{"id":13622,"date":"2013-09-27T15:00:27","date_gmt":"2013-09-27T18:00:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.paulus.com.br\/portal\/?p=13622"},"modified":"2013-10-03T13:26:25","modified_gmt":"2013-10-03T16:26:25","slug":"pentecostes-juvenil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paulus.com.br\/portal\/pentecostes-juvenil\/","title":{"rendered":"Pentecostes juvenil"},"content":{"rendered":"<p>O Pentecostes descrito em Atos 2, com tons de transbordamento do Esp\u00edrito e exagero da parte da assembl\u00e9ia, parece ser um bom ponto de partida para falarmos da catequese juvenil, sempre exagerada e exuberante nas suas manifesta\u00e7\u00f5es. Lucas n\u00e3o poupou cores fortes para pintar o quadro da efus\u00e3o do Esp\u00edrito: vento, barulho, fogo, l\u00ednguas&#8230; Certamente s\u00edmbolos de teofanias j\u00e1 descritas no Antigo Testamento, especialmente \u00e0quela acontecida no Sinai. A festa de Pentecostes, que antes comemorava a colheita e a alegria dos primeiros e abundantes frutos, ganhou sentido novo com o decorrer do tempo. Passou a significar a festa da entrega da Tor\u00e1, por meio de Mois\u00e9s, ao povo. Os judeus entenderam que o fruto novo e abundante com o qual Deus os alimentava era sua palavra e n\u00e3o os gr\u00e3os colhidos no campo. Vento, fogo, barulho&#8230; Para Lucas, Deus continua se manifestando como outrora para comunicar (l\u00ednguas) aos seus (a Igreja nascente) a sua palavra que alimenta e gera comunh\u00e3o. Apesar de descrever um p\u00fablico de origem judaica (judeus da di\u00e1spora \u2013 cf. At 2,5), que deveria estar acostumado a este tipo de linguagem, o autor sagrado n\u00e3o deixou escapar que tanta espontaneidade e liberdade fossem alvo de cr\u00edticas de alguns mais comedidos e racionais \u2013 a ponto de dizerem: \u201cEst\u00e3o cheios de vinho doce!\u201d (At 2,13).<\/p>\n<p>Como em pentecostes, as assembl\u00e9ias de jovens causam certamente algum estupor e admira\u00e7\u00e3o (cf. At 2,12). O <em>barulho<\/em> dos encontros juvenis cheios de exuber\u00e2ncia e de suas can\u00e7\u00f5es em volumes sempre alto nos irritam. O frescor de suas id\u00e9ias nada presas \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es, e que como o <em>vento<\/em> nos escapam, parece dizer que n\u00e3o temos mais o controle da situa\u00e7\u00e3o. O <em>fogo<\/em> de seu vigor e de sua jovialidade, insistindo em queimar a frieza de nossas liturgias e pedindo para aquecer nossos encontros, nos fazem pensar que arrefecemos no primeiro amor (cf. Ap 2,4). E ainda mais: suas<em> l\u00ednguas<\/em> ferinas e espont\u00e2neas a dizer muitas vezes o que n\u00e3o queremos ouvir, a recusar nossos ensinamentos prontos \u2013 sem dialogar com eles \u2013 e a pleitear direitos que insistimos em negar-lhes tamb\u00e9m nos incomodam. Vai ser dif\u00edcil ver nossa juventude retomar seu espa\u00e7o na Igreja sem reagir como aqueles que estavam do lado de fora do Cen\u00e1culo: \u201cEst\u00e3o b\u00eabados e n\u00e3o devem ser levados a s\u00e9rio!\u201d. De alguma forma, j\u00e1 passamos por isto, quando fomos \u00e0s ruas lutar contra a ditadura ou quando enchemos nossas comunidades eclesiais com o sangue novo de uma pastoral militante. A diferen\u00e7a \u00e9 que, em tempos de p\u00f3s-modernidade, nossos jovens n\u00e3o militam em prol de uma causa social ou da utopia do Reino, mas em prol da experi\u00eancia de Deus que lhes foi negada, na utopia que a comunh\u00e3o com Deus \u00e9 poss\u00edvel em qualquer tempo. J\u00e1 passou da hora de pagarmos a nossos jovens a conta que eles est\u00e3o cobrando: o <em>d\u00e9ficit de inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3<\/em> que deixamos como rastro na nossa pastoral cat\u00f3lica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Pentecostes descrito em Atos 2, com tons de transbordamento do Esp\u00edrito e exagero da parte da assembl\u00e9ia, parece ser um bom ponto de partida para falarmos da catequese juvenil, sempre exagerada e exuberante nas suas manifesta\u00e7\u00f5es. 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