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Fé e Educação

22/02/2017

Recomeçar… Sonhar… Semear…

Por Rogério Darabas

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O ano letivo começou. E com ele muitas outras atividades voltam a ser executadas. É um eterno recomeçar. Alunos chegam ávidos. Tempo de reencontrar, rever amigos, partilhar as férias, saber qual a  nova turma, fazer novas amizades, conhecer os professores. Uma manifestação acalorada. Eis a vida que se apresenta, renovada.

Na virada do ano, a grande maioria faz pedidos e assume alguns propósitos. Lançamos sementes de esperança e aguardamos ansiosamente os frutos. Entre os afazeres diversos, muitos acabam se esquecendo dos compromissos estabelecidos. E os sonhos tornam-se menores e inferiorizados diante da complexidade da vida moderna.

O grande desafio é renovar-se constantemente. Afinal, somos seres inacabados. Reconhecer que não estamos prontos é o grande passo para não parar a jornada a qualquer instante.

Recomeçar é acreditar novamente. Recomeçar é lançar sementes de esperança, mesmo que haja nebulosidade e ventos contrários. É a melhor forma de mostrar nossa disposição, coragem, confiança e, sobretudo, a capacidade de continuar o que outrora foi estabelecido. Ou reiniciar um novo projeto.

A escola é por natureza um ambiente onde o verbo recomeçar  está inserido permanentemente. Não somente no início do ano ou das respectivas etapas, mas cada dia é um novo recomeço, novas possibilidades. Na relação entre educador e educando, o espaço-tempo se torna primordial. Um campo fértil para semear sonhos e incentivar a concretização de projetos.

Acolher bem os alunos em cada etapa é de fundamental importância. Mesmo hoje, com toda a modernidade, e eles adeptos das mais diversas tecnologias, apresentam-se repletos de curiosidade e sede para descobrir, pesquisar, conhecer. A escola é sim, o espaço onde acolhida,  afeto, presença, companheirismo alimentam a esperança.

E o educador não é mero transmissor de informações.  Afinal, “Ensinar é um exercício de imortalidade. De alguma forma continuamos a viver naqueles cujos olhos aprenderam a ver o mundo pela magia da nossa palavra. O professor, assim, não morre jamais…” (Rubem Alves). Educador se torna imortal, pois fala de esperança, semeia utopia, desperta sonhos. Educador é semeador de sonhos.

Educador é poeta, pois vê a vida com olhos de menino e,  com consciência de sua nobre missão. Em uma outra frase, Rubem Alves lembrou: “O desejo que move os poetas não é ensinar, esclarecer, interpretar. O desejo que move os poetas é fazer soar de novo a melodia esquecida”.

Em cada novo dia, o educador-semeador se depara com um vasto campo para o seu plantio: mentes que buscam receber novas sementes para florir e produzir muitos frutos. E frente aos desafios, o educador se torna poeta. Suas palavras não podem ser lançadas de qualquer maneira e em qualquer lugar. Quando as profere, as palavras-sementes dançam harmoniosamente a valsa da esperança e da vida. Serenas e confiantes que logo brotarão.

As experiências do passado, sejam fracassos ou conquistas, são lições para o presente.  Apresento uma breve história….

O mestre e seu discípulo caminhavam entre a praia e o paredão de pedras. As ondas do mar tocavam seus pés e pernas de maneira suave. Num certo momento, uma onda mais forte os surpreendeu e arrastou  mestre para além da praia. Seu discípulo, sem saber nadar, gritou por socorro. Surge um homem que salvou o mestre. Não houve tempo para agradecer, o bom homem desapareceu. O mestre foi então até uma pedra e escreveu: “Hoje um irmão salvou minha vida”. E seguiram a caminhada. Mais adiante, uma pessoa furiosa apareceu e desferiu uma bofetada no rosto do mestre. Este se levantou e escreveu na areia da praia: “Hoje um irmão me agrediu violentamente”. Continuaram caminhando e o silêncio foi quebrado com a pergunta do discípulo que olhava para trás e percebeu as ondas que cobriam o que o mestre escrevera na areia. “Mestre, lá atrás escreveste na pedra quando aquele bom homem te salvou e agora escreves na areia quando uma pessoa desequilibrada o agride?”. O mestre olhou para seu discípulo com serenidade e doçura, enquanto mais uma onda apagara de vez o que havia escrito na areia. E com o silêncio contemplativo, retornaram a caminhada….

Neste novo tempo, o ser humano também precisa se transformar, nascer de novo. Deixar para trás qualquer situação que possa o impedir de  sonhar, semear e realizar.

Recomeçar, verbo e ação. Carregado de sonhos, repleto de desejos. Fazer diferente, ousar. Superar o negativismo, o medo. Não há espaço para a letargia  no ambiente escolar. Aqui os sonhos e ideias pulsam ritmicamente. Recomeçar é preciso.

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