{"id":33334,"date":"2017-03-10T08:25:26","date_gmt":"2017-03-10T11:25:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paulus.com.br\/portal\/?p=33334"},"modified":"2017-02-17T08:27:58","modified_gmt":"2017-02-17T10:27:58","slug":"catequese-e-liturgia-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paulus.com.br\/portal\/catequese-e-liturgia-ii\/","title":{"rendered":"Catequese e liturgia II"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Como j\u00e1 dissemos, no processo de <em>des<\/em>-escolariza\u00e7\u00e3o da catequese, papel importante tem a recupera\u00e7\u00e3o do v\u00ednculo entre liturgia e catequese. Mas como recuperar esse v\u00ednculo? Basta introduzir ritos, gestos e s\u00edmbolos no itiner\u00e1rio catequ\u00e9tico? Seria suficiente pegar o RICA \u2013 Ritual de Inicia\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 para Adultos \u2013 repetindo, na catequese paroquial, as celebra\u00e7\u00f5es nele previstas? Ou seria o caso de exigir que crian\u00e7as, jovens e adultos da catequese participem das liturgias da par\u00f3quia? Devemos motiv\u00e1-los at\u00e9 o constrangimento, a ponto de a participa\u00e7\u00e3o na celebra\u00e7\u00e3o dominical se tornar uma condi\u00e7\u00e3o para a recep\u00e7\u00e3o dos sacramentos previstos no itiner\u00e1rio catequ\u00e9tico?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitos t\u00eam entendido assim. E, num esfor\u00e7o herc\u00faleo querendo acertar, temos visto na par\u00f3quia desde a repeti\u00e7\u00e3o de ritos e gestos do RICA at\u00e9 a imposi\u00e7\u00e3o da obriga\u00e7\u00e3o de frequentar a missa. Quanto aos ritos do RICA, melhor a gente ficar atenta. Tenho a impress\u00e3o que estamos trocando uma <em>catequese sacramental<\/em> por uma <em>catequese ritual<\/em>. E isso n\u00e3o resolve o problema catequ\u00e9tico atual. Quanto ao atrelamento da catequese com a missa dominical, al\u00e9m de esse n\u00e3o tornar a catequese mais lit\u00fargica, as motiva\u00e7\u00f5es para participa\u00e7\u00e3o da liturgia parecem duvidosas: completar \u00e1lbum de figurinha com textos do evangelho do dia, ganhar balas e outras guloseimas, ou at\u00e9 mesmo receber o sacramento desejado. A liturgia e a catequese devem atrair por si mesmas: porque s\u00e3o plenas de sentido, porque d\u00e3o for\u00e7a para viver, porque ressignificam a vida da gente. Qualquer tentativa de atrair pessoas atrav\u00e9s de outra motiva\u00e7\u00e3o seria esvaziar a vida de f\u00e9 do seu sentido mais original. N\u00e3o podemos correr esse risco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na catequese, a liturgia n\u00e3o \u00e9 nem um anexo, como a missa dominical tornada obrigat\u00f3ria, nem se faz uma catequese lit\u00fargica acrescentando ritos no itiner\u00e1rio catequ\u00e9tico. Tudo isso \u00e9 poss\u00edvel, mas n\u00e3o garante o car\u00e1ter celebrativo da mesma. A liturgia \u00e9 uma caracter\u00edstica do ato catequ\u00e9tico. Todo encontro catequ\u00e9tico deveria ser lit\u00fargico, pois a catequese celebra e comunica a presen\u00e7a do Deus vivo, possibilitando o encontro com o Ressuscitado. Em cada atividade da catequese, seja na ora\u00e7\u00e3o ou na m\u00fasica, nas brincadeiras ou na proclama\u00e7\u00e3o e partilha da Palavra de Deus, \u00e9 Deus mesmo que est\u00e1 se dando, se comunicando, entrando em comunh\u00e3o com os catequizandos e o catequista. Assim, cada gesto da catequese reclama rever\u00eancia; cada palavra pronunciada exige cuidado por causa de seu significado; cada rito realizado carrega tom de solenidade. Brincar, cantar, rezar, refletir, ouvir e partilhar a palavra se tornam rituais celebrativos, ou seja, comunicadores de uma presen\u00e7a que transcende o pr\u00f3prio ato de brincar, cantar, refletir ou rezar: o mist\u00e9rio pascal que a catequese comunica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma catequese pode ser dita celebrativa n\u00e3o pelo tanto de rituais que ela prescreve, mas pelo modo como se desenvolve, pelo car\u00e1ter orante e mistag\u00f3gico que conserva. Nada impede que aconte\u00e7am ritos espec\u00edficos em algumas ocasi\u00f5es pontuando bem os itiner\u00e1rios da catequese, como no catecumenato. Fazer, de vez em quando, um encontro que \u00e9 uma celebra\u00e7\u00e3o \u00e9 uma boa ideia. Os catequistas preparam uma bela liturgia, com s\u00edmbolos, gestos, m\u00fasicas, ora\u00e7\u00f5es, textos b\u00edblicos e rezam com os catequizandos, marcando as etapas da catequese. Nem precisa de padre ou algum ministro espec\u00edfico. Os catequistas mesmos \u2013 fazendo valer o car\u00e1ter sacerdotal de seu batismo \u2013 celebram a liturgia, porque liturgia \u00e9 vida feita obla\u00e7\u00e3o, oferta ao Pai. Desse modo, os catequizandos v\u00e3o sendo mergulhados no mist\u00e9rio pascal que a liturgia \u2013 por meio de seus s\u00edmbolos \u2013 faz acontecer. A cada encontro orante, a cada celebra\u00e7\u00e3o realizada, a catequese d\u00e1 a conhecer o Deus vivo e ressuscitado que nos acompanha e caminha conosco.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como j\u00e1 dissemos, no processo de des-escolariza\u00e7\u00e3o da catequese, papel importante tem a recupera\u00e7\u00e3o do v\u00ednculo entre liturgia e catequese. Mas como recuperar esse v\u00ednculo? Basta introduzir ritos, gestos e s\u00edmbolos no itiner\u00e1rio catequ\u00e9tico? 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