornou-se tamb\u00e9m o fim essencial da miss\u00e3o evangelizadora confiada por Jesus a seus disc\u00edpulos, quando lhes disse: \u201c\u2018<em>Ide e proclamai a Boa-Nova a toda criatura\u2019 <\/em>[&#8230;]<em> E eles sa\u00edram a pregar por toda a parte, agindo com eles o Senhor estava, e confirmando a Palavra por meio dos sinais que a acompanhavam<\/em>\u201d (Mc 16,15).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Sobre o querigma, vale a pena a gente garimpar a origem do uso desse termo, que vem exatamente do verbo grego \u201c<em>KERYSSO<\/em>\u201d, que por sua vez significa proclamar por um mensageiro (<em>k\u00e9ryx<\/em>) um decreto autorizado pelo soberano. \u00a0A palavra grega \u201c<em>K\u00c9RYX<\/em>\u201d significa justamente \u201cpregador, mensageiro\u201d. Interessante \u00e9 notarmos que, na Antiguidade grega, o \u201ck\u00e9ryx\u201d era aquela pessoa que o soberano enviava para proclamar, anunciar a sua mensagem (<em>KERYGMA<\/em>). O mensageiro jamais se atrevia a mudar a mensagem, porque ela n\u00e3o era sua. Ele era apenas o portador, e seu dever era transmiti-la integralmente, para que ela fosse ouvida e acolhida por todos naquela regi\u00e3o. Algo semelhante aconteceu na Idade M\u00e9dia com o of\u00edcio do \u201carauto\u201d, que consistia em tornar conhecida a vontade do seu Senhor, em anunciar suas palavras, em proclamar suas senten\u00e7as. O arauto era o oficial que fazia as publica\u00e7\u00f5es solenes, anunciava a guerra e proclamava a paz, ou seja, era o mensageiro (singular) do rei. A partir de toda essa riqueza de significados \u00e9 que podemos dizer que \u00e9 isto que um pregador, um formador, um catequista \u00e9: \u201cum mensageiro da Boa-nova do Reino de Deus\u201d, aquele que \u201c<em>anuncia Cristo aos homens, os adverte e os instrui em toda sabedoria, a fim de apresent\u00e1-los todos, perfeitos em Cristo\u201d<\/em> (Cl 1,24-29). Em s\u00edntese: o verdadeiro an\u00fancio nada mais \u00e9 do que a bonita e sublime tarefa de proclamar a vontade de Deus aos homens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando falamos de querigma, logo nos lembramos tamb\u00e9m de algo muito interessante que o Ap\u00f3stolo Paulo escreve aos Romanos, ao falar da f\u00e9 em Cristo: <em>\u201cComo poder\u00e3o crer sem ter ouvido? Como poder\u00e3o ouvir sem quem anuncie?<\/em>\u201d\u00a0 (Rm 10,14). Literalmente: \u201csem algu\u00e9m que proclame o querigma?\u201d. E conclui: \u201cA f\u00e9 vem da [escuta da] prega\u00e7\u00e3o e a prega\u00e7\u00e3o \u00e9 pela Palavra de Cristo\u201d (Rm 10,17). E por \u201cprega\u00e7\u00e3o\u201d se entende a mesma coisa, isto \u00e9, o \u201cevangelho\u201d ou o querigma.\u00a0Por isso, a f\u00e9 \u00e9 uma semente da gra\u00e7a que floresce somente na presen\u00e7a do terreno do querigma, no canteiro do an\u00fancio.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse sentido, o Beato Paulo VI, na Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>Evangelii Nuntiandi,<\/em> nos deixou uma bel\u00edssima li\u00e7\u00e3o, a de que \u201c<em>n\u00e3o haver\u00e1 nunca evangeliza\u00e7\u00e3o verdadeira se o nome, a doutrina, a vida, as promessas, o reino, o mist\u00e9rio de Jesus de Nazar\u00e9, Filho de Deus, n\u00e3o forem anunciados. [&#8230;] Dar a conhecer Jesus Cristo e o seu Evangelho \u00e0queles que n\u00e3o os conhecem \u00e9 precisamente, a partir da manh\u00e3 do Pentecostes, o programa fundamental que a Igreja assumiu como algo recebido do seu Fundador<\/em>\u201d (EN, 22 e 51).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitos de n\u00f3s, mesmo marcados pelos longos anos de seguimento a Jesus, poder\u00edamos a essa altura ainda nos perguntar sobre qual deve ser de fato o conte\u00fado espec\u00edfico do nosso an\u00fancio, da nossa prega\u00e7\u00e3o. A essa quest\u00e3o poder\u00edamos seguramente dizer apenas que \u00e9 o pr\u00f3prio Cristo, a Boa Not\u00edcia do Pai. Mas o Papa Francisco, na Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>Evangelii Gaudium<\/em>, nos faz dar um salto muito interessante e bel\u00edssimo, quando nos ensina que \u201c<em>o querigma \u00e9 trinit\u00e1rio. \u00c9 o fogo do Esp\u00edrito que se d\u00e1 sob a forma de l\u00ednguas e nos faz crer em Jesus Cristo, que, com a sua morte e ressurrei\u00e7\u00e3o, nos revela e comunica a miseric\u00f3rdia infinita do Pai. Ao designar-se como \u2018primeiro\u2019 este an\u00fancio, n\u00e3o significa que o mesmo se situa no in\u00edcio e que, em seguida, se esquece ou substitui por outros conte\u00fados que o superam; \u00e9 o primeiro em sentido qualitativo, porque \u00e9 o an\u00fancio principal, aquele que sempre se tem de voltar a ouvir de diferentes maneiras e aquele que sempre se tem de voltar a anunciar de uma forma ou de outra. \u00c9 o an\u00fancio que d\u00e1 resposta ao anseio de infinito que existe em todo cora\u00e7\u00e3o humano\u201d<\/em> (EG 164).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso \u00e9 que, em nossos movimentos, pastorais, grupos de estudo, comunidades, associa\u00e7\u00f5es, par\u00f3quias, dioceses, mais do que nunca, <em>\u201cse faz urgente e necess\u00e1rio que surja uma nova gera\u00e7\u00e3o de ap\u00f3stolos que estejam enraizados na Palavra de Cristo, em condi\u00e7\u00f5es de dar uma resposta aos desafios do nosso tempo e preparados para anunciar o Evangelho em toda parte<\/em>\u201d (Papa Bento XVI). Uma gera\u00e7\u00e3o de disc\u00edpulos mission\u00e1rios, que pela for\u00e7a do batismo se sintam atra\u00eddos a florescer o Evangelho naquele \u201ccampo da f\u00e9\u201d, onde o Senhor os plantou. Uma gera\u00e7\u00e3o que n\u00e3o tenha medo de deixar que \u201c<em>Jesus Cristo venha a romper tamb\u00e9m os esquemas enfadonhos em que pretendemos aprision\u00e1-lo, e surpreender-nos com a sua constante criatividade divina<\/em>\u201d (EG, 12). Pois, como completa o Papa Francisco na <em>Evangelii Gaudium<\/em>:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c<em>O Senhor quer servir-Se de n\u00f3s como seres vivos, livres e criativos, que se deixam penetrar pela sua Palavra antes de a transmitir; a sua mensagem deve passar realmente atrav\u00e9s do pregador, e n\u00e3o s\u00f3 pela sua raz\u00e3o, mas tomando posse de todo o seu ser. O Esp\u00edrito Santo, que inspirou a Palavra, \u00e9 quem hoje ainda, como nos in\u00edcios da Igreja, age em cada um dos evangelizadores que se deixa possuir e conduzir por Ele, e p\u00f5e na sua boca as palavras que ele sozinho n\u00e3o poderia encontrar<\/em>\u201d (EG 152).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, n\u00e3o poder\u00edamos deixar de mencionar que, embora o querigma seja o eixo no qual os campos da miss\u00e3o, da evangeliza\u00e7\u00e3o, da catequese, da prega\u00e7\u00e3o giram em torno para fazer conhecido o nome e o Rosto de Jesus de Nazar\u00e9, em muitos lugares ainda tudo segue girando, desde o princ\u00edpio at\u00e9 o final, em torno \u00e0 primeira convers\u00e3o, ao chamado novo nascimento, o primeiro amor. Isso \u00e9 bom. \u00c9 o ponto de partida. Mas para n\u00f3s, cat\u00f3licos, o querigma \u00e9 s\u00f3 o in\u00edcio da vida crist\u00e3. Depois disso deve vir a catequese, o ensinamento (<em>didach\u00e9<\/em>) e o progresso espiritual, a fim de que possamos eleger conscientemente Cristo como pr\u00f3prio Senhor e Salvador pessoal, e comprometer-nos ativamente na vida de nossa Igreja. \u00a0E sobre esse aspecto nos dedicaremos a partilhar na pr\u00f3xima forma\u00e7\u00e3o! At\u00e9 l\u00e1!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Papa Bento XVI, em sua Enc\u00edclica Deus Caritas Est, nos recorda que \u201ca natureza \u00edntima da Igreja exprime-se num tr\u00edplice dever: an\u00fancio da Palavra de Deus (kerygma-martyria-didach\u00e9), celebra\u00e7\u00e3o dos Sacramentos (leiturgia), servi\u00e7o da caridade (diakonia). Esses s\u00e3o deveres que se reclamam mutuamente, n\u00e3o podendo um ser separado dos outros\u201d (DCE, 25). 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