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31/05/2019

Manhã de partilha e aprendizado no 14º Simpósio PAULUS de Educação

Por Imprensa

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“Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender”, Paulo Freire.

Em mais uma edição, a PAULUS realizou nesta quinta-feira (30), o 14º Simpósio de Educação, com o tema Diálogo entre comunicação, tecnologia e educação. O tradicional encontro educacional entre professores, educadores e especialistas da área, foi realizado no auditório da FAPCOM (Faculdade PAULUS de Comunicação), na Vila Mariana em São Paulo (SP).

O evento, que enfoca os principais temas da educação, teve por objetivo colaborar, por meio de palestras e workshops, na formação e capacitação de professores e educadores. O encontro convidou os participantes a refletirem sobre o diálogo entre a comunicação, tecnologia e educação. Na abertura do evento, as boas-vindas ficaram por conta do Diretor da Área de Difusão da PAULUS Editora, padre Mário Alberto Nahuelpan Lopez e pela equipe da PAULUS que acolheu todos os presentes.

A primeira palestra foi conduzida por Ilan Brenman, um dos principais escritores de literatura infantil do Brasil, mestre e doutor pela Faculdade de Educação da USP e bacharel em Psicologia pela PUC-SP. Ilan prendeu atenção dos participantes ao falar sobre a importância de contar e ler histórias para a formação do aluno do século XXI.  Para exemplificar ele partilhou algumas histórias, como a lenda grega de Aracne, uma jovem arrogante que desafiou a deusa Atenas. O palestrante enfatizou que as histórias fazem bem para todos, crianças, adultos e idosos. Ao contar essa e outras histórias, ele despertou emoção, vibração, surpresa e silêncio dos participantes.

Ilan Brenmam, também falou do papel dos professores e educadores na vida dos alunos, lembrou aos participantes sobre a responsabilidade dos docentes, de estudar e ter clareza das histórias contadas. E questionou sobre qual o banquete que os professores oferecem diariamente aos seus alunos. Para ele, um caminho é o resgate das histórias antigas, segundo Ilan, as histórias nasceram para explicar o mundo, por isso é preciso um resgate das histórias antigas. Além disso, ele falou sobre os efeitos do mundo conectado, isto é, das redes sociais na educação.

“No mundo corrido, onde as coisas são descartáveis, onde a rapidez dá o tom do cotidiano, você contar e ler histórias, é colocar o pé no freio, é olhar para o outro, é trocar narrativas, é trocar vínculo afetivo, é você alimentar o outro com aquilo que ele mais precisa que são, memórias do passado, com ficção e imaginação. Contar histórias, hoje, nesse tempo tão maluco, é você respirar, se acalmar e se fortalecer para os novos desafios que virão, por que eles sempre vêm. Contar e ler histórias nos prepara para o futuro”, diz Ilan.

Segundo ele, outra sugestão é sair um pouco das redes sociais e cultivar o diálogo. “Pode ficar um pouco, não tem problema, mas dá um tempo, especialmente para quem tem crianças, filhos e alunos, abastecer eles com narrativas, no mundo em que estamos vivendo, é uma ferramenta poderosa de resistência à doidice da sociedade moderna. O ser humano nunca necessitou tanto de histórias, de narrativas, do ato de contar, não as histórias da internet, mas as histórias reais, de pais e educadores, a boca falando e corpo presente, isso a tecnologia não vai oferecer jamais. Isso cria marcas profundas e transformadoras”, afirma.

A palestra inicial foi aberta a todos os inscritos no Simpósio. Já na segunda etapa, foram disponibilizados nove workshops, com temas diversos relacionados ao universo educacional, ministrados por especialistas e profissionais da área de educação.

No workshop “Era uma vez… Uma história de muitas histórias”, ministrado pela arte-educadora e contadora de histórias Rose Faria, que buscou despertar nos participantes a arte da narração de histórias e sua importância na formação de leitores. Ela lembrou aos participantes que todos podem contar histórias e todos possuem muitas histórias para compartilhar. Segundo ela, através das histórias e contos é possível reencantar o mundo e pensar sobre a questão de valores e novas perspectivas de mundo.

Para aqueles que buscaram refletir sobre os desafios e oportunidades da educação contemporânea frente às novas tecnologias da comunicação e da informação, o Prof. Dr. Carlos Eduardo Souza falou sobre o tema da Educação, Comunicação e Tecnologia. O palestrante trouxe uma reflexão filosófica sobre o tema e deu dicas sobre como incorporar a tecnologia de maneira positiva na educação. Segundo ele, não podemos nos afastar da tecnologia, pelo contrário, ela deve ser pensada no âmbito educacional.

Na oficina “A biblioterapia como recurso para abordar temas existenciais com nossas crianças”, a psicóloga Lucélia Paiva abordou o universo das histórias como apoio para enfrentar os desafios do cotidiano. Lucélia falou das possibilidades da utilização da literatura infantil como recurso terapêutico para os alunos. Durante a oficina, ela ofereceu alguns livros para os participantes explorarem o tema.

Marco Haurélio, escritor, professor e divulgador da literatura de cordel também esteve presente no evento, com o workshop “Contar histórias, desafiar memórias”. Nessa oficina, o divulgador das tradições populares ensinou que contar histórias vai além do mero entretenimento. Marco falou aos participantes de como registrar e preservar as histórias e suas memórias.

Já na oficina “Os movimentos da poesia: entre o sentido, o significado e a presença da palavra”, ministrado pelo mestre em Comunicação e Letras Marcelo Furlin, os participantes refletiram sobre a questão da palavra e seus movimentos, também sobre a condição narrativa do ser humano, o encontro teve a poesia como foco. Marcelo falou sobre percepções e explicação do texto poético.

Para falar de sexualidade na educação, a psicóloga e psicodramatista Luciana Amadi conduziu a oficina “Vale sonhar: Material educativo que atua na motivação do adolescente, incentivando a prevenção da gravidez”. Luciana abordou o tema da sexualidade e falou sobre os materiais pedagógicos que auxiliam os educadores e professores no trabalho de educação sexual.

No workshop “Gerenciando conflitos na comunidade-escola”, o diretor de escola Fabio Toro discorreu sobre as estratégias e caminhos para a resolução de conflitos na comunidade escolar. Fabio fez uma reflexão sobre conflitos presentes nas instituições, abordou estratégias, como a escuta ativa, a assembleia na unidade escolar, entre outras dicas para mediar os conflitos na escola.

Na oficina “Fotografia na escola: possibilidades e desafios para o seu uso na educação”, o professor do curso de fotografia da FAPCOM, Rafael Hupsel Palmo, refletiu sobre as possibilidades pedagógicas e didáticas da fotografia no uso das atividades escolares.

Por fim, “Paulo freire sempre presente” foi o tema do workshop presidido por Martinho Condini, professor de Estudos Sociais e História. Nesse workshop, o professor apresentou aos participantes os fundamentos da educação libertadora de Paulo Freire. Martinho também falou de Paulo freire, em tempos de fake news, resgatou a contribuição da filosofia freiriana para a educação atual e a construção do pensamento freiriano a partir de suas leituras. Segundo ele, o intuito da oficina foi manter o legado, a prática e teoria freriana nas escolas.

“A palestra inicial nos surpreendeu, Ilan nos contagiou com sua alegria ao abordar a importância de ler para as crianças. Ao contar uma história, podemos iluminar a vida dos pequenos e muitas vezes esquecemos essa importância em sala de aula. Devemos estar atentos para a qualidade das histórias contadas, assim como o trabalho de encantamento e planejamento de leitura, como ele enfatizou”.  Maria de Fátima Fonseca Kruszinski, professora do município de Itapetininga.

“Já é o segundo ano que participo do Simpósio de Educação, acompanho o trabalho do Ilan Breman, estou adorando o Simpósio e os temas tão importantes para educação”. Claudia Leitão, professora de educação física na Rede Municipal de Itapetininga – SP.