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Fé e Educação

05/02/2018

Escola: acolher, formar e enviar

Por Rogério Darabas

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Abrem-se os portões. Eles avançam ansiosos com grande expectativa. O silêncio dos corredores foge na medida em que vozes empolgantes entoam uníssimo canto. Salas preenchidas, carteiras ocupadas, um sussurro de muitas línguas, e todos se entendem.

 Em meio ao caloroso alvoroço alguém se aproxima. Adentra o espaço e ocupa um lugar ou movimenta-se com olhar atento, cumprimentando-os com um sorriso, um gesto… Posiciona-se à frente: “Bom dia, sejam bem-vindos”! Olhares ávidos acolhem o mestre, o educador, o maestro.

Sim, o ano letivo está começando. E com ele a escola acolhe seus educandos para mais uma etapa. Cada um chega num momento único. Para alguns é a primeira experiência social de integração, convivência e aprendizado. Para outros, uma retomada do que já foi vivenciado em outros momentos e situações e oportunidade para novos aprendizados e um pequeno grupo se prepara para a última fase da educação básica, preparando-se para novos desafios.

Em meio à tantas diversidades, eis a primeira missão do educador: acolher. O primeiro encontro é de significativa importância. O olhar atento e sensível do educador será determinante diante de cada discípulo que lhe é apresentado. A acolhida não acontece apenas no primeiro encontro, ela é a porta que se abre todos os dias vislumbrando novos caminhos a serem trilhados. Além das dificuldades de aprendizagem, cada educando traz suas experiências pessoais, sonhos, inquietações.Também aqui, eles precisam ser ouvidos, mesmo que haja um programa curricular a ser cumprido, o educador não pode se eximir das questões existenciais e corriqueiras da vida.

As contínuas e profundas mudanças afetam todas as instituições e pessoas. A escola procura desenvolver sua missão mediante às inúmeras transformações. No processo ensino-aprendizagem, o professor deixa de ser apenas um mero transmissor e assume o papel de mediador, interlocutor, facilitador. O aluno é incentivado à desenvolver sua autonomia e responsabilidade. Dessa forma, muitos são os valores trabalhados. A escola exerce o seu papel formativo. O professor torna-se uma referência primordial na vida dos alunos. “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda.”  (Paulo Freire).

A acolhida inicial e todas as acolhidas diárias são formativas. Todos as aulas, todos os encontros desenvolvem-se a partir da relação que acolhe, orienta, provoca, incentiva, forma. Tudo é dinâmico no ambiente escolar. Os programas elaborados com seus inúmeros conteúdos não podem sufocar a vida que pulsa. O desafio da educação é humanizar sempre o ambiente e as relações.

Do primeiro ao último dia letivo há uma esplêndida jornada a ser percorrida. Cada um, a seu tempo, enfrentará as lutas que surgirão. Cada um, a seu modo, desvendará mistérios e estabelecerá novas metas. Cada um, de acordo com seus dons e capacidades, realizará projetos e alcançará conquistas. E o mais importante, não caminhará sozinho. Somos seres alados, mas temos uma única asa. É necessário estar ao lado, ir junto, caminhar com o outro que também só possui uma asa e juntos alçarmos voos mais altos e instigantes.

E a escola que acolhe e forma, precisa cumprir a última etapa: enviar. Se até aqui, todo o processo foi desenvolvido com competência e afeto, presença humana, certamente esse momento será sereno e tranquilo. Nada fácil é claro. Pois em todas as etapas, seja na escola e na vida, nem sempre haverá somente alegria e prazer. Temos que entender que também na escola, as tarefas mais pesadas podem estar aliadas ao bem-estar e satisfação.

É bem provável que o momento de despedida de uma etapa para encarar o desconhecido trará desestabilidade e desconforto, mas se faz necessário. Crescer é arriscar, ousar.

Um bom exemplo são as águias. Constroem seus ninhos no pico da montanha mais alta. Cuidam bem de seus filhotes trazendo diariamente alimento e colocando em sua boca. Mas quando percebem que o filhote pode voar sozinho, conduzem-no até a beira de um abismo e empurram-no para que ele possa iniciar o seu próprio voo.

Nossos alunos precisam acreditar nos dons recebidos e ousar, voar. Quando isso acontece, respeitada e valorizada toda a diversidade que temos e somos, a escola cumpriu fielmente a sua missão.

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