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Fé e Educação

19/03/2018

Acordar nossos sonhos

Por Rogério Darabas

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Porque sou do tamanho daquilo que vejo, e não do tamanho da minha altura.

Carlos Drummond de Andrade

 

         Os sonhos da noite, complexos, belos, pesadelos. São sonhos incontroláveis, inexplicáveis, mistérios. Os sonhos do dia trazem luz, sombra, esperança, medo ou agonia? Sonhos que nos provocam, sonhos que nos convocam. Sonhos que sussurram: carpem diem!

         A história nos apresenta grandes sonhadores: Moisés, Gandhi, Einstein, Thomas Edison, Nelson Mandela, Martin Luther King, Madre Teresa de Calcutá, entre tantos outros. Eles sonharam e se empenharam na realização dos seus sonhos.

E a escola tem sido um espaço para fomentar sonhos? É uma escola dos sonhos? Nossos alunos sonham? Os educadores sonham? Pra que sonhar? Alguém poderia dizer: “os sonhos não servem pra nada”. Vale continuar sonhando?

A escola precisa constantemente perguntar-se qual é o seu papel. Ele não foi definido. Ele é construído constantemente. Claro que se faz necessário distinguir entre o papel da família, que é responsável pela educação dos valores, e a função da escola como construtora de conhecimento. Mas tudo na escola tem que fazer sentido. A educação escolar deve ser humanizadora.

Nesse sentido, é fundamental que a escola seja um ambiente que proporcione oportunidades de despertar sonhos. Na experiência acadêmica, somos surpreendidos pelas inquietações dos pequenos sonhadores:

“Professor, o que vamos ter hoje?”, pergunta um dos alunos. Óbvio que é aula, posso pensar. Mas o aluno quer sonhar. A aula é a porta de entrada. Em outras palavras, ele está pedindo: “Faça-nos sonhar”.

 O conteúdo acadêmico não pode ser um fim em si mesmo. Letras, números, cálculos, desafios, traços e rabiscos, tudo se transforma em sonho. E sonho não é brincadeira. Sonho é fogo que aquece, luz que ilumina, brisa que refresca, água que sacia. Sonho é alimento. Sonhar é vislumbrar possibilidades. A escola tem que semear, provocar, acordar todos os mais belos sonhos. As crianças amam estar na escola. As brincadeiras, o faz de conta, a convivência, música, dança, jogos e gritaria. Bagunça? Que nada. Sonhos infantis são como bolhas de ar ou bexigas, encantam e divertem quando explodem no ar.

E Deus, sonhou? Sim, Deus sonhou a sua obra prima: a criação. Em cada novo dia, acordou Deus e sonhou, visualizou e concretizou o que desejou. Ao final de cada obra, seus sonhos renasciam: “E Deus viu que era bom”. Deus percebeu que seus sonhos eram criadores de um novo mundo. Foi no caos, na desordem – “a terra estava sem forma e vazia” (Gn 1,2a) – que ele sonhou. E Deus descansou no sétimo dia. Ah, descansou e foi sonhar mais um pouco. E continua sonhando…

E você educador, tem sonhado com o que? O que o move a enfrentar os desafios no complexo ambiente escolar? O que o faz acreditar que seu trabalho é, antes de tudo, uma missão? O que o convida a encontrar todos os dias pessoas tão diversas? O que o provoca? O que o incentiva? São seus sonhos. O educador é um sonhador, um visionário. O educador é aquele que semeia e consegue vislumbrar a colheita. O educador é aquele que vive os seus sonhos e instiga seus educandos a tornar os sonhos juvenis em possibilidades e realizações.

O sonho nos mantêm vivos. A determinação, as atitudes e ações o concretizam.

Breve história. Um artesão, passando diante da casa de seu vizinho, repara numa pedra de mármore e lhe pede o objeto. Tempos depois, o vizinho visita o artesão e vê uma bela obra de arte, uma linda escultura, e pergunta: “Onde você comprou essa linda escultura?”. E o artesão responde: “Não comprei. Estava naquela pedra de mármore que você me deu. Eu a vi e tirei apenas os excessos, e a escultura surgiu diante dos meus olhos”.

         Deixamos de viver e realizar quando paramos de sonhar. A vida, na sua inteireza, acorda nossos sonhos. E Deus, o criador, foi o grande sonhador.

1 comentário

20/3/2018

Mirlene M.Melo Canestraro

Belíssimo texto, inspirador! Obrigada por através de suas palavras ser convidado a sonhar os mais belos sonhos que a vida nos proporciona! Os sonhos não envelhecem! (Clube da Esquina). Carpe Diem! Minha admiração!