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Família

19/03/2018

Promover a paz ou promover o ódio?

Por Suzana Coutinho

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A Campanha da Fraternidade de 2018 trouxe como tema “Fraternidade e a superação da violência”. De fato, nossa sociedade tem demonstrado, cada vez mais, ser violenta. A tal etiqueta que colocaram no povo brasileiro, a de ser “pacífico”, não reflete a realidade. Aliás, lembra o texto-base da Campanha, a estrutura social, econômica, política e cultural brasileira muito se fez na história por processos violentos. Durante os encontros de formação sobre o tema, nas paróquias e junto às pastorais e movimentos, muitas pessoas apontam que a violência começa em casa, que ela é aprendida com e na família. Como as famílias cristãs respondem a isso?

De fato, como membro de uma sociedade violenta, não seria possível excluir a família dessa realidade. É fato também que muitas formas de violência são exercidas dentro dos lares, principalmente contra as mulheres, crianças e idosos. Onde deveria haver proteção e cuidado, o que se encontra é medo, angústia e dor.

Na Exortação Apostólica A alegria do amor (n. 51), o Papa Francisco reflete sobre as tristes situações de violência familiar como terreno fértil para novas formas de agressividade social. Citando documento dos bispos do México, elenca as situações geradoras dessa forma de violência: uma comunicação deficiente; predominância de atitudes defensivas; falta de apoio entre os membros da família; quando não há atividades familiares que favoreçam a participação; quando as relações entre os pais costumam ser conflituosas e violentas, e as relações pais-filhos se caracterizam por atitudes hostis. Termina com a grave constatação de que a violência no seio da família é escola de ressentimento e ódio nas relações humanas básicas.

Diante de tantos desafios, no entanto, as famílias cristãs, longe de um modelo de perfeição, se colocam no caminho da santidade, que é busca incessante e não se dá sem as quedas e os recomeços. Como diz a Exortação (n. 57), essas situações devem ser um apelo para libertar em nós as energias da esperança, traduzindo-as em sonhos proféticos, ações transformadoras e imaginação da caridade. O mandato do Senhor para que se escolha a vida (Dt 30,19) deve ecoar sempre no coração e na mente das famílias cristãs, para que possam discernir, diante de cada situação, o que leva a promover a paz ou o que constrói o ódio: palavras e atitudes, gestos e omissões…

 

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