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Catequese

18/10/2018

Viver por amor a missão

Por Sandra Sousa

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Outubro traz sua identidade missionária, relembrando a aparição de Jesus Cristo na Galileia, e toda a autoridade que lhe foi dada para enviar seus discípulos. O imperativo: “Ide!” (Mt 28,19) é provocador em sua essência. Convida a deixar pra trás, desapegar, desprender, sair de si, avançar.

Há uma urgência de escutar e tomar consciência do que significa essa ordem dada por Jesus, reforçada nas palavras do papa Francisco: “A Igreja ‘em saída’, é uma Igreja com as portas abertas [..] para olhar nos olhos e escutar” (EG 46).

“Prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas a uma Igreja enferma pelo fechamento e pela comodidade de se agarrar às próprias seguranças” (EG 49).

O movimento de abrir as portas e sair em direção às pessoas que estão caídas pelo caminho, à margem da sociedade, crucificadas pelo poder é o dinamismo existente na missionariedade. Não só padres e freiras são convocados a partirem em missão para outros povos. Não! Todo cristão e cristã recebem no Batismo esse chamado a ser missionários no cotidiano da vida, nas comunidades, relações familiares, trabalho, sociedade, nas ruas e praças, na internet. Em todos os lugares por onde passar, dar testemunho que servir por amor, “ser sal da terra e luz do mundo” é o que faz a diferença nestes tempos sombrios que atravessa a humanidade, causadores de polarização, preconceito, fanatismo, inclusive dentro da própria Igreja.

A comunidade de fé muitas vezes deixa de “ir” e se transforma em um gueto fechado, indiferente, acomodado, incoerente. Nela, a intolerância se instala, os julgamentos e condenações se avolumam, as pedras são jogadas com a força de um furacão, espalhando dor e afastando pessoas. Também nas redes sociais vê-se hoje, com nitidez, a violência se instaurar fazendo grandes estragos pelas palavras e posturas de muitos membros da Igreja, causadores de discórdias e divisões em nome de um “Deus” que alimenta o ódio e desconhece a empatia e a compaixão.

Essa triste realidade de desamor precisa ser transformada na Catequese, o espaço onde é possível descobrir o chamado e aprender a viver a missão, fecundada pela Palavra, o Verbo de Deus, que curou, acolheu, amou, suscitou em todas as criaturas a filiação divina. Congregou “num só corpo”. Se fez Pão, ação de graças para dar vida em abundância. Esta verdade precisa ser comunicada em gestos e palavras por todos os cantos da terra.

Possibilitar à criança e ao adolescente fazer uma profunda experiência com Jesus Cristo motivará a saída de si e a acolhida do outro. Servir por amor, se colocar à disposição, se humanizar, respeitar, acolher, se compadecer. Estes devem ser os valores que sustentam a vida cristã.

Por isso, a mística do serviço realizada a favor da Igreja e do mundo que a circunda, resultante do encontro com Jesus, deve revestir-se de uma disponibilidade permanente e corajosa, extrapolando os limites de uma Igreja particular, libertando-se de alienações e fechamentos, para lançar-se sem medo na aventura de se entregar ao próximo. Tal entrega, segundo João, é o que dá identidade ao amor: “Nisto conhecemos o Amor: ele deu sua vida por nós. E nós também devemos dar nossa vida pelos irmãos” (Jo 3,16).

Deixar-se afetar pela voz do Senhor, que chama na intimidade o discípulo à participação em sua missão: para trabalhar com Ele, andar por seus caminhos, segui-lo nas lutas (EE 95,2).  No entanto, a questão não é realizar feitos, mas oferecer-se inteiramente, sem reservas ou condições, movido pelo Espírito a um grande amor apaixonado que colabora, acrescenta, soma, faz a diferença na vida de outras pessoas.  Reveste-se de uma profunda consciência de que a missão oferecida exige compromisso e responsabilidade com quem quer que se aproxime.

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