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Fé e Educação

26/09/2016

Palavras que encantam, palavras que transformam

Por Rogério Darabas

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O mestre Jesus foi um grande contador de histórias. Suas parábolas encantavam e, hoje, lidas por intermédio dos evangelistas, continuam a ensinar e a transformar mentes e corações. A fama de Jesus se espalhava rapidamente, “porque Ele ensinava como alguém que tem autoridade” (cf. Mateus 7,29).

Há quem diga: “As palavras movem, os exemplos arrastam”. De fato, um testemunho, uma ação concreta, vale muito mais que lindos discursos. Por outro lado, não podemos negar o poder das palavras. Existem palavras bem ditas, que anunciam paz, esperança, bênçãos. Palavras que transformam. Há também a palavra mal dita, que fere, agride, ilude, engana, destrói, mata. Essa é a palavra maldita.

Na criação do mundo e de tudo o que nele existe, Deus, com o poder de sua Palavra, ordenou e as coisas passaram a existir. E ao contemplar sua obra criada, Deus viu que tudo era bom. Nos ensinamentos de Jesus – os sermões proferidos para as multidões, os ensinamentos para os apóstolos, as orientações para as pessoas próximas –, a palavra de Jesus não se caracteriza por julgamentos, críticas destrutivas ou condenações. Suas palavras são de acolhida, incentivo, perdão, segurança, conforto… Estão repletas de amor.

Ao realizar um milagre, Jesus finaliza o referido encontro com uma frase que resgata a dignidade e fortifica a esperança: “A tua fé te salvou”. Ou ainda quando evitou que a mulher pecadora fosse apedrejada: “Ninguém te condenou? Nem eu te condeno. Vá em paz e não peques mais”. Palavras de mansidão. Atitudes que apontam novo rumo, nova maneira de viver.

Os educadores são mestres da palavra. Diante de nós, crianças e jovens, ansiosos, desejam aprender. Além do conhecimento a ser adquirido e partilhado, eles buscam algo mais: palavras de esperança e vida. Ser professor é um exercício que, se treinado, pode ser desenvolvido de maneira técnica. Mas um professor será eternamente lembrado se conseguir tocar o coração dos seus pupilos.

“Ensinar é um exercício de imortalidade. De alguma forma continuamos a viver naqueles cujos olhos aprenderam a ver o mundo pela magia da nossa palavra. O professor, assim, não morre jamais…” (Rubem Alves).

“Professor, tem história hoje?” – a pergunta se tornou frequente no início das aulas. Crianças, adolescentes e até adultos gostam de ouvir histórias. E quando a “contação” começa: ouvidos atentos, olhares expressivos e coração aberto para acolher uma nova mensagem. Sejam elas proclamadas de um texto bíblico ou contadas a partir do cotidiano, as palavras encantam e transformam.

         As palavras bem colocadas, interpretadas, dão um novo sentido, seduzem, elevam, incentivam, motivam, ensinam. E se não há uma nova história, os alunos falam: “Conte aquela daquele dia, que fala do sábio. Ou aquela do rei que…”. Estão sedentos de palavras, não de teorias, mas de palavras carregadas, repletas de sentido. Palavras que sejam fortes, serenas, sublimes.

         Eis uma história…

Em certo lugar, o rei estava preocupado, pois apareceu naquela região um sábio. Agora as pessoas não mais o procuravam para ouvir conselhos ou pedir orientações. Todos ouviam o sábio. Decidiu Sua Majestade expulsar o sábio e arquitetou um plano com seus conselheiros: “Vou pegar um pássaro vivo e esconder entre as minhas mãos, atrás das costas. Perguntarei ao sábio: ‘O pássaro que tenho aqui está morto ou está vivo?’. Se ele falar que está morto, mostro o pássaro vivo. Se ele falar que está vivo, eu estrangulo o pássaro, sem que ele perceba, e mostro o pássaro morto. E assim ele será desmascarado. As pessoas irão descobrir que o sábio não tem todas as respostas, não sabe todas as coisas. Terá que ir embora”. Feito isso, marcaram o dia e local do evento. Chamaram o sábio e então o rei indagou: “Sábio, você que tudo conhece, tudo sabe, me responda: Tenho aqui em minhas mãos um pássaro. Ele está morto ou está vivo?”. O sábio pensou, pensou… O rei tornou a perguntar: “O pássaro está morto ou está vivo?”. E o sábio serenamente respondeu: “A decisão está em suas mãos”.

          Educadores e pais, que possamos seguir o exemplo do mestre Jesus. Que nossas palavras possam testemunhar, encantar e transformar. “Quem tem ouvidos, ouça!” (Mateus 13,9).

2 comentários

18/10/2016

Mirlene Moreira Melo Canestraro

Belíssimo texto Rogério! Suas palavras encantam e levam esperança a todos os acreditam no poder que as palavras tem para profetizar sentimentos bons e emoções positivas! Nós educadores, somos responsáveis por fomentarmos em nossos alunos, o amor e a vontade de ser para os demais, contribuindo por um mundo melhor para todos! Obrigada!

18/10/2016

Mirlene Moreira Melo Canestraro

Belíssimo texto Rogério! Suas palavras encantam e levam esperança a todos os que acreditam no poder que as palavras tem para profetizar sentimentos bons e emoções positivas! Nós educadores, somos responsáveis por fomentarmos em nossos alunos, o amor e a vontade de ser para os demais, contribuindo por um mundo melhor para todos! Obrigada!