Colunistas

Catequese

23/05/2018

A Construção Conjunta na Catequese

Por Sandra Sousa

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O verbo “construir” tem uma bonita missão no cotidiano, pois sob a sua dinâmica se constroem personalidades integradas, relações duradouras, famílias estruturadas, projetos de vida com sentido, carreiras fundamentas na alteridade. Para o ser humano, construir significa edificar, desenvolver, elaborar, preparar, estruturar, compor, formar, erguer, criar. Supõe juntar vários elementos em torno de um objetivo.

Na catequese, é essencial quando catequistas assumem a construção conjunta como o caminho de preparar e realizar encontros e atividades em parceria com os catequizandos. Trata-se de tomar consciência que catequese é uma via de mão dupla, feita não para despejar conteúdos, mas como um processo de co-criação, que proporciona a experiência, motiva a participação, valoriza as contribuições e unifica as ideias, de tal forma que dê liga ao encontro e faça surgir algo novo, nascido do próprio grupo. Assim como um bolo feito com vários ingredientes importantes que, quando misturados, transformam-se num alimento que sustenta e pode ser partilhado.

Essa construção está ligada à escuta, vista no artigo anterior, pois “a fé entra pelo ouvido, ouvindo a mensagem do Messias” (Rm 10,17). Nos encontros é imprescindível estabelecer um diálogo em que boas perguntas são usadas para abrir a reflexão e escutar sobre o que pensam a respeito do tema. Isso pode inspirar e motivar o envolvimento do grupo com a proposta, abrindo espaço à consciência de que são parte do todo e construirão juntos.

O papel de catequistas é o da(o) cozinheira(o), que vai dosar os ingredientes do bolo, juntando a pitada do sal, a colher de fermento, a xícara de açúcar, o copo de farinha, o óleo, o leite e os ovos. O segredo é aproveitar bem as contribuições, do jeito certo, não perdendo de vista o objetivo do encontro, que apontará a quantidade exata de elementos e a forma de misturá-los para dar liga e proporcionar uma bonita experiência conjunta.

Neste mês de Maria, por exemplo, por que não preparar juntos as reflexões e atividades que serão realizadas? Seja uma peregrinação, um teatro ou uma leitura orante, é possível partir do que for mais próximo à experiência do grupo. Caso eles não tenham a figura de Maria tão presente, é bom começar falando de mulher e mãe. A partir daí, entra-se no tema, sempre costurando com o que tiver sido colocado por eles, complementando e até ajustando alguns pontos, sem desconsiderar. Uma vez o grupo “aquecido” a partir da escuta e diálogo, confiar na criatividade das crianças, adolescentes, jovens e adultos para dar ideias e executá-las. Evitar apresentar um esquema pronto e fechado, mesmo quando for necessário dar alguma sugestão. É o equilíbrio, a dosagem entre o que você, catequista, oferece e o que recolhe deles que fará a diferença. Nisso são de grande ajuda perguntas como “O que podemos fazer para apresentar nosso aprendizado à comunidade?”; “como poderia ser esse teatro?”; “que ação concreta vocês propõem a partir do que oramos?”

À medida em que os passos forem dados na direção de uma co-construção do caminho da catequese, mais comprometidos serão os(as) catequizandos(as), visto que foram ouvidos, valorizados e puderam participar integralmente do processo. Isso é pedagógico e desenvolve a habilidade de responder com responsabilidade às exigências da fé em Jesus Cristo, que precisa ser ligada à vida.

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