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Catequese

30/07/2018

Catequese, espaço de ação

Por Tania Pulier

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Em um famoso trecho de sua carta, São Tiago diz sobre a fé: “sem as obras, ela está completamente morta” (Ti 2,17). A catequese precisa ser um espaço de aprender e inspirar a viver segundo Jesus Cristo, unidos a Ele e seguindo seus passos. A ação tem, pois, lugar central neste caminho.

O Cristianismo não foi em primeiro lugar uma religião, nem nasceu com a intenção de ser. Os primeiros cristãos eram chamados de “seguidores do Caminho”. Eram aquelas testemunhas da morte e ressurreição de Jesus, que passaram a anunciá-lo como o Cristo, Caminho, Verdade e Vida. Pessoas cuja audácia de não poder reter a própria experiência, mesmo em meio à perseguição, e a vida fraterna chamavam a atenção e atraíam a outros que a elas se uniam.

Expulsos das sinagogas e unidos a advindos de religiões não-judaicas, reuniam-se nas casas. Aí, partiam o pão, como Jesus disse – “Fazei isso em memória de mim” –, e colocavam tudo em comum, os bens, as alegrias, as dificuldades, animando-se a continuar, “com um só coração e uma só alma” (At 4,32). Aos poucos, essas práticas e a confissão de Deus como Pai, Filho e Espírito Santo foi se constituindo num novo modo de se religar a Ele, uma nova religião.

Mais importante, porém, sempre foi a ação, a vida na existência humana concreta segundo o Espírito, animada e impulsionada por essa força interior, o próprio Deus, que vai configurando o seguidor a Cristo, ajudando-o o, no seu cotidiano a ir tomando a figura do Bom Pastor, do Bom Samaritano, do Semeador para os demais. E a ação que chamou a atenção, despertando questionamentos, como mostram alguns textos antigos.

A carta de Aristides de Atenas, do início do século II, ao imperador Adriano, diz: “Os cristãos ó rei, vagando e buscando, acharam a verdade (…). Amam-se uns aos outros, não desprezam as viúvas. Protegem o órfão dos que os tratam com violência. Possuindo bens, dão sem inveja aos que nada possuem. Avistando o forasteiro, introduzem-no na própria casa e se alegram por ele, como se fora verdadeiro irmão. (…) Guardam com diligência os preceitos do seu Cristo, vivem reta e modestamente – conforme lhes ordenou o Senhor Deus. Todas as manhãs e horas louvam e glorificam a Deus pelos benefícios recebidos”.

Na Carta a Diogneto, considerada um dos mais antigos documentos que conta a vida dos primeiros cristãos, está: “Os cristãos residem em sua própria pátria, mas como residentes estrangeiros. Cumprem todos os seus deveres de cidadãos e suportam todas as suas obrigações, mas de tudo desprendidos, como estrangeiros… (…) Não diferem dos demais homens pela terra, pela língua, ou pelos costumes. (…) Vivendo na carne, não vivem segundo a carne. (…) Obedecem às leis, mas as ultrapassam em sua vida. Amam a todos, sendo por todos perseguidos”.

Hoje, na sociedade globalizada, parece que nada mais surpreende. A sensação de que já se viu tudo e não há novo debaixo novo debaixo do sol toma conta, gerando apatia e desinteresse. No entanto, as pessoas ainda são – e talvez mais – sedentas de amor. Não o banalizado, já gasto de tão falado, cantado e exibido. Mas aquele profundo, verdadeiro, gratuito, o ágape do Evangelho. Este ainda é novidade que encanta e atrai. Como os nossos encontros de catequese têm promovido a experiência do amor de Deus revelado em Jesus Cristo e a prática da fraternidade nos diversos ambientes em que cada catequizando se relaciona?

A partilha de vida tem se feito presente? Há espaço para falar das dificuldades de amar, de compreender e perdoar, de se posicionar e viver como cristão, seguidor do Caminho, na realidade atual? Existe uma busca criativa de como se apoiar e ajudar nessa vida cristã, verdadeiro termômetro da fé? Catequistas e catequizandos exalam a alegria do Evangelho, aquele entusiasmo autêntico que nasce quando se pratica a Palavra, mesmo em meio aos desafios?

Que a catequese seja cada vez mais espaço de ação, “ensaio de vida”, lugar de seguimento, testemunho e sincera missionariedade, berço de transformação da realidade a partir do pequeno, simples e frágil cotidiano! Que de cada encontro nasçam gestos concretos, sementes fecundas na família, na vizinhança, na comunidade, nas amizades e em todo lugar.

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