{"id":32068,"date":"2016-11-25T00:25:29","date_gmt":"2016-11-25T02:25:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paulus.com.br\/portal\/?p=32068"},"modified":"2016-11-18T16:30:20","modified_gmt":"2016-11-18T18:30:20","slug":"do-confronto-a-evitacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paulus.com.br\/portal\/do-confronto-a-evitacao\/","title":{"rendered":"Do confronto \u00e0 evita\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Ol\u00e1, caro leitor!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se voc\u00ea est\u00e1 lendo este texto, \u00e9 porque muito provavelmente ainda n\u00e3o foi contaminado com o que chamo de cultura da <em>evita\u00e7\u00e3o<\/em>. E justamente porque voc\u00ea est\u00e1 aqui, lendo, refletindo e dedicando alguns minutos para o seu crescimento. Esse termo, por mais estranho que pare\u00e7a, aponta para um sintoma social presente em todas as idades, credos, etnias e culturas.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voc\u00ea j\u00e1 deve ter escutado ou visto pessoas se lamentando de mais sofrimento, que as coisas est\u00e3o muito dif\u00edceis, que est\u00e3o tomando esse e aquele rem\u00e9dio para isso ou aquilo, dores novas, doen\u00e7as novas, sentimentos diversos, enfim, parece que estamos vivendo momentos realmente muito ruins.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voc\u00ea j\u00e1 se questionou se de fato as coisas est\u00e3o ruins ou se estamos vivendo um momento em que as pessoas est\u00e3o menos preparadas para enfrentar as adversidades? Adversidades naturais, coisas que sempre houve e sempre v\u00e3o existir. Afinal de contas, n\u00e3o sabemos hoje o que \u00e9 ditadura, sabemos? Sabemos o que \u00e9 guerra? E ainda: j\u00e1 esquecemos at\u00e9 o que \u00e9 escravid\u00e3o. Reclamamos de infla\u00e7\u00e3o de cerca de 13% ao ano, mas acredite, j\u00e1 vivemos infla\u00e7\u00e3o de mais de 5.000% ao ano, isso mesmo, CINCO MIL! Ficamos doentes, \u00e9 verdade, mas n\u00e3o sei de nenhuma peste capaz de dizimar metade de uma na\u00e7\u00e3o. N\u00e3o vejo ningu\u00e9m enforcado em pra\u00e7a p\u00fablica lutando por uma ideologia. Existe viol\u00eancia, eu sei, medo, sei tamb\u00e9m, mas n\u00e3o vou trabalhar num campo a uma temperatura de 20 graus negativos porque tenho sobrenome judeu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pois bem, o que falei acima n\u00e3o \u00e9 normal, evidentemente. S\u00e3o coisas de que a humanidade se envergonha, ou pelo menos deveria. Mas chamo a sua aten\u00e7\u00e3o agora \u00e0s coisas pequenas do dia a dia, coisas que acontecem toda hora, tal como filho desobedecendo os pais, decep\u00e7\u00e3o amorosa, frustra\u00e7\u00e3o no trabalho, falta de dinheiro para comprar isso ou aquilo, gente ligando para lhe cobrar, uma dorzinha aqui, outra acol\u00e1, enfim, contratempos e adversidades que antes passavam despercebidos. Lid\u00e1vamos com isso muito bem, mas hoje tornou-se motivo para <em>Rivotril. <\/em>Conclus\u00e3o: A nossa gera\u00e7\u00e3o n\u00e3o aprendeu a sofrer.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">A filosofia e a psicologia t\u00eam algumas explica\u00e7\u00f5es para isso. Fa\u00e7o o compromisso com voc\u00ea, caro leitor, de explicar uma a uma, mas para este momento concentro-me na motiva\u00e7\u00e3o inicial do texto.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vamos a ela: Em que situa\u00e7\u00f5es passamos da era do confronto para a era da evita\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando vemos nas fachadas das igrejas por a\u00ed a frase do tipo \u201cPare de Sofrer\u201d. Quando, para todo esbo\u00e7o de des\u00e2nimo e tristeza, encontramos o al\u00edvio na farmacologia. Quando, para perder uns quilinhos, recorro a anfetaminas e cirurgias pl\u00e1sticas. Quando n\u00e3o quero ouvir meu filho chorar eu falo mais sim do que n\u00e3o, ou at\u00e9 mesmo quando, para aliviar a culpa da minha aus\u00eancia, o agrado demais. Quando prefiro o milagre \u00e0 ora\u00e7\u00e3o. Quando a velocidade \u00e9 mais importante do que a dire\u00e7\u00e3o. Quando est\u00e9tico \u00e9 mais importante do que a fun\u00e7\u00e3o, o ter \u00e9 melhor do que o ser&#8230; Estamos <strong>evitando<\/strong> o sacrif\u00edcio natural humano de nos tornar humanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fugir do sofrimento nos causa mais sofrimento. Evitar a dor nos causa mais dor. Nossa gera\u00e7\u00e3o sofre muito porque erroneamente inventou subterf\u00fagios para evitar confrontar seus sentimentos, medos e fantasmas. Se n\u00e3o os confrontamos, toda adversidade \u00e9 estranha e ganha for\u00e7a, n\u00e3o criamos imunidade. Se voc\u00ea nunca andou descal\u00e7o, uma brisa o faz adoecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ato de confrontar depende da dor a curto prazo, mas gera al\u00edvio a longo prazo. O sofrimento que voc\u00ea finge exorcizar volta com mais for\u00e7a e vigor, e as coisas de fato se tornam dif\u00edceis.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Confrontar demanda energia, for\u00e7a e vontade. Tal como aprender. S\u00f3 cresce quem aprende, mas para isso voc\u00ea precisa estar disposto a dialogar com a d\u00favida, e isso incomoda. Depois da d\u00favida, o conhecimento, a experi\u00eancia e a paz.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">O medo que negamos \u00e9 o medo do qual morremos; o medo que confrontamos \u00e9 experi\u00eancia e ganhamos. Quem evita algo inevit\u00e1vel \u00e9 v\u00edtima de si mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando lidamos com os nossos sentimentos naturalmente, entendendo que a dor e o sofrimento fazem parte da nossa condi\u00e7\u00e3o, ficamos imunes e ganhamos for\u00e7as para as adversidades. A virtude n\u00e3o est\u00e1 em n\u00e3o sofrer, o que \u201ctecnicamente\u201d \u00e9 imposs\u00edvel, mas a virtude est\u00e1 em saber sofrer. Dessa forma damos sentido \u00e0 dor e ganhamos uma raz\u00e3o para lutar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Termino esta pequena reflex\u00e3o parafraseando o personagem representado pelo ator Wagner Moura no filme <em>Tropa de Elite<\/em>: \u201cQuer ter paz? Aprenda a lutar\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ol\u00e1, caro leitor! Se voc\u00ea est\u00e1 lendo este texto, \u00e9 porque muito provavelmente ainda n\u00e3o foi contaminado com o que chamo de cultura da evita\u00e7\u00e3o. E justamente porque voc\u00ea est\u00e1 aqui, lendo, refletindo e dedicando alguns minutos para o seu crescimento. 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