{"id":14881,"date":"2013-11-27T13:52:16","date_gmt":"2013-11-27T15:52:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.paulus.com.br\/portal\/?p=14881"},"modified":"2013-11-27T13:52:16","modified_gmt":"2013-11-27T15:52:16","slug":"a-opcao-pelos-pobres-e-o-grito-silencioso-dos-trabalhadores-negros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paulus.com.br\/portal\/a-opcao-pelos-pobres-e-o-grito-silencioso-dos-trabalhadores-negros\/","title":{"rendered":"A op\u00e7\u00e3o pelos pobres e o grito silencioso dos trabalhadores negros"},"content":{"rendered":"<p>O estudo \u201cOs Negros no Mercado de Trabalho\u201d, publicado pelo Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese), no \u00faltimo dia 13 de novembro, revela que a desigualdade entre negros e brancos persiste. Os trabalhadores negros ganham, em m\u00e9dia, 36,1% a menos que os brancos, independentemente do grau de escolaridade e da fun\u00e7\u00e3o que ocupam. Esta dura realidade, enfrentada por 48,2% dos trabalhadores e trabalhadoras, deveria causar inquieta\u00e7\u00e3o. Tanto mais num pa\u00eds de maioria crist\u00e3. Impressiona como a liberta\u00e7\u00e3o dos pobres \u00e9 sempre adiada.<\/p>\n<p>Jesus Cristo sintetizou a tradi\u00e7\u00e3o dos profetas \u2013 forjada ao longo de mais de mil anos pelo povo da B\u00edblia \u2013 e anunciou o ideal do reino de Deus, de justi\u00e7a e plenitude de vida para todos. Somos, portanto, herdeiros de uma tradi\u00e7\u00e3o espiritual libertadora, e nosso pa\u00eds tem uma das constitui\u00e7\u00f5es mais avan\u00e7adas do mundo. O que ainda nos impede de avan\u00e7ar? Quais s\u00e3o os apelos da realidade? H\u00e1 tend\u00eancias de inclus\u00e3o social? Oxal\u00e1 n\u00e3o fechemos o nosso cora\u00e7\u00e3o, adverte-nos o Salmo 94.<\/p>\n<p>O Brasil acaba de celebrar os 124 anos da Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica. O ideal republicano concretiza-se numa forma de governo em que o Estado \u00e9 organizado para atender ao interesse geral dos cidad\u00e3os. Trata-se do cuidado com a coisa p\u00fablica (<em>res publica<\/em>, em latim). Claro que esta forma de organizar o estado permanece, em grande medida, como um ideal a ser conquistado pela sociedade.<\/p>\n<p>Mas sejamos realistas, n\u00e3o pessimistas. Aproximava-se o centen\u00e1rio da rep\u00fablica quando o pa\u00eds sa\u00eda de um longo e sangrento per\u00edodo ditatorial. J\u00e1 avan\u00e7amos um quarto de s\u00e9culo desde a promulga\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o cidad\u00e3, em 1988. De l\u00e1 para c\u00e1, o pa\u00eds melhorou significativamente. Estudos mostram que o \u00cdndice de Desenvolvimento Humano (IDH) cresceu 47,5%. A pobreza diminuiu. Sinal de que a democracia fez bem ao pa\u00eds.<\/p>\n<p>Por outro lado, n\u00e3o sejamos ing\u00eanuos. Certas conquistas trouxeram novos desafios. Mas interesses reacion\u00e1rios atravancam as mudan\u00e7as. Por isso, o Brasil continua a ser um pa\u00eds escandalosamente desigual, como mostrou o estudo citado acima.<\/p>\n<p>Paul Krugman, em um artigo com o sugestivo t\u00edtulo \u201cA guerra contra os pobres\u201d (N. Y. Times, 31\/10\/2013), cita a oposi\u00e7\u00e3o preconceituosa aos programas sociais nos EUA. O pr\u00eamio Nobel de Economia (2008) mostra como a quest\u00e3o racial \u00e9 incorporada aos argumentos econ\u00f4micos utilizados pelos brancos de l\u00e1 para se oporem a qualquer pol\u00edtica social em favor das \u201cminorias\u201d, ou seja, dos negros e latinos, cada vez mais numerosos naquele pa\u00eds.<\/p>\n<p>Por aqui, a guerra contra os pobres \u00e9 encampada pelas oligarquias encasteladas h\u00e1 d\u00e9cadas na velha m\u00eddia. As iniciativas em vista da amplia\u00e7\u00e3o ou consolida\u00e7\u00e3o dos direitos econ\u00f4micos, sociais e culturais da popula\u00e7\u00e3o s\u00e3o atacadas sem tr\u00e9gua. Lembremos das rea\u00e7\u00f5es a algumas delas.<\/p>\n<p>A artilharia servil do notici\u00e1rio econ\u00f4mico atacou a tentativa de redu\u00e7\u00e3o dos juros obscenos cobrados pelos bancos. A classe m\u00e9dia tradicional foi para a televis\u00e3o reclamar da amplia\u00e7\u00e3o dos direitos das empregadas dom\u00e9sticas. Entidades corporativas, e at\u00e9 mesmo alguns partidos pol\u00edticos, fizeram oposi\u00e7\u00e3o ferrenha e odiosa \u00e0 pol\u00edtica de envio de m\u00e9dicos para as periferias e interiores do pa\u00eds. O mesmo acontece em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s cotas de acesso \u00e0 universidade. A reforma pol\u00edtica, que poderia resolver muitos problemas da nossa fr\u00e1gil democracia representativa, como o dom\u00ednio do poder econ\u00f4mico nas elei\u00e7\u00f5es e a corrup\u00e7\u00e3o, \u00e9 minada na fonte.<\/p>\n<p>Aparentemente, o debate n\u00e3o avan\u00e7a. Mas \u00e9 bom recordar, a t\u00edtulo de exemplo, que o sistema de previd\u00eancia social, hoje aceito por todos, foi atacado em seu nascedouro, com argumentos similares aos utilizados atualmente contra as pol\u00edticas sociais. H\u00e1 que se reconhecer a for\u00e7a hist\u00f3rica dos pobres, a fim de n\u00e3o desanimar.<\/p>\n<p>A injusti\u00e7a imposta aos trabalhadores negros \u00e9 uma das faces da guerra contra os pobres. Dar-se conta dela pode ser o primeiro passo na dire\u00e7\u00e3o de sua supera\u00e7\u00e3o. O ideal de solidariedade do cristianismo pode conduzir a transforma\u00e7\u00e3o desta realidade. Deus escolheu os pobres. N\u00f3s, os crist\u00e3os, n\u00e3o podemos abandonar os pobres (Cf. Tg 3,5-6).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O estudo \u201cOs Negros no Mercado de Trabalho\u201d, publicado pelo Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese), no \u00faltimo dia 13 de novembro, revela que a desigualdade entre negros e brancos persiste. Os trabalhadores negros ganham, em m\u00e9dia, 36,1% a menos que os brancos, independentemente do grau de escolaridade e da fun\u00e7\u00e3o que ocupam. 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