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Família

18/10/2018

A família e o discernimento vocacional dos jovens (parte 2)

Por Suzana Coutinho

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As famílias cristãs enfrentam a difícil tarefa de ajudar os jovens a realizar, com liberdade e maturidade, suas escolhas de vida. Muitas, no entanto, se angustiam diante desse processo, não encontrando o “jeito certo”, as “palavras certas”, ou um modelo que as inspire nessa missão. Em outubro de 2018, o Sínodo dos Jovens, realizado pela Igreja Católica, se debruça sobre o tema “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”. O modo de acompanhar os jovens a reconhecer e a acolher a chamada ao amor e a vida em plenitude é um dos objetivos do Sínodo.

A leitura do Instrumento de Trabalho do Sínodo oferece elementos para a reflexão e para a ação pastoral da Igreja. Nessa reflexão, as famílias cristãs também encontram importantes elementos para sua ação educativa junto a seus filhos e filhas na fase da juventude. A figura do apóstolo João é o ícone bíblico. A partir da vocação do mais jovem dos apóstolos de Jesus, aprende-se a olhar para a vocação dos jovens de hoje.

A vocação de João ajuda-nos a compreender a experiência vocacional como um progressivo processo de discernimento interior e de amadurecimento da fé. Esse processo leva a descobrir a alegria do amor e a vida em plenitude no dom de si e na participação do anúncio da Boa Notícia. A partir desses elementos, é preciso considerar as diversas realidades dos jovens num mundo que os expõem às formas de solidão e de exclusão e considerar o seu protagonismo, suas capacidades, interesses e motivações.

A grande tarefa da família é a de ajudá-los a distinguir a voz do Espírito de Deus dos outros apelos que a sociedade do consumo e do bem-estar individual oferece.

A promessa de felicidade por meio do “ter” aliena e desilude. Somente em Deus pode-se encontrar o verdadeiro sentido para a vida. Desta forma, a família contribui para que os jovens possam, em sua autonomia e consciência, decidir que resposta dar ao chamado de Deus. Foi assim com João que, seguindo o Batista, ouve dele o testemunho do verdadeiro Messias e, junto com André, vai até Jesus (Jo 1, 35-39) para com ele descobrir o caminho, a verdade e a vida (Jo 14,6).

As famílias se assemelham a João Batista, indicando o Messias. Mas, cabe aos jovens tomar a decisão de segui-lo ou não. Assim como o apóstolo João, essa decisão deve ser consciente e livre. E, ao fazer a escolha por seguir Jesus, independente do caminho vocacional (laicato, vida religiosa ou ordenada), sempre será exigido deles uma coerência entre fé e vida.

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