{"id":33339,"date":"2017-03-17T08:29:57","date_gmt":"2017-03-17T11:29:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paulus.com.br\/portal\/?p=33339"},"modified":"2017-02-17T08:33:50","modified_gmt":"2017-02-17T10:33:50","slug":"catequese-e-sacramentos-i","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paulus.com.br\/portal\/catequese-e-sacramentos-i\/","title":{"rendered":"Catequese e Sacramentos I"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A rela\u00e7\u00e3o entre catequese e sacramentos se mostra estreita ao longo da hist\u00f3ria, mas com nuances diferentes nos diversos per\u00edodos da Igreja. Catequizar ou evangelizar \u00e9 ordem que Jesus deu \u00e0 Igreja, a seus disc\u00edpulos. Cumprir sua ordem \u00e9 condi\u00e7\u00e3o de fidelidade a ele. Se seus seguidores arrefecem no zelo evangelizador, pecam contra o projeto do Mestre: anunciar sua Palavra de vida ao mundo inteiro. Assim, seguiram os primeiros crist\u00e3os evangelizando e, como consequ\u00eancia, batizando os que aderiam \u00e0 f\u00e9 crist\u00e3. O batismo era sinal vis\u00edvel da convers\u00e3o: passava-se da velha vida \u00e0 vida nova no mergulho em Cristo, o Homem Novo. Como nova criatura, o batizado pertencia a um povo; n\u00e3o estava mais s\u00f3, n\u00e3o seguia sozinho; azia parte do Caminho, a comunidade dos crentes.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">No come\u00e7o da Igreja, no catecumenato, tamb\u00e9m evangeliza\u00e7\u00e3o (ou catequese) e sacramentos caminhavam juntos. O catecumenato se apresentava como um itiner\u00e1rio de evangeliza\u00e7\u00e3o. Tendo feito os diversos percursos propostos, os sacramentos da inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 eram ministrados aos catec\u00famenos. Mas os catec\u00famenos n\u00e3o entravam no processo evangelizador para receber os sacramentos, como se fosse um curso preparat\u00f3rio. Eles entravam no catecumenato para fazer o caminho do seguimento, para aderir \u00e0 f\u00e9. O batismo a eles ministrado, juntamente com a participa\u00e7\u00e3o na Ceia do Senhor, era um sinal da ades\u00e3o a Jesus Cristo e \u00e0 comunidade-igreja que os acolhia.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o passar dos anos, muita coisa mudou. A Igreja, depois dos imperadores Constantino e Teod\u00f3sio, que tiraram a f\u00e9 crist\u00e3 da clandestinidade e a tornaram l\u00edcita no imp\u00e9rio, passou a batizar crian\u00e7as. \u00c9 bem poss\u00edvel que alguma crian\u00e7a j\u00e1 fosse batizada com sua fam\u00edlia, mas a pr\u00e1tica do batismo de crian\u00e7as se implantou depois do s\u00e9culo V. A\u00ed, o processo catequ\u00e9tico se inverteu. Batizava-se na f\u00e9 dos pais, na esperan\u00e7a de evangelizar depois. Mas as crian\u00e7as ainda n\u00e3o eram admitidas \u00e0 mesa da eucaristia, adiada para a idade adulta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pio X, em 1905, autorizou a comunh\u00e3o para os infantes e, desde ent\u00e3o, a catequese ganhou esse contorno que ainda a define hoje. Com a tradi\u00e7\u00e3o do batismo de crian\u00e7as j\u00e1 implantado, era preciso evangelizar as crian\u00e7as, dando \u00e0 f\u00e9 recebida dos pais um acabamento doutrin\u00e1rio, antes que elas fossem admitidas \u00e0 mesa eucar\u00edstica. Com isso, a catequese se tornou prepara\u00e7\u00e3o para recep\u00e7\u00e3o de sacramentos: da eucaristia, para crian\u00e7as; da crisma, para jovens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde ent\u00e3o, a catequese ficou atrelada aos sacramentos como condi\u00e7\u00e3o para receb\u00ea-los. Toda a organiza\u00e7\u00e3o da catequese paroquial passou a girar em torno dos sacramentos. Passaram-se muitos anos, mais de um s\u00e9culo, mas a catequese hoje continua com o mesmo formato sacramental do come\u00e7o do s\u00e9culo XX. Nas par\u00f3quias, o que se v\u00ea? Catequese para a primeira eucaristia (primeira etapa: pr\u00e9-eucaristia; segunda etapa: eucaristia), p\u00f3s-eucaristia ou perseveran\u00e7a e catequese para a crisma.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Toda a catequese paroquial depende da recep\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o de algum sacramento. Centrado no sacramento, o pr\u00f3prio processo catequ\u00e9tico leva ao afastamento da comunidade eclesial, quando j\u00e1 se recebeu o sacramento desejado. Muitos reclamam da evas\u00e3o depois da recep\u00e7\u00e3o dos sacramentos. Reclamam que as crian\u00e7as e jovens somem das par\u00f3quias. A crisma at\u00e9 j\u00e1 foi apelidada de <em>sacramento do adeus<\/em>. Agora, ela est\u00e1 cedendo este t\u00edtulo para a primeira (e \u00faltima) eucaristia.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, com esse esquema catequ\u00e9tico, n\u00e3o vamos conseguir segurar ningu\u00e9m na comunidade eclesial. As pessoas v\u00eam buscar um produto da f\u00e9: o sacramento. Tendo-o recebido, sentem-se dispensadas de continuar conosco. Enquanto nossa catequese paroquial for atrela aos sacramentos e depender deles para ser efetiva, n\u00e3o gerar\u00e1 o seguimento de Jesus Cristo. O problema \u00e9 que, de um sinal do seguimento e da ades\u00e3o a Jesus, o sacramento transformou-se em objetivo da catequese, o fim do caminho, a meta alcan\u00e7ada. Enquanto n\u00e3o devolvermos \u00e0 catequese carta de alforria, independendo-a dos sacramentos, ela vai estar submissa a eles, sem possibilidade de cumprir sua miss\u00e3o: o discipulado de Jesus. Esse assunto \u00e9 denso e \u201cd\u00e1 pano para manga\u201d. Continuaremos a falar sobre essa rela\u00e7\u00e3o catequese-sacramento no pr\u00f3ximo artigo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A rela\u00e7\u00e3o entre catequese e sacramentos se mostra estreita ao longo da hist\u00f3ria, mas com nuances diferentes nos diversos per\u00edodos da Igreja. Catequizar ou evangelizar \u00e9 ordem que Jesus deu \u00e0 Igreja, a seus disc\u00edpulos. Cumprir sua ordem \u00e9 condi\u00e7\u00e3o de fidelidade a ele. 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