{"id":17151,"date":"2014-06-20T15:33:44","date_gmt":"2014-06-20T18:33:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.paulus.com.br\/portal\/?p=17151"},"modified":"2014-06-20T15:33:44","modified_gmt":"2014-06-20T18:33:44","slug":"encontros-catequeticos-i","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paulus.com.br\/portal\/encontros-catequeticos-i\/","title":{"rendered":"Encontros catequ\u00e9ticos &#8211; I"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Quando o objetivo da catequese era burilar a f\u00e9, ou seja, dar-lhe o acabamento, o m\u00e9todo catequ\u00e9tico mais usado aproximava-se de um aula de religi\u00e3o. A doutrina, os dogmas, a moral, as ora\u00e7\u00f5es da Igreja e seus rituais lit\u00fargicos deviam ser ensinados aos catequizandos. Esse formato de catequese ganhou for\u00e7a por ocasi\u00e3o do Conc\u00edlio de Trento. Vamos entender isso melhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No s\u00e9culo XVI, a f\u00e9 crist\u00e3, antes professada somente no formato cat\u00f3lico, deparou-se com outra possibilidade: a f\u00e9 crist\u00e3 da Reforma Protestante. Isso causou muita confus\u00e3o, especialmente na cabe\u00e7a do povo simples, que n\u00e3o sabia distinguir uma coisa da outra. Preocupada com essa confus\u00e3o e desejosa de manter seus fi\u00e9is no seu redil, para que n\u00e3o debandassem na corrente luterana que se formou, a Igreja deu logo jeito de providenciar um catecismo que fosse fonte de esclarecimento para o povo.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta foi uma das tarefas do Conc\u00edlio de Trento, que fez frente \u00e0 Reforma Protestante. Carlos Borromeu e alguns outros foram encarregados deste trabalho e formularam o famoso <em>Catecismo dos P\u00e1rocos<\/em>, um manual da f\u00e9 para os p\u00e1rocos ensinarem \u00e0 sua gente ap\u00f3s a Missa. Assim, ap\u00f3s a celebra\u00e7\u00e3o, os p\u00e1rocos ensinavam a verdadeira religi\u00e3o para seu rebanho.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este catecismo, por\u00e9m, apesar de grande acolhida, encontrou resist\u00eancias. N\u00e3o era l\u00e1 muito f\u00e1cil. Parecia a Suma Teol\u00f3gica de Tom\u00e1s de Aquino, em linguagem mais acess\u00edvel, mas nem por isso era f\u00e1cil. Nem todo mundo se adaptou. Foi a\u00ed que Pedro Can\u00edsio fez um catecismo mais facilitado: um manual com perguntas e respostas. Bingo! Bem na mosca! Agora sim, haviam acertado, pensavam eles. O catecismo trazia a pergunta teol\u00f3gica que causava transtorno e a resposta dava jeito de logo eliminar a pol\u00eamica. Tal catecismo facilitou muito a din\u00e2mica catequ\u00e9tica.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">A catequese se tornou sin\u00f4nimo de catecismo, a tal ponto de a gente dizer na inf\u00e2ncia: \u201cM\u00e3e, vou para o catecismo\u201d e n\u00e3o \u201cM\u00e3e, vou para a catequese\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pedagogia catequ\u00e9tica que mais combinava com os catecismos era a <em>pedagogia do ensino<\/em>. O foco dessa pedagogia eram o catequista e a verdade que ele ensinava, n\u00e3o o catequizando. O catequista ensinava a f\u00e9, como numa aula ao modo antigo. Para saber o catecismo, era preciso um esfor\u00e7o de mem\u00f3ria, de assimila\u00e7\u00e3o, de reten\u00e7\u00e3o do conte\u00fado. Mas n\u00e3o era preciso construir o conhecimento: as verdades da f\u00e9 eram dadas, bastava acolh\u00ea-las na obedi\u00eancia da f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa pedagogia considerava o catequizando como uma t\u00e1bula rasa, ou seja, um cabe\u00e7a-oca da f\u00e9 a quem era preciso ensinar tudo. A l\u00f3gica era assim: Deus havia revelado as verdades da f\u00e9 \u00e0 Igreja; a Igreja ent\u00e3o compilou essas verdades no catecismo, que fora confiado ao catequista; o catequista transmitia essas verdades aos catequizandos e eles as guardavam na obedi\u00eancia da f\u00e9. Por isso, a import\u00e2ncia das perguntas.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Partia-se do princ\u00edpio que as perguntas dos catequizandos eram as perguntas do catecismo e n\u00e3o outras. Assim sendo, bastava guard\u00e1-las no seu cora\u00e7\u00e3o: decorar. Ou seja, a catequese era uma aula de religi\u00e3o facilitada, com perguntas e respostas que eram anotadas no caderno e decoradas em casa. Pensava-se que o catequizando j\u00e1 trazia a f\u00e9, a experi\u00eancia de Deus, vinda do seio familiar. Uma aula de religi\u00e3o era mais que suficiente para burilar a f\u00e9.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas isso mudou&#8230; Essa mudan\u00e7a ser\u00e1 tema do pr\u00f3ximo artigo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando o objetivo da catequese era burilar a f\u00e9, ou seja, dar-lhe o acabamento, o m\u00e9todo catequ\u00e9tico mais usado aproximava-se de um aula de religi\u00e3o. A doutrina, os dogmas, a moral, as ora\u00e7\u00f5es da Igreja e seus rituais lit\u00fargicos deviam ser ensinados aos catequizandos. 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