{"id":29482,"date":"2016-08-29T15:16:37","date_gmt":"2016-08-29T18:16:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.paulus.com.br\/portal\/?p=29482"},"modified":"2016-09-27T08:47:32","modified_gmt":"2016-09-27T11:47:32","slug":"palavra-de-deus-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paulus.com.br\/portal\/palavra-de-deus-ii\/","title":{"rendered":"Palavra de Deus II"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Assim como a no\u00e7\u00e3o de<em> inspira\u00e7\u00e3o<\/em> se mostra definidora da compreens\u00e3o dos textos b\u00edblicos, o mesmo acontece com a no\u00e7\u00e3o de <em>revela\u00e7\u00e3o<\/em>. Essa, se entendida como um conjunto de verdades que Deus d\u00e1 \u00e0 sua Igreja, ou seja, um dep\u00f3sito da f\u00e9 do qual a Igreja \u00e9 guardi\u00e3, trar\u00e1 uma leitura b\u00edblica a partir da doutrina\u00e7\u00e3o, da defesa dos dogmas, da justifica\u00e7\u00e3o das posturas que a Igreja assumiu ao longo dos anos: seus sacramentos, seus mandamentos, sua liturgia, suas ora\u00e7\u00f5es, sua organiza\u00e7\u00e3o eclesial etc. Se, no entanto, a <em>revela\u00e7\u00e3o<\/em> \u00e9 entendida como a autocomunica\u00e7\u00e3o de Deus em Jesus Cristo, ou seja, Deus n\u00e3o comunica coisas ou verdades, mas ele comunica a si mesmo no seu Filho, ent\u00e3o a leitura da Escritura Crist\u00e3 ter\u00e1 outra hermen\u00eautica. Na primeira, a Igreja possui a verdade; na segunda, ela \u00e9 serva da verdade, est\u00e1 sujeita a ela.<\/p>\n<blockquote><p>As no\u00e7\u00f5es de <em>inspira\u00e7\u00e3o<\/em> e <em>revela\u00e7\u00e3o<\/em> norteiam a leitura dos relatos b\u00edblicos. Seria muito bom que todo catequista tivesse no\u00e7\u00f5es elementares de teologia b\u00edblica, come\u00e7ando pelos conceitos de <em>inspira\u00e7\u00e3o<\/em> e <em>revela\u00e7\u00e3o<\/em>. Evitaria muitas cat\u00e1strofes: traumas, culpas, ignor\u00e2ncias, conflitos com a ci\u00eancia, ruptura com outras denomina\u00e7\u00f5es e cren\u00e7as, preconceitos, rigorismos em nome da f\u00e9. N\u00e3o sendo poss\u00edvel, melhor contar com roteiros catequ\u00e9ticos de alguma cole\u00e7\u00e3o bem confi\u00e1vel, que trazem no seu desenvolvimento o aprofundamento b\u00edblico necess\u00e1rio ao catequista.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma boa capacita\u00e7\u00e3o b\u00edblica ao catequista \u00e9 aconselh\u00e1vel, mas ainda n\u00e3o resolve os problemas da b\u00edblia na catequese, pois catequese n\u00e3o \u00e9 curso b\u00edblico. Na catequese, a b\u00edblia n\u00e3o \u00e9 para ser ensinada, apesar de um pouco de ensino ser fundamental nos encontros. Na catequese do tipo <em>encontro<\/em>, ou seja, <em>inici\u00e1tica<\/em>, a b\u00edblia \u00e9 a geradora da conversa. A partir dela, o encontro vai acontecer. O relato da Escritura ser\u00e1 o ponto de partida, aquele \u201cpontap\u00e9 inicial\u201d que faz desenrolar todo o jogo. Por isso, os textos escolhidos s\u00e3o t\u00e3o importantes. Eles devem ser estudados com afinco, mas \u2013 mais que isso! \u2013 devem ser rezados, meditados, aprofundados. Devem se tornar vida para quem vai comunic\u00e1-los. Devem ganhar significado e sentido na pr\u00f3pria vida do catequista. Depois, ficar\u00e1 f\u00e1cil lev\u00e1-los para os encontros e deixar Deus se dizer na conversa com a turma nas palavras humanas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na catequese <em>inici\u00e1tica<\/em>, a b\u00edblia n\u00e3o \u00e9 ensinada; nem por meio dela se justifica e autoriza a doutrina da Igreja. Os relatos b\u00edblicos s\u00e3o trazidos para a vida no desejo de que a mesma experi\u00eancia geradora do relato seja atualizada na vida dos catequizandos. Se a Palavra de Deus \u00e9 viva, ela continua operante. Sua narratividade \u00e9 capaz de garantir sua atualiza\u00e7\u00e3o. Quando proclamada, aprofundada, partilhada, aqueles que a acolhem est\u00e3o sujeitos \u00e0 experi\u00eancia do Deus vivo que se manifestou na comunidade que a gerou. \u00c9 essa experi\u00eancia de f\u00e9 que interessa \u00e0 catequese, e n\u00e3o um estudo sistem\u00e1tico e cognitivo de suas partes, m\u00e9todos etc. Isso, apesar de sua riqueza acad\u00eamica, seria est\u00e9ril. Todo m\u00e9todo exeg\u00e9tico e toda possibilidade hermen\u00eautica est\u00e3o em fun\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia de Deus, da comunica\u00e7\u00e3o de Deus mesmo aos ouvintes de sua Palavra. Essa \u00e9 a for\u00e7a da Escritura!<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Palavra de Deus faz viver. Ela tem for\u00e7a transformadora. Como disse Isa\u00edas, ela \u00e9 como a chuva que n\u00e3o volta para o c\u00e9u sem antes ter fecundado a terra. A Palavra dele n\u00e3o sai da boca do Senhor e volta sem produzir seu efeito que \u00e9 transformar os cora\u00e7\u00f5es, mudar as vidas desde dentro. Acolher essa Palavra na cotidianidade da vida, gerando comunh\u00e3o e partilha, \u00e9 umas das experi\u00eancias mais edificantes que a vida de f\u00e9 oferece. Todo zelo e tempo gastos com a prepara\u00e7\u00e3o do texto ainda ser\u00e1 pouco. Ser\u00e1 vantajosa para aquele que a ela se dedica com esmero \u2013 o catequista \u2013 e para aqueles que a acolhem de cora\u00e7\u00e3o generoso \u2013 os catequizandos.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Assim como a no\u00e7\u00e3o de inspira\u00e7\u00e3o se mostra definidora da compreens\u00e3o dos textos b\u00edblicos, o mesmo acontece com a no\u00e7\u00e3o de revela\u00e7\u00e3o. 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