{"id":29877,"date":"2016-08-17T14:27:01","date_gmt":"2016-08-17T17:27:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paulus.com.br\/portal\/?p=29877"},"modified":"2016-08-17T14:27:01","modified_gmt":"2016-08-17T17:27:01","slug":"a-desinformacao-nas-redes-sociais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paulus.com.br\/portal\/a-desinformacao-nas-redes-sociais\/","title":{"rendered":"A desinforma\u00e7\u00e3o nas redes sociais"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Vivemos em um tempo de florescimento constante de novas tecnologias da comunica\u00e7\u00e3o. As pessoas julgam que est\u00e3o super informadas e diversos autores j\u00e1 descreveram o tempo atual como a \u201cera da informa\u00e7\u00e3o\u201d. Entretanto, h\u00e1 tamb\u00e9m uma vis\u00edvel deteriora\u00e7\u00e3o daquilo que podemos chamar \u201cinforma\u00e7\u00e3o socialmente necess\u00e1ria\u201d ou substanciosa sobre o mundo e a realidade social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A maior parte do tempo nos meios de comunica\u00e7\u00e3o e do seu uso pelas pessoas \u00e9 ocupada pelo entretenimento leve. Embora as novas m\u00eddias tenham possibilitado mais diversidade de informa\u00e7\u00f5es circulando, na vis\u00e3o de Umberto Eco, as redes digitais amplificam as vozes de uma \u201clegi\u00e3o de imbecis\u201d que, antes destas plataformas, apenas falavam nos bares, depois de uma ta\u00e7a de bebida, sem prejudicar a coletividade. \u201cNormalmente, eles eram imediatamente calados, mas agora t\u00eam o mesmo direito \u00e0 palavra que um Pr\u00eamio Nobel\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pr\u00f3prio presidente de uma das chamadas m\u00eddias sociais mais populares, Mark Zuckerbeg, do Facebook, atestou isso de maneira cabal em recente entrevista coletiva. Questionado por um dos jornalistas sobre os crit\u00e9rios dos algoritmos que decidem as not\u00edcias exibidas a cada usu\u00e1rio, ele respondeu que \u201cum esquilo no seu jardim pode ser mais relevante para seus interesses atuais do que gente morrendo na \u00c1frica\u201d (<em>Carta Capital<\/em>, n. 848, 06.05.2015, p. 38-41). Ou seja, na vis\u00e3o dele, o p\u00fablico n\u00e3o quer saber de problemas alheios, ainda mais se distantes, e sim de seus gostos e decis\u00f5es cotidianas. Geralmente, textos e v\u00eddeos longos, principalmente se exigem algum esfor\u00e7o ou causam algum desconforto ao leitor, t\u00eam menos chance de aparecer nas p\u00e1ginas pessoais dessas redes do que fofocas sobre celebridades, informa\u00e7\u00f5es superficiais, enganosas e engra\u00e7adas, fotos de gatinhos, da refei\u00e7\u00e3o feita naquele dia, do passeio, dicas de consumo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O surgimento acelerado de novas tecnologias de comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o tornou obsoletas afirma\u00e7\u00f5es de Paulo Freire em diversos de seus escritos em que aponta o \u201cmutismo\u201d e a \u201ccultura do sil\u00eancio\u201d dos oprimidos, impedidos de ter voz, mergulhados na submiss\u00e3o pelo sil\u00eancio.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Dominique Wolton, essa fragilidade da comunica\u00e7\u00e3o no mundo de hoje acontece porque a comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 promovida como valor mercantil e de poder pela \u201cideologia da t\u00e9cnica\u201d, mas insuficientemente como valor human\u00edstico e democr\u00e1tico em seu sentido etimol\u00f3gico de p\u00f4r em comum (Paulus, 2006, p. 171).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele acredita que daqui a alguns anos se constatar\u00e1 que a internet foi o apogeu e depois a frustra\u00e7\u00e3o da ideologia da t\u00e9cnica. Apogeu porque a partir de 1995 \u201cn\u00e3o se falava de outra coisa sen\u00e3o da \u2018revolu\u00e7\u00e3o da internet\u2019\u201d. Tudo o que n\u00e3o foi resolvido pelas chamadas \u201cautoestradas\u201d da informa\u00e7\u00e3o dos anos 1980 e 1990 se imaginava que seria pela internet, que, com suas redes e teias, instalaria a economia e a sociedade da informa\u00e7\u00e3o, preencheria o fosso entre Norte e Sul do mundo, subverteria os regimes autorit\u00e1rios, regeneraria as democracias e formaria um novo ser humano. A frustra\u00e7\u00e3o come\u00e7ou com a derrocada da onda especulativa entre 2000 e 2002 e com a posterior ilus\u00e3o da chamada \u201cprimavera \u00e1rabe\u201d, depois transformada em \u201cinverno \u00e1rabe\u201d.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m no Brasil, as manifesta\u00e7\u00f5es de junho de 2013, que segundo diziam \u201cacordou o Gigante\u201d, acabou desembocando em um governo ileg\u00edtimo e de retirada de direitos sociais. Essas constata\u00e7\u00f5es n\u00e3o simplesmente podem ser vistas como fator de des\u00e2nimo, mas alertam para que n\u00e3os e esque\u00e7a que as t\u00e9cnicas, sem orienta\u00e7\u00e3o \u00e9tica, sem humanismo e sem organiza\u00e7\u00e3o social, n\u00e3o fazem por si um mundo melhor e mais justo, nem muito menos o para\u00edso tecnol\u00f3gico e informacional.<\/p>\n<\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vivemos em um tempo de florescimento constante de novas tecnologias da comunica\u00e7\u00e3o. As pessoas julgam que est\u00e3o super informadas e diversos autores j\u00e1 descreveram o tempo atual como a \u201cera da informa\u00e7\u00e3o\u201d. Entretanto, h\u00e1 tamb\u00e9m uma vis\u00edvel deteriora\u00e7\u00e3o daquilo que podemos chamar \u201cinforma\u00e7\u00e3o socialmente necess\u00e1ria\u201d ou substanciosa sobre o mundo e a realidade social. 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