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Fé e Educação

10/04/2019

Em busca de sentido

Por Rogério Darabas

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10“Feliz de quem atravessa  a vida tendo mil razões para viver”.

 (Dom Hélder Câmara)

O que você vai ser quando crescer? Eis uma pergunta que todo ser humano já ouviu ou ouvirá quando criança. Na verdade, as questões existenciais permanecem conosco a vida inteira e isso é positivo. Ou para algumas pessoas poderiam ser um problema sem solução? As indagações, as dúvidas servem de incentivo ou provocam desespero e angústia?

O que é o ser humano? Quais são os ideais que o movem? Nos últimos tempos ouve-se casos de adolescentes e jovens que escolheram interromper a própria vida. Alguns registram por cartas ou depoimentos gravados, os motivos do ato final. Seria um gesto de covardia ou coragem? Jamais saberemos a verdade. Vai-se a vida ficam hipóteses e suposições. Por quê? Mas se…? E agora?

O que torna a situação preocupante é tomar consciência de que eles estão próximos de nós. Eles são nossos conhecidos, amigos de nossos filhos, membro de nossa comunidade, morador do bairro, aluno de nossa escola. E então, ele é nosso. Sim, é responsabilidade de todos buscar maior conhecimento sobre o assunto e descobrir formas de ajudar. Os jovens estão gritando, pedindo socorro.

 Há quem diga que faltou educação familiar ou  religiosa; que são mimados, que tem tudo e não são gratos; sem personalidade….  Se olharmos apenas para tais respostas, iremos nos deparar com velhas desculpas, seguiremos indiferentes e alheios encontrando supostos culpados que poderiam ter permitido que isso acontecesse: os pais, os amigos da balada, a escola, repressiva em algum momento, permissiva em outros, ou ainda Deus. Mais que respostas prontas, precisamos mergulhar na realidade complexa juvenil que se apresenta atualmente, em busca de alternativas.

O ato em si, brutal e frio, nos ensina o contrário do que às vezes afirmamos. Quem tira a própria vida está gritando que quer viver. Viver como, se tirou o que havia de mais sagrado? Eles querem viver de forma diferente, o mundo como se apresenta não lhes é satisfatório. A modernidade se apresenta com muitas opções e possibilidades. E diante da infinita “lista de ofertas”, o ser humano, e especialmente o jovem se perdeu. No desejo desenfreado para tudo ter, encontrou o vazio. O tudo não trouxe nada. O vazio tornou-se seu fiel companheiro.

Pais e educadores, Deus nos confiou uma missão: cuidar e proteger, educar e formar. Dá tempo e ainda tem jeito sim! Nossos jovens, sedentos pela vida, perdem-se muitas vezes, trilham caminhos tortuosos, sofrem, se frustram, se angustiam. É o tempo da busca da própria identidade, da formação da personalidade. Ainda tão indefesos querem ver em nós, a força e a delicadeza, a coragem e a sensibilidade. Precisam de orientações firmes e limites claros, arraigados de atenção, afeto e muito amor. Sentem-se mais seguros se nossas mãos estão firmes com as eles, se nosso coração bate em sintonia.

Não precisamos oferecer tudo, eles desejam o básico. Não nos angustiemos em lhes dar, eles querem que sejamos. Certo dia um jovem disse: “Meu pai me ofereceu de aniversário mais uma viagem para Disney. Eu pedi para ir ao parque da cidade e fazer um piquenique.” O vazio existencial dos jovens precisa ser preenchido por um sentido pleno e sereno, forte e apaixonante pela vida.

Segue uma breve história. Um turista, viajando pela Índia, decide conhecer o  líder espiritual mais famoso. Logo ao entrar na casa, percebe um lugar muito simples com uma pequena escrivaninha e um fino colchão no canto do único cômodo.

Após ser acolhido, comenta:  Sua casa é muito simples, onde estão seus móveis?

O sábio: E os seus, onde estão?

O turista: Eu estou aqui de passagem.

E serenamente o sábio lhe diz: Eu também.

Para encontrar o verdadeiro sentido é necessário esvaziar-se de muitas coisas e abastecer-se do que é essencial.

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