Colunistas

Família

23/08/2018

A família e o discernimento vocacional dos jovens (parte 1)

Por Suzana Coutinho

Indicar a um amigo:





Ouvimos pais e mães preocupados com o futuro de seus filhos, tentando entender o que eles querem “da vida” e que caminhos seguirão como pessoas e profissionais. Diante de tantos desafios, muitas famílias se sentem angustiadas e desiludidas. Outras, procuram “encaminhar bem” os filhos, na busca de uma profissão que lhes traga “sucesso”. Mas, como ajudar os jovens a discernirem bem sua vocação, à luz do Evangelho, para serem, de fato, felizes?

Em outubro de 2018, a Igreja Católica realiza o Sínodo dos Jovens, com o tema “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”. O objetivo é refletir sobre o modo de acompanhar os jovens a reconhecer e a acolher a chamada ao amor e a vida em plenitude, e, também, pedir aos próprios jovens que ajudem a Igreja a identificar as modalidades mais eficazes para anunciar o Evangelho.

O Instrumento de Trabalho do Sínodo aponta para a vocação humana como vocação ao amor, que deve adquirir uma forma concreta na vida quotidiana, através de uma série de escolhas que estruturam a condição de vida. Os jovens são chamados ou para o matrimônio, ou para o ministério ordenado ou ainda para a vida consagrada, mas também para exercerem sua vocação por meio de uma profissão, de modalidades de compromisso social e político, de um estilo de vida, da gestão do tempo e do dinheiro, etc.

É certo que os jovens, de forma consciente ou inconsciente, são chamados a fazerem escolhas. Esse processo está presente na vida de todos e todas. Para a Igreja, a finalidade do discernimento vocacional consiste em descobrir como transformar essas escolhas, à luz da fé, em passos rumo à plenitude da alegria à qual todos nós somos chamados. Dessa forma, o papel tanto da Igreja como da família seria de contribuir com a juventude, acompanhando o amadurecimento da consciência e de uma liberdade autêntica.

É importante, nesse processo, reconhecer que a juventude possui os dilemas próprios dessa fase da vida. Entre eles estão o de formar uma identidade pessoal e social e o de escolher a profissão. Não bastasse, a grande maioria ainda enfrenta os desafios de uma sociedade cada vez mais plural, hiperconectada e desigual.

Esse acompanhamento deve ajudar os jovens a acolher a chamada para a alegria do Evangelho, sobretudo nesta época marcada pela incerteza, precariedade e insegurança. Será preciso caminhar com eles, valorizando seu protagonismo nos diversos âmbitos da vida (cotidiano, compromisso social, pastoral e mundo digital).

nenhum comentário