{"id":27438,"date":"2016-03-28T08:51:27","date_gmt":"2016-03-28T11:51:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.paulus.com.br\/portal\/?p=27438"},"modified":"2016-03-28T08:51:27","modified_gmt":"2016-03-28T11:51:27","slug":"o-declinio-das-teorias-globalistas-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paulus.com.br\/portal\/o-declinio-das-teorias-globalistas-2\/","title":{"rendered":"O decl\u00ednio das teorias globalistas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A partir da d\u00e9cada de 1990 assistimos uma enorme \u201conda\u201d em torno do tema \u201cglobaliza\u00e7\u00e3o\u201d, inspirada pelo avan\u00e7o das tecnologias, especialmente as de comunica\u00e7\u00e3o; pela emerg\u00eancia do neoliberalismo e de uma \u00fanica grande pot\u00eancia econ\u00f4mica mundial, os EUA; pela acelera\u00e7\u00e3o do tempo e pelo aumento das trocas internacionais. As tend\u00eancias internacionalizantes que vinham de antes foram aceleradas, a\u00e7odadas e avan\u00e7aram bem mais r\u00e1pido que elas a as previs\u00f5es futuristas e ufanistas que previram o fim da geografia, da diversidade cultural, o fim do significado da presen\u00e7a dos corpos e popula\u00e7\u00f5es em lugares diferentes, das fronteiras e territorialidades, das fragmenta\u00e7\u00f5es; o fim da hist\u00f3ria em um mundo homog\u00eaneo.\u00a0 Essa onda teve conceitua\u00e7\u00e3o e base emp\u00edrica muito fr\u00e1gil, sustentanto-se mais em met\u00e1foras e previs\u00f5es determin\u00edsticas lineares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atualmente essas narrativas todas est\u00e3o em decl\u00ednio, embora continue sendo o maior lugar comum dizer que \u201cestamos em um mundo cada vez mais globalizado\u201d e a repeti\u00e7\u00e3o de diversos clich\u00eas enganadores a esse respeito.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">A comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o abole a corporeidade e as territorialidades e n\u00e3o independe delas e da complexidade da vida e do mundo como se pensa nas teses globalistas; nem mesmo quando se usam as mais avan\u00e7adas tecnologias. N\u00e3o se trata de negar as tecnologias da comunica\u00e7\u00e3o atuais nem de defender o localismo, fazendo uma leitura bin\u00e1ria da dial\u00e9tica entre globaliza\u00e7\u00e3o e tend\u00eancias desglobalizantes. Trata-se de compreender as inflex\u00f5es dos processos imbricados entre corpo, cultura e comunica\u00e7\u00e3o no mundo de hoje, que n\u00e3o confirmam narrativas tidas como consensuais h\u00e1 alguns anos.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os n\u00edveis mundiais de integra\u00e7\u00e3o continuam bastante baixos e o mundo est\u00e1 muito longe do que sugerem as teses da \u201caldeia global\u201d; n\u00e3o est\u00e1 nem harm\u00f4nico, nem justo, nem homog\u00eaneo e nem se enquadrou nos esquemas imaginados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A acelera\u00e7\u00e3o das trocas culturais, da quantidade de informa\u00e7\u00e3o circulando, o aumento das m\u00eddias e canais, embora propague produtos e informa\u00e7\u00f5es iguais no mundo, ao inv\u00e9s de gerar a homogeneidade, est\u00e1 aumentando a diversifica\u00e7\u00e3o e fragmenta\u00e7\u00e3o, as resist\u00eancias e at\u00e9 as intoler\u00e2ncias. Dois ter\u00e7os da humanidade n\u00e3o tem acesso \u00e0 chamada conex\u00e3o total e mesmo para que tem, n\u00e3o quer dizer que por isso esteja tendo acesso ao repert\u00f3rio todo do mundo. A comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 algo que colocado sobre essa complexidade do mundo a anule. As trocas culturais e comunicacionais, com a infinidade de variantes existentes no mundo, produzem resultados imprevis\u00edveis e inesperados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 atualmente um boom de servi\u00e7os, informa\u00e7\u00f5es e aplicativos voltados ao local, ao mundo f\u00edsico e \u00e0 presen\u00e7a das pessoas neles ao inv\u00e9s da aboli\u00e7\u00e3o da ancoragem territorial; h\u00e1 crescente interesse das empresas de internet, inclusive as gigantes, por se tornarem locais e localizadoras; o fato significativo de essas empresas e o que h\u00e1 de mais avan\u00e7ado nesse seguimento reunirem-se geograficamente em alguns locais, como \u00e9 o caso do Vale do Sil\u00edcio, nos EUA e outros centros menores pelo mundo.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">A verdadeira obsess\u00e3o por mapear e controlar territ\u00f3rios, fluxos de informa\u00e7\u00f5es e de pessoas; a obsess\u00e3o pela seguran\u00e7a dos territ\u00f3rios demonstram de modo flagrante a import\u00e2ncia que continua tendo e que continuar\u00e1 tendo, o territ\u00f3rio, as fronteiras e a presen\u00e7a dos corpos em lugares diversificados.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">As chamadas m\u00eddias sociais, embora contribuam para a abertura ao mundo, refor\u00e7am a segmenta\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os, a fragmenta\u00e7\u00e3o, o individualismo, s\u00e3o da ordem do mesmo, onde os semelhantes se atraem; criam-se rotas e territorialidades costumeiras no \u00e2mbito da internet e m\u00faltiplas e novas territorialidades na pr\u00f3pria rede e nos espa\u00e7os f\u00edsicos. Estes n\u00e3o apenas s\u00e3o moldados pelas redes, mas tamb\u00e9m as est\u00e3o moldando. O ciberespa\u00e7o n\u00e3o s\u00f3 abriu fronteiras, mas tamb\u00e9m criou outras, que v\u00e3o se sobrepondo, compondo multiterritorialidades. Imaginava-se a geografia domesticada pela economia mundial hegem\u00f4nica e pelas tecnologias de informa\u00e7\u00e3o e transporte, e ela volta em revanche, ilustrando cada vez mais os limites de ideologias modernistas, deterministas e mercadol\u00f3gicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A partir da d\u00e9cada de 1990 assistimos uma enorme \u201conda\u201d em torno do tema \u201cglobaliza\u00e7\u00e3o\u201d, inspirada pelo avan\u00e7o das tecnologias, especialmente as de comunica\u00e7\u00e3o; pela emerg\u00eancia do neoliberalismo e de uma \u00fanica grande pot\u00eancia econ\u00f4mica mundial, os EUA; pela acelera\u00e7\u00e3o do tempo e pelo aumento das trocas internacionais. 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