{"id":33332,"date":"2017-03-03T08:20:35","date_gmt":"2017-03-03T11:20:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paulus.com.br\/portal\/?p=33332"},"modified":"2017-02-17T08:24:43","modified_gmt":"2017-02-17T10:24:43","slug":"catequese-e-liturgia-i","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paulus.com.br\/portal\/catequese-e-liturgia-i\/","title":{"rendered":"Catequese e liturgia I"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">No processo de <em>des<\/em>-escolariza\u00e7\u00e3o da catequese, n\u00e3o pode faltar a recupera\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter lit\u00fargico da catequese. Foi quando a catequese perdeu seu tom orante e mistag\u00f3gico, que ela se escolarizou. Deixou de ser <em>percurso<\/em> para ser <em>curso<\/em>. Deixou de ser um <em>itiner\u00e1rio de f\u00e9<\/em> para ser <em>esclarecimento de pontos doutrin\u00e1rios da f\u00e9<\/em>. Celebrar a f\u00e9 \u00e9 fundamental. Nossa f\u00e9 \u00e9 proclamada, vivida, celebrada.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Celebrar faz parte da vida. Festejar os momentos, marcar a vida com festas e s\u00edmbolos para arranc\u00e1-la da mesmice e ressignificar a exist\u00eancia, mostra-se como uma caracter\u00edstica humana. Todos os povos celebram, realizam liturgias&#8230; Cada qual a seu modo, conforme suas cren\u00e7as e sua cultura, marcam os tempos com eventos, ritos e s\u00edmbolos, lembrando que a vida \u00e9 c\u00edclica, Morre a primavera, vem o ver\u00e3o. Morre o ver\u00e3o, vem o outono. Morre o outono, vem o inverno&#8230; E uma hora, morre o inverno e a primavera renasce. A vida \u00e9 c\u00edclica, marcada pela morte e pelo renascimento. E o ser humano, observador das etapas da vida, marca-as com celebra\u00e7\u00f5es. Assim, tudo o que \u00e9 importante para a vida da gente, costumamos celebr\u00e1-lo.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Observemos os sacramentos que celebramos na caminhada da f\u00e9 crist\u00e3. Nasceu algu\u00e9m? Celebremos o dom da vida e sua acolhida no seio da comunidade de f\u00e9: batismo. Algu\u00e9m est\u00e1 doente e precisa do apoio da comunidade? Celebremos com ele a for\u00e7a do amor e da ora\u00e7\u00e3o em meio \u00e0 sua fraqueza: un\u00e7\u00e3o dos enfermos. Algu\u00e9m vai come\u00e7ar nova vida construindo-a ao lado de um companheiro? Celebremos juntos, augurando-lhes uma vida plena de amor e realiza\u00e7\u00f5es: matrim\u00f4nio. Algu\u00e9m muito especial deu a vida por n\u00f3s e, mesmo depois de morto, se faz presente caminhando com a gente? Celebremos a alegria e as dores da jornada na companhia do Ressuscitado: eucaristia. E assim vai. As liturgias s\u00e3o parte integrante da vida crist\u00e3. A f\u00e9 crist\u00e3 \u00e9 professada (dita em alto e bom som, dando as raz\u00f5es de se crer), celebrada (marcada por ritos e s\u00edmbolos que reafirmam a f\u00e9 e atualizam os mist\u00e9rios professados) e vivida (traduzida em gestos concretos que expressam em quem cremos e como cremos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na f\u00e9 crist\u00e3, celebrar \u00e9 essencial. E, desde o come\u00e7o da Igreja, foi assim. O catecumenato, por exemplo, nunca separou essas tr\u00eas dimens\u00f5es da f\u00e9: professada, celebrada e vivida. Ao contr\u00e1rio, todo o itiner\u00e1rio do catecumenato era acompanhado pela comunidade eclesial com ora\u00e7\u00f5es, ritos e s\u00edmbolos&#8230; Os catec\u00famenos eram iniciados nos mist\u00e9rios n\u00e3o por meio de explica\u00e7\u00f5es complicadas, mas pelo mergulho no mist\u00e9rio pascal. Isso era feito certamente com algum cuidado com o conhecimento intelectual, mas, como a f\u00e9 crist\u00e3 \u00e9 ades\u00e3o a uma pessoa e n\u00e3o a uma doutrina, a preocupa\u00e7\u00e3o maior era dar a conhecer essa pessoa a quem a vida do catec\u00fameno seria atrelada. Isso era feito especialmente na pr\u00e1tica crist\u00e3, no mergulho na vida eclesial, acompanhada de muitos ritos que iam mostrando o itiner\u00e1rio feito por aquele que desejava a f\u00e9,<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os ritos s\u00e3o algo muito forte. Eles realizam algo; t\u00eam o cond\u00e3o de nos transportar para algo al\u00e9m deles mesmos, de nos arrebatar para uma experi\u00eancia que transcende a pr\u00f3pria vida, de nos colocar referidos a algo que \u00e9 muito maior do que n\u00f3s e que orienta nossa vida toda. N\u00e3o faz nenhum sentido catequizar sem celebrar, como se catequese fosse curso de religi\u00e3o para estudar Deus e n\u00e3o para entrar em comunh\u00e3o com ele. Essa \u00e9 a fun\u00e7\u00e3o da liturgia: quebrar a insignific\u00e2ncia da vida, dando-lhe um sentido bem mais al\u00e9m.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Liturgia e catequese s\u00e3o irm\u00e3s siamesas, insepar\u00e1veis. Onde uma vai, a outra vai tamb\u00e9m. \u00c9 bem verdade que andamos separando as duas, mas o resultado n\u00e3o tem sido favor\u00e1vel, nem para a liturgia nem para a catequese. Quase sempre, essa separa\u00e7\u00e3o d\u00e1 na morte das duas irm\u00e3s. Uma e outra perdem seu sentido mais pleno. \u00c9 hora de resgatar o car\u00e1ter celebrativo, lit\u00fargico, da catequese.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No processo de des-escolariza\u00e7\u00e3o da catequese, n\u00e3o pode faltar a recupera\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter lit\u00fargico da catequese. Foi quando a catequese perdeu seu tom orante e mistag\u00f3gico, que ela se escolarizou. Deixou de ser percurso para ser curso. Deixou de ser um itiner\u00e1rio de f\u00e9 para ser esclarecimento de pontos doutrin\u00e1rios da f\u00e9. 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